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Calçadistas veem mercado interno melhor

Faturamento da Grendene no país no segundo trimestre cresceu 49% e da Alpargatas, 19%

Por Raquel Brandão

Depois de trimestres com a venda externa sendo a principal alavanca de receitas das fabricantes de calçados, o mercado interno começa a dar sinais de demanda mais robusta, mesmo com ambiente inflacionário ainda desafiando o consumo.

Dona da Ipanema, Melissa e Rider, a Grendene faturou 49% mais no Brasil no segundo trimestre, ante o mesmo período de 2021, com o volume subindo 32%.

“Nosso primeiro trimestre tinha vindo um pouco abaixo do esperado, mas tínhamos sinalizado que esperávamos um segundo trimestre forte e isso se concretizou. Mercado interno foi o que mais nos puxou agora, com retomada forte do varejo e injeção de recursos na economia”, diz o diretor de relações com investidores, Alceu Albuquerque, citando o saque de FGTS, o Auxílio Brasil e o adiantamento do décimo terceiro salário dos aposentados.

Já a Alpargatas, dona da Havaianas, ainda registrou queda de 2% nos volumes, mas em menor intensidade do que no primeiro trimestre, quando foram 4% a menos de pares vendidos.

O presidente da Alpargatas, Roberto Funari, diz que o desempenho do Brasil foi “destaque fora da curva”. A receita local cresceu 19%, para R$ 616,5 milhões, com a receita por par crescendo 21%, para R$ 13,4. Desse avanço de receita por par, o preço cresceu 14% e mix, 7%. Com isso, a margem bruta chegou a 40%, dois pontos percentuais a mais do que um ano antes.

“Crescemos nosso ‘market share’ em volume e em valor. Crescemos em canais que temos participação abaixo da nossa média”, afirma Funari, citando aumento de participação no mercado paulista e em lojas especializadas em calçados.

A receita líquida consolidada da Alpargatas cresceu 1,9%, para R$ 1,05 bilhão, enquanto o lucro líquido atribuído aos sócios recuou 40% sobre o mesmo período do ano anterior, para R$ 64,2 milhões. Se excluídos os efeitos da aquisição de 49,9% da Rothy’s, o lucro líquido seria de R$ 114 milhões, uma queda de 6,4% na base anual.

A operação internacional da Havaianas teve queda de 5,4% em volume e 16% em receita, para R$ 433,4 milhões. A principal pressão veio dos Estados Unidos, por conta da transição do modelo de venda no site da Amazon (antes os produtos eram vendidos diretamente pela Amazon e agora um terceiro faz a gestão do portfólio na plataforma), e da China, ainda sob efeito dos lockdowns. Na Europa, o volume ficou estável.

Já a Grendene teve um trimestre de crescimento de volumes no Brasil e no exterior. O lucro líquido saltou 98%, para R$ 65,7 milhões, enquanto a receita cresceu 44,5%, somando R$ 517,2 milhões. O volume total avançou 34,9%, para 31,7 milhões de pares, sendo um avanço de 45% nos calçados vendidos para exportação.

No mercado doméstico, a receita bruta por par da Grendene cresceu 13%, para R$ 20,48. Esse crescimento anual reflete o reajuste de preços feito em janeiro, mas, também, uma melhora de mix dos produtos vendidos, o que foi impulsionado pela maior participação das lojas especializadas em calçados nas vendas. “Linha feminino e kids tiveram excelente desempenho. E Melissa cresceu 57% no período”, diz Albuquerque.

Embora tenha revisado preços em janeiro, a empresa optou por “evitar ao máximo os reajustes” para não reduzir volumes, diz o executivo. “Sabemos que no curto prazo a margem sofre, mas como volume é um grande ‘drive’ de margem para a Grandene optamos por fazer o menor reajuste possível para evitar uma demanda menor.” Grande parte do portfólio é para as classes C, D e E, que está com renda mais pressionada. Desde o início da pandemia, a Grendene fez três reajustes.

Na semana passada, a Vulcabras, fabricante da Olympikus, Under Armour e Mizuno, informou um salto de 27% em pares vendidos e um avanço de 60,5% na receita no país, para R$ 586 milhões.

As vendas da Piccadilly, fabricante de calçados femininos de capital fechado, cresceram 130% em volume, para 3,3 milhões de pares no primeiro semestre, e o faturamento atingiu R$ 200 milhões. A empresa não divulga o lucro da operação. “O crescimento que temos obtido tem sido nos mercados interno e externo. Temos conseguido uma melhora de mix de produtos e preço médio”, conta a presidente, Cristine Grings.

O maior desafio para a indústria, no entanto, segue na linha de custos. De acordo com Funari, no segundo trimestre os custos se estabilizaram, mas em patamar alto, e a companhia não considera mudanças significativas à frente. A visão é compartilhada por Grings.

Já a Grendene vê um alívio no horizonte. Albuquerque diz que o composto de PVC, que representa 50% dos custos do produto, caiu 13% no ano, embora ainda não tenha sido suficiente para compensar a alta acumulada desde 2020. “Como o volume continua bastante forte e nosso custo vem apresentando queda, há um movimento de recuperação de margem a partir do terceiro trimestre.”

Fonte: Valor Econômico