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Varejo de moda sofre no 2º tri e depende mais do fim do ano

As empresas varejistas de tecidos, vestuário e calçados divulgam nas próximas semanas seus resultados financeiros relativos ao segundo trimestre. A expectativa é que apresentem uma deterioração no desempenho, em comparação com os três primeiros meses do ano. Os principais motivos são o clima desfavorável, a greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio, e uma piora em parte dos indicadores macroeconômicos.

Na opinião de fontes do setor, o varejo de moda fica agora mais dependente do desempenho na ‘Black Friday’ (promoções realizadas no fim de novembro) e no Natal para compensar as vendas fracas verificadas na primeira metade do ano.

“Quase metade das redes varejistas com que falei reportaram em junho um resultado igual ou pior do que no mesmo mês do ano passado”, diz Edmundo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex). A entidade reúne as principais redes de varejo de moda do país, como C&A, Forever 21, Cia. Hering, Marisa, Inbrands, Renner, Restoque, Riachuelo e Zara (Inditex).

Lima observou que as vendas de abril e maio sofreram influência negativa do clima, mais quente do que a média histórica para o período, principalmente nas regiões Sudeste e Sul. E entre o fim de maio e início de junho, as varejistas de vestuário também sentiram o impacto da greve dos caminhoneiros, que durou oficialmente 11 dias, interrompeu a distribuição de produtos e matérias-primas e esvaziou centros comerciais em diversas regiões do país.

Os índices setoriais divulgados até o momento apontam para um resultado ainda fraco. O Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio apontou para o setor de tecidos, vestuário, calçados e acessórios uma queda de 1,2% no primeiro semestre do ano. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no acumulado de janeiro a abril, o segmento apresentou queda de 3,1% em volume de vendas e alta de 0,8% em receita nominal.

No primeiro trimestre, a receita nominal do varejo de tecidos, vestuário e calçados avançou 0,7%, de acordo com o IBGE. No mesmo intervalo, as empresas de moda de capital aberto — Renner, Riachuelo, Cia. Hering, Marisa, Restoque, Arezzo, Grendene, Alpargatas e Vulcabras Azaleia — apresentaram um crescimento médio na receita de 6,4%.

Tradicionalmente, as companhias de capital aberto registram desempenho acima da média do mercado de moda. Mas, mesmo essas empresas relataram uma expectativa de perdas no segundo trimestre, relacionadas ao clima e à Copa do Mundo da Fifa.

No fim de maio, o presidente da Renner, José Galló, disse em entrevista ao Valor que os consumidores reduziram o ímpeto por compras em abril, por causa do clima mais quente que o normal. O executivo afirmou ainda que a companhia foi afetada pela greve dos caminhoneiros, mas não deu detalhes.

O presidente da Cia. Hering, Fabio Hering, comentou, também no fim de maio, que esperava uma recuperação irregular no mercado de moda ao longo do ano.

A Pernambucanas, concorrente de capital fechado, informou  que as vendas em abril e maio foram ruins. “A empresa vinha crescendo 9% no primeiro trimestre e fechou o semestre com alta de 6%, mas o segundo trimestre foi atrapalhado pela greve dos caminhoneiros”, afirmou ao Valor o presidente da empresa, Sergio Borriello, na sexta-feira. “O movimento de consumidores caiu muito nas lojas.”

De acordo com dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), as vendas diminuíram entre os dias 25 e 28 de maio. A queda foi de 28% no dia 27 de maio (domingo). O Índice Cielo de Varejo em Shoppings Centers (ICVS Abrasce), apontou alta de 2,6% da receita nominal de maio. A greve dos caminhoneiros arrefeceu a expansão de vendas esperada pelo setor para o primeiro semestre, mas não anulou a tendência de aumento.

Para o mês de julho, a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo (FCDLESP) estima vendas similares às registradas no ano passado. Segundo estudo da entidade, 38,76% dos lojistas do Estado acreditam que as vendas serão iguais às de julho de 2017. Já para 34%, a previsão é vender menos neste ano. A explicação, novamente, foi o clima mais quente que o normal na primeira semana de julho e a movimento menor devido à Copa do Mundo.

Edmundo Lima, da Abvtex, acrescentou que a liquidação de inverno, que começou no fim de junho, se dá sem uma disputa muito acirrada de preços entre as empresas do setor de moda. “O movimento nas lojas ainda está aquém do esperado para o período. Os consumidores estão receosos. A indefinição no ambiente político gera insegurança”, disse o executivo.

Lima ponderou que a chegada recente de uma frente fria na região Sudeste pode contribuir para uma melhora nas vendas na região. De toda forma, a maior expectativa agora recai sobre as vendas de fim de ano. “Se evoluir bem o cenário político e de câmbio, as varejistas de moda podem compensar parte das perdas do primeiro semestre”, afirmou Lima. “Mas se houver piora no quadro, isso poderá afetar os planos de investimentos das empresas para 2019, tornando ainda mais difícil a recuperação.”

Fonte: Valor Econômico