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Franquias buscam alternativas aos shoppings

Efeitos da pandemia fazem com que redes de franchising inaugurem unidades dentro de pet shops, clubes e parques

Por Flavia G Pinho

Durante a pandemia, franquias têm buscado reduzir a dependência dos shoppings e investir em pontos alternativos. Os centros de compras ainda abrigam 20,6% das lojas, mas esse número caiu 8% em relação a 2020, de acordo com a ABF (Associação Brasileira de Franchising).

A queda no total de visitantes dos shoppings foi de 32% no primeiro ano de pandemia, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers.

A maioria deles concedeu descontos em aluguéis e taxas entre março e agosto de 2020, mas voltou a cobrá-los integralmente a partir de setembro —mesmo nas fases de maior restrição.

Lojistas sem atuação na internet, que dependiam exclusivamente do grande fluxo de pessoas para faturar, foram os que mais sentiram o baque.

É o caso da Nutty Bavarian, especializada em castanhas e outras frutas secas caramelizadas, fundada há 25 anos.

Seus quiosques sempre estiveram posicionados em locais de grande circulação, como diante das salas de cinema. Mas, desde que os corredores ficaram vazios, a fundadora, Adriana Auriemo, 45, passou a buscar alternativas.

Em 2020, ela vendeu as primeiras franquias de rua, que incluem serviço de café, além de quiosques dentro de megalojas, como Telhanorte, Vestcasa e Petz. Segundo a empresária, o fluxo de consumidores nesses pontos não chega a superar o dos centros comerciais, mas a rentabilidade deles pode ser maior.

“Como os carrinhos podem mudar de lugar, estamos estimulando os franqueados a procurar locais onde o aluguel é mais barato, para que eles possam lucrar mais.”

O cálculo da viabilidade de cada ponto também mudou. Nos shoppings e locais de grande circulação, como aeroportos e rodoviárias, a informação mais relevante sempre foi a contagem de fluxo em uma área específica —perto do cinema ou da escada rolante, por exemplo. Agora, a marca considera todo o potencial do entorno, já que passou a fazer entregas por aplicativos de delivery.

Um dos carrinhos foi colocado em caráter experimental dentro do Mercadão das Flores da Ceagesp, em São Paulo, para atender também o bairro da Vila Leopoldina. “Deu certo e, agora, estamos à procura de um franqueado”, diz ela.

Outro foi instalado, em novembro, dentro do Parque Ibirapuera. Funciona de segunda a domingo, das 8h às 18h. Nos sábados, dias de movimento mais intenso, são atendidos até 70 clientes. A unidade deve continuar pertencendo à franqueadora e será usada para ações promocionais.

Outra rede que está testando pontos físicos alternativos é o Buddha Spa. A empresa, fundada em 2001, tem 43 unidades em diferentes locais, como hotéis e academias.

Há cinco anos chegou aos shoppings, onde ficam dez franquias. “Em função do grande fluxo, elas passaram a ser as de maior crescimento em faturamento”, conta o fundador, Gustavo Albanesi, 40.

Mas a pandemia o fez olhar para outra direção. Sua aposta agora são as unidades dentro de clubes. A primeira, com a inauguração prevista para os próximos dias, fica no Clube Paulistano, em São Paulo.

Com 710 m², terá 12 salas para massagens e outros tratamentos, além de sauna. A empresária Gilsa dos Santos, 39, que já tinha outras três unidades do Buddha Spa, investiu R$ 250 mil na nova franquia.

No clube, os preços serão menores do que os praticados pela rede —uma sessão de shiatsu, por exemplo, custará R$ 144 (R$ 188 nas outras unidades). “O custo operacional vai ser mais baixo, porque o aluguel é mais barato e a conta de energia, dividida com o clube”, diz a empresária.

Albanesi afirma que não pretende tirar o Buddha Spa dos shoppings, mas que os clubes se tornaram prioridade neste momento.

Na opinião de Adriano Augusto Campos, consultor do Sebrae-SP, a decisão de sair dos shoppings deve ser bem pensada, já que eles são campeões nos quesitos visibilidade e conveniência.

Em compensação, os centros comerciais impõem regras mais rígidas em relação a horários, comunicação visual e promoções de abordagem.

Por isso, o empreendedor não deve fechar os olhos a novas oportunidades, diz Campos. “Existe vida fora dos shoppings, e a pandemia obrigou o consumidor a enxergar outros espaços urbanos, o que é ótimo.”

Fonte: Folha de S. Paulo