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Marketplace que conecta indústria e varejo espera transacionar R$ 360 milhões em 2022

Atualmente, a Souk Brasil tem como clientes 9 indústrias. A expectativa é encerrar o ano com 18 grandes indústrias totalmente integradas ao marketplace

Por Redação

A transformação digital que remodelou os hábitos de consumo alimentar, também redesenhou e criou canais disruptivos de comercialização. Fruto dessa mudança, a Souk Brasil, marketplace que conecta diretamente indústria e varejo, foi criada em 2018, com um investimento inicial de R$2 milhões de reais — entre desenvolvimento de software, aquisição de hardware e contratação de estrutura fixa. Para 2022, a empresa tem a expectativa de movimentar 30.000 toneladas, o equivalente a faturamento de R$ 360 milhões, transacionadas através de sua plataforma.

Em quatro anos de operação, o marketplace já soma 28.297 varejos cadastrados, 81.984 mil toneladas de volume transacionado, R$926.519 milhões em valor transacionado, 588.895 pedidos, 2.854.451 negociações (lances) e 1.228 SKU’s — códigos de identificação de um produto, ou seja, basicamente é o número de produtos diferentes que uma empresa trabalha

Atualmente, a Souk Brasil tem como clientes 9 indústrias: Seara, Vigor, Nestlé DPA, Tirolez, Trelac, Mondelez, Forno de Minas, PepsiCo e MassaX. A expectativa é encerrar o ano com 18 grandes indústrias totalmente integradas ao marketplace.

Em entrevista ao MilkPoint, Roberto Angelino, CEO da Souk Brasil, relembrou a trajetória da empresa, destacou os principais desafios do modelo de negócio, bem como traçou os diferenciais competitivos da Souk Brasil voltados para a indústria de lácteos. Confira a seguir:

Letícia Mostaro, do MilkPoint: como surgiu a ideia da Souk Brasil? Comente um pouco do processo de criação do negócio.

Roberto Angelino: a ideia da Souk foi conectar diretamente a indústria ao varejo, em tempo real, com a possibilidade de negociação entre as partes.

Incialmente, surgiu para rentabilizar o escoamento de produtos de validade curta em uma grande indústria de proteína animal, mas transcendeu amplamente este objetivo, firmando-se como um novo canal de distribuição.

Nossa proposta é promover o encontro entre oferta e demanda através da conexão direta entre indústrias e pequenos e médios varejistas, 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem intermediários e sem a necessidade da presença física de um vendedor.

Através de um aplicativo de smartphone, disponível para iOS e Android, os varejistas podem selecionar produtos com diferentes datas de validade e negociar preços diretamente com as indústrias, com resposta em até 15 minutos.

A indústria se beneficia por ampliar sua rentabilidade, aumentar distribuição numérica, intensificar a frequência de vendas e praticar um controle de preços em tempo real. Os milhares de varejistas usuários do marketplace se beneficiam por terem acesso a produtos de qualidade e com preços mais competitivos, ainda com a possibilidade de negociação adicional.

Letícia Mostaro, do MilkPoint: quais são os principais desafios dos marketplace’s voltados para o setor de alimentos?

Roberto Angelino: a transformação digital entrou de vez nos modelos de negócio para rentabilizar processos e melhor atender às necessidades dos clientes. Isso ficou muito aparente com o surgimento de empresas como AirBnB, Waze, Uber, Google, Facebook.

Nos últimos anos, as empresas da economia real começaram uma corrida para incorporar a transformação digital em seus modelos de negócios para resolver problemas tão antigos quanto atuais, como aumentar distribuição, reduzir custos e melhorar níveis de serviço.

No âmbito das indústrias do setor de alimentos, em um primeiro momento iniciou-se um movimento unilateral, onde cada uma, isoladamente, decidiu investir no desenvolvimento do seu próprio modelo de negócio digital, seja um e-commerce ou marketplace.

Entretanto, a grande maioria daqueles modelos próprios fracassou, já que se propunham a resolver problemas internos da própria indústria, que ao final acabavam por agregar custos à cadeia e que o varejo não se dispôs a arcar.

Ao longo do tempo os modelos agnósticos se provaram mais eficazes do que aqueles estampando as marcas das indústrias, pois, além de oferecer um mix de produtos muito mais abrangente, operam com maior agilidade, estrutura mais enxuta e sem o peso das operações físicas, permitindo, ao final, oferecer melhor preços ao cliente final.

Letícia Mostaro, do MilkPoint: quais os tipos de serviços oferecidos hoje pela empresa? Como funciona essa dinâmica?

Roberto Angelino: além da disponibilização da plataforma para negociação online, a Souk também oferece, sem custo adicional, todo um suporte para a ativação promocional da base de varejos, produzindo peças de publicidade para WhatsApp, SMS, E-mail Marketing, Redes Sociais e Landing Pages. Contamos também com uma estrutura de CRM de suporte ao aplicativo e um CRM ativo para ativação dos principais clientes. Por fim, oferecemos análises e relatórios de desempenho, com recomendações de preços baseados em hábitos de consumo na plataforma.

Letícia, do MilkPoint: como funciona a dinâmica que permite a ampliação do canal de distribuição e a conexão de pequenos e médios varejistas às indústrias?

Roberto Angelino: além de conectar a indústria diretamente ao pequeno e médio varejo, em tempo real, promovendo a rentabilização da operação, a Souk também disponibiliza aqueles clientes de sua base que ainda não são clientes das indústrias parceiras, o que permite um ganho imediato de distribuição numérica.

Letícia Mostaro, MilkPoint: grandes indústrias de lácteos (Vigor, Tirolez e Nestlé) já são parceiras do projeto. Como é essa parceria? Quais as vantagens competitivas oferecidas as empresas desse segmento? Quais são os resultados da adesão da Souk Brasil por essas empresas?

O modelo de parceria da Souk foi desenhado de modo a ser um ganha-ganha para todas as partes envolvidas. A nossa remuneração é 100% variável e é paga pela indústria através de um pequeno percentual sobre as transações realizadas pela plataforma. Para o varejo, o aplicativo é grátis e não há qualquer custo incorrido. Para as indústrias as vantagens estão relacionadas a: rentabilidade, velocidade nas negociações, utilização de dados e ampliação da distribuição.

Por não haver custos de estrutura fixa, o P&L (DRE) da operação Souk é o mais rentável em cada uma das indústrias.

Outro fator fundamental é a quebra da variável “tempo”, já que não é mais necessário relacioná-la com custos de atendimento. Ou seja, todo cliente pode negociar todo o portfólio a qualquer momento do dia, em qualquer lugar. O resultado é a ampliação do número de clientes, aumento da frequência de compra, aumento do número de itens por cliente e redução dos níveis de desconto para itens com data crítica.

Fonte: Milk Point