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Pernambucanas dobra rede de lojas no Rio e vai para Nordeste e Norte

Investimentos são estimados em R$ 200 milhões, valor 30% maior do que o de 2020; no Rio, plano é chegar a 60 unidades no fim de 2022

Por Adriana Mattos

A Pernambucanas, rede de moda e itens para casa, irá dobrar o volume de lojas a serem abertas no Rio de Janeiro, aumentando ainda mais a crescente disputa no mercado fluminense. Ainda deve acelerar as inaugurações no Norte e Nordeste, elevando, com isso, a projeção de número total de pontos da rede para o ano.

A varejista entrou nessas duas regiões em junho, com a abertura em Gurupi (TO), e em Salvador (BA), e planeja chegar a 15 lojas no Norte e no Nordeste até dezembro. No Rio, o plano é passar de 30 unidades para 60 até o fim de 2022. Na área financeira, a rede fechou acordo com a bandeira Elo, para o lançamento de um cartão múltiplo, com função de débito. As empresas são parceiras desde 2018.

A companhia elevou a projeção de inaugurações em 2021, de 42 unidades, para 50 – chegando a 462 pontos em dezembro. São estimados investimentos de R$ 200 milhões, cerca de 30% acima de 2020. De janeiro a julho, a Pernambucanas abriu 16 lojas.

Os desembolsos acontecem dentro de uma expectativa de retomada da demanda, diz o presidente Sergio Borriello. A ideia é ter mais lojas, de olho no período de demanda mais consistente. “No fim de 2020, na primeira fase de reabertura do comércio, houve uma corrida às lojas por um tempo. Hoje não há isso nessa mesma força, porque o consumo está maior, basicamente, nas datas comemorativas do comércio. No intervalo entre as datas, a demanda desacelera”, diz ele.

“Mas mantemos os planos de abertura porque estamos sentindo um tráfego maior, uma fidelidade do consumidor a certas redes neste ano. Nós temos a nossa própria financeira e não cortamos linhas de crédito e renegociamos acordos com o cliente na crise. O consumidor, quando começa a voltar a comprar, retorna para aquela loja que esteve com a porta aberta. Por isso acreditamos nesse retorno”.

A cadeia não abre os números, mas diz que as vendas “mesmas lojas” (pontos em operação há mais de 12 meses), no acumulado do ano, estão no mesmo patamar de 2019. Em relação a 2020, as vendas nas lojas físicas crescem, mas há o efeito da base de comparação fraca de 2020, já que o setor ficou boa parte do ano passado fechado.

O braço digital perdeu força em relação ao fim do ano passado, com a reabertura dos pontos. “O canal continua a se expandir, mas obviamente que [a ritmos] menores que o Natal ou mesmo março e abril”, afirma ele. A demanda por itens de moda e para casa, apesar de o digital ter ocupado terreno, ainda tem maior dependência da loja do que, por exemplo, o varejo de eletrônicos.

Para efeito de comparação, a Renner calcula de 20 a 30 inaugurações com a sua marca em 2021, e a Riachuelo, de 15 a 20 pontos.

No Rio de Janeiro, a competição anda avançando rápido neste ano. Semanas atrás, o Magazine Luiza anunciou a sua entrada na região, e a Via (dona de Casas Bahia e Ponto) reformou todas as lojas no Estado nos últimos meses. Essas cadeias acabam concorrendo com a Pernambucanas por causa do “marketplace” (shopping virtual, onde lojistas vendem diversos tipos de mercadorias).

Para este segundo semestre, um dos projetos da Pernambucanas está na troca da sua base de 5,6 milhões de cartões de crédito da Elo, para cartões múltiplos, com opção de depósito de recursos na conta do cartão, para que o usuário possa operar também como débito. O cartão nasce conectado a uma conta digital, com opção de usar recursos do “cash back” (o consumidor recebe um percentual do valor da compra de volta). Na modalidade crédito, as compras fora da rede serão realizadas apenas via QR Code, por meio de aplicativo.

No varejo, financeiras das grandes redes já oferecem cartões múltiplos com vantagens – e não faltam ofertas aos consumidores. Mas a Elo diz que neste produto, o cliente escolhe benefícios de um pacote de 30 opções que a já Elo tem. Isso inclui, por exemplo, acesso gratuito ao Deezer ou serviços para animais de estimação, como banho ou tosa.

“Hoje em dia, as pessoas têm um pacote de benefícios e nem sabem o que está lá. Queremos que ele escolha o que quiser. E com a ida da Pernambucanas a outras regiões, nós entramos juntos com eles em algumas cidades. Mesmo já estando naquele local, é um ponto de contato a mais”, diz Jacó Silva, diretor de desenvolvimento de negócios da Elo. A empresa tem 15% do mercado de cartões (em volume transacionado), diz ele.

Na decisão do lançamento, pesou a volta gradativa dos clientes às lojas. “A gente está saindo de uma crise com possibilidade de o cliente retomar gastos gradativamente. Vimos que era hora de lançar essa opção”, afirma Borriello.

Fonte: Valor Econômico