Twitter Facebook Linkedin
Home » Notícias » Startups de soluções ao varejo já beiram total de investimentos de 2020

Startups de soluções ao varejo já beiram total de investimentos de 2020

Total dos aportes em retailtechs no primeiro trimestre de 2021 correspondem a 95% de todo o ano passado, aponta levantamento

Por Felippe Constancio

Os investimentos nas startups de soluções ao varejo, as retailtechs, está atingindo níveis sem precedentes. De acordo com o mais recente relatório do Distrito, o Inside Retailtech Report, as startups dedicadas a encontrar soluções inovadoras para o varejo já receberam US$ 682,4 milhões em pouco mais de três meses em 2021. De acordo com o relatório, o valor já ultrapassa o total de investimentos no setor em 2018 (US$ 675,4 milhões) e corresponde a 95% do total investido em 2020 (US$ 712,3 milhões).

Diante do grande momento do setor apresentado no relatório, o Distrito está lançando um programa de aceleração voltado exclusivamente para as empresas inovadoras do varejo. Em uma parceria com a comunidade de empreendedores Darwin Startups, o programa Retail Scale fará um processo de seleção em diversas etapas, das quais 15 startups serão selecionadas para uma fase de imersão em junho e julho.

Delas, cinco finalistas receberão aportes e serão aceleradas pelo Distrito durante seis meses.

Aumento das retailtechs

No total, foram 801 retailtechs mapeadas no relatório, que somaram 371 rodadas de investimento e tiveram 69 fusões e aquisições – o que dá uma visão global e completa do cenário da inovação no setor.retailtech

Acima, gráfico do Distrito aponta evolução do número de retailteachs fundadas desde 2000./Distrito

Em sua maioria, as retailtechs focam nas empresas, mas de acordo com o relatório, o mercado B2C pode e deve crescer. “Um movimento realizado há alguns anos nos EUA e que pode começar a ser seguido no Brasil pode mudar esse panorama, aumentando a participação da retailtechs focadas no consumidor final. Trata-se de um modelo conhecido como D2C, empresas que possuem indústrias e fazem as vendas diretamente para o consumidor.”

B2B hoje é predominante em quase todas as categorias.

Evolução dos investimentos

Tendo em vista que as retailtechs brasileiras já receberam mais de US$ 650 milhões em 2021, a Distrito aponta que o digital e os negócios inovadores vieram para ficar no setor – “e talvez tenham sido estimulados exatamente pela mudança de comportamento dos consumidores frente ao isolamento social”.

No mapa dos investimentos por segmento, o e-commerce teve US$ 438 milhões em 11 investimentos, com a maior rodada à MadeiraMadeira, de US$ 190 milhões. Em seguida, o setor com mais investimentos foi o de logística, com US$ 217 milhões sendo US$ 212 milhões para a Loggi. O terceiro segmento foi o de pagamentos, com US$ 27 milhões em três investimentos e o maior aporte à TradeMaster (US$ 18,5 milhões). O varejo alimentar foi o quarto segmento mais investido, com US$ 5,4 milhões em três investimentos. Nele, a maior parte foi à Shopper (US$ 5 milhões).volume de investimentos retailtechs

Acima, gráfico do volume e número de investimentos em retailtechs desde 2011/ Distrito

Em termos de perspectivas de investimentos, a Distrito tem um algoritmo que analisa o comportamento das startups que receberam aportes e pode fazer previsões sobre negócios que podem receber futuros aportes. A inteligência tem duas variáveis: o DM Score e o Trel. O DM Score mede o quanto uma startup está acima da média em seu setor a partir do número de funcionários e crescimento no último ano, do faturamento presumido, do investimento captado e dos acessos e métricas em seus canais. Enquanto isso, o Trel é uma variável que compara o tempo de captação desde a última rodada com a média no setor.

Assim, de acordo com o algoritmo, a especializada em soluções ominicanal Neomode, a solução colaborativa de fretes e entregas urbanas Uello e a especializada em produzir comida em escala e vender online Mimic são três possíveis startups do setor de retail com grande maturidade e timing adequado para novo estágio de financiamento.

Sobre os investimentos no setor, o CEO da HiPartners Capital & Work, Walter Sabini, lembra que hoje o desafio maior está mais na cultura das empresas do que propriamente em serviços e plataformas disponíveis. “Há inúmeras soluções disruptivas já desenvolvidas, mas que ainda precisam de um mercado mais maduro”, diz ele na visão de um portfólio com oito retailtechs.”Por isso, o caminho é trabalhar do lado do varejista para que ele se sinta parte do negócio e fomente investimento em plataformas que acredite. Assim, conseguimos criar um clico virtuoso e de ganha-ganha em ambos os lados. Além disso, a coalisão entre marcas também trará um crescimento exponencial e sem precedentes para o setor”, observa o executivo.

O relatório também aponta que as fusões no cenário nacional também evoluem consistentemente. Enquanto em 2018 foram três, elas chegaram a 12 em 2019, subindo para 27 em 2020 e atingindo um total de 12 só nos primeiros meses deste ano.

Um olhar mais atento para a logística

Também com avaliações sobre a logística do varejo nacional, o estudo observa as diferenças do Brasil para os benchmarks do segmento e aponta sua perspectiva mais provável para o futuro próximo.

Segundo o Distrito, a penetração do e-commerce é de 20% no varejo nos EUA e de 40% na China. No Brasil, atualmente ela é de 10% segundo a plataforma de opinião de consumidores EBIT. Assim, a tendência é que o Brasil avance para números semelhantes a estes países. Para este ano, a previsão é de 26%.

O Distrito aponta que tal avanço deve acontecer porque os maiores varejistas e marketplaces do País tendem a verticalizar semelhantemente à Amazon, em um movimento pautado por inovações e forte pipeline de M&As de startups que têm soluções tecnológicas voltadas à eficiência de suas operações logísticas. Como mostra o estudo, o setor pede um ecossistema e está construindo-o, a exemplo do Mercado Livre com o Mercado Envios que entrega 96% das vendas do marketplace.

Fonte: Novarejo