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Aluno na escola e frio ajudam Renner

Demanda reprimida, retorno às aulas presenciais e baixas temperaturas têm contribuído para o giro da coleção de inverno

Por Raquel Brandão

Demanda aquecida e resultados superando, em alguns momentos, os meses sem covid-19. Esse tem sido o retrato da operação da varejista de moda Lojas Renner desde maio, segundo o presidente da companhia, Fabio Faccio.

“É difícil afirmar o quanto é estrutural, mas é animador ver que alguns resultados estão superiores ao período pré-pandêmico mesmo com horários e condições de trabalho ainda restritos.”

De acordo com Faccio, há alguns fatores para o aquecimento das vendas de vestuário. Um deles seria a demanda reprimida, observada a partir da reabertura das lojas. Outro seria a volta às aulas presenciais, que estimula a reposição de roupas e calçados ainda que seja gradual e em apenas algumas localidades. Por fim, a queda das temperaturas em grande parte do país também tem ajudado no giro das coleções de inverno.

Mas o avanço intenso do consumo, após um mês de março de restrições mais duras de funcionamento com o arrefecimento da crise sanitária, não significou problemas de estoque ao grupo. Segundo o executivo, a empresa, dona das marcas Renner, Youcom, Ashua e Camicado (de itens de decoração), reforçou suas negociações com fornecedores e conseguiu superar dificuldades de abastecimento.

Agora, a companhia acelera projetos e anuncia o lançamento de um novo modelo de loja com atributos de sustentabilidade e multicanalidade [em que as operações digitais e físicas se integram]. As dificuldades impostas pela pandemia fizeram com que o novo modelo de loja, que a companhia vinha desenvolvendo desde 2019, demorasse mais a sair do papel. Agora ele está sendo retomado.

Com entrega prevista para o fim deste ano, a loja da Renner no shopping Rio Sul, no Rio de Janeiro, recebeu R$ 16,6 milhões em investimentos para ser reformada e adaptada ao conceito de circularidade.

Ou seja, terá mobiliário todo produzido com materiais recicláveis, dos manequins aos caixas, e tudo será modular para ser reapreveitado em cada mudança de layout. Além disso, o espaço dedicado à coleção Selo Re, em que as peças são confeccionadas com matérias-primas ecologicamente mais corretas, ganhou maiores proporções. O consumidor também poderá acessar “prateleiras infinitas” pois poderá fazer compras no canal on-line de dentro da loja.

“A loja é uma soma de iniciativas que temos tomado desde 2014”, diz o presidente da Renner. Embora o investimento supere a média de valor aplicado em outras lojas, Faccio argumenta que os potenciais ganhos futuros podem reduzir custos.

“A gente investiu acreditando no modelo, mas desenvolvimento e pesquisa tendem a ajudar bastante na redução de custos futuros, porque o mobiliário é muito flexível e pode ser reutilizado”, explica.

À frente do projeto, Alessandra Shargorodsky, diretora de arquitetura, engenharia e expansão da companhia, diz que a unidade permite ganhos de eficiência energética e consumo de água. O cálculo é de redução de 55% do consumo de água e 20% de energia. “Como seguimos premissas LEED e BREEAM [certificações de arquitetura e engenharia sustentáveis] somos mais eficientes e uma loja eficiente tem muito menos gasto por desperdício”, disse a executiva.

A loja reformulada servirá como um piloto para o modelo, que vai ser replicado em uma unidade de um novo shopping na cidade do Rio de Janeiro no primeiro trimestre de 2022.

Fonte: Valor Econômico