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Domino’s Pizza desacelera abertura de lojas

Depois de abrir 23 lojas no primeiro semestre, a rede de “fast food” Domino’s Pizza Brasil vai desacelerar o ritmo de novas unidades nos próximos meses e focar na inauguração de lojas que ofereçam experiências diferentes de atendimento, como “drive thru” e unidades menores com autoatendimento (totens).

Daqui até o fim do ano, a rede inaugura cinco lojas, sendo duas com “drive thru” – em Mauá (outubro) e Guarujá (dezembro). A intenção é que os novos modelos sejam adotados num futuro ciclo de expansão em 2021, quando pretende inaugurar de 40 a 50 lojas, sendo 28 unidades próprias, com investimento de R$ 21 milhões.

Esse novo ciclo da rede será comandado por Fernando Soares, ex-vice-presidente da AB InBev no México e que assumiu a presidência da Domino’s no Brasil em junho deste ano, em meio à pandemia de covid-19. Ele substituiu Carlos Eduardo Martins, que retorna ao private equity da Vinci Partners, gestora que comprou a rede em 2018.

Martins explica que a rede reduziu o ritmo de inaugurações para esperar oportunidades. “Percebemos que não fazia sentido assinar contratos de lojas, de cinco a dez anos, sabemos que empresas vão fechar nos próximos meses por causa da pandemia e que conseguiremos lugares até melhores, com preços mais baixos”, disse ele.

Durante pandemia, a rede manteve o nível de faturamento graças ao seu conhecimento de delivery. Das 300 lojas, apenas 25 foram temporariamente fechadas – unidades sem entrega, como de aeroportos. As vendas por meio digital passaram de 30% para 56%. A rede inaugurou 23 lojas no semestre, parte com salões fechados e focada em entregas.

Isso foi possível também porque a marca mergulhou em um processo de transformação digital no ano passado. Investiu, por exemplo, na implantação de sistemas da Domino’s internacional. Foi criado um novo app e as vendas pelo WhatsApp foram iniciadas, com um assistente virtual.

“As vendas presenciais em lojas passaram a representar 6% a 8% do faturamento na pandemia, basicamente com retiradas de balcão. Essas vendas estão atualmente em 12% a 13% ”, disse Soares. “Isso foi compensado porque o nosso ticket médio on-line é 15% maior do que a média da companhia.”

A chegada de Soares traz outro momento à Domino’s. A ideia agora é investir ainda mais em tecnologia para melhorar a experiência do consumidor e elevar a produtividade das lojas. O executivo cita maior controle de custos, uma nova plataforma de call center e de rastreamento de pedidos.

“Nossos entregadores, que chamamos de especialistas e que são treinados por nós, por um aplicativo novo, passam a prestar serviços para lojas vizinhas, melhorando tempo de entrega. Isso com um ‘tracking’ [rastreamento] para saber o caminho que fez, se fez o caminho sugerido”, explica Soares.

Os movimentos fazem parte do plano de investir R$ 250 milhões até 2025 em expansão e tecnologia.

Nos últimos dois anos, a Domino’s já se expandiu em ritmo recorde. Abriu 100 lojas, atingindo 300. As unidades próprias foram multiplicadas de 7 para 84. A operação foi top 5 da marca no mundo em novas lojas, atrás da China e Índia. A receita foi de R$ 450 milhões em 2019, 22,7% ante o ano anterior.

“Quando fizemos o investimento na Domino’s, a expectativa era fazer essa primeira fase de expansão da rede. Então, meu papel era um tiro com prazo para acabar”, disse Martins, que selecionou seu sucessor. “Nunca imaginei contratar o executivo de uma empresa do porte da rede sem apertar a mão do candidato. Mas funcionou”.

A transição de cargo foi iniciada em junho, com Soares ainda no México. Por causa das medidas de isolamento social, o novo presidente fez até aqui 70% das reuniões de maneira virtual. O trabalho presencial se resume a reuniões com franqueados e visitas a lojas para conhecer mais de perto os processos da operação.

Fonte: Valor Econômico