03/09/2015 às 05h00
Por João José Oliveira | De São Paulo
A Positivo Informática, maior fabricante de computadores do país, lançou ontem a marca de smartphones Quantum, que será usada em uma nova plataforma de vendas, totalmente online, dentro da estratégia da companhia de diversificar as fontes de receita e depender menos do estagnado mercado de computadores pessoais (PCs). A plataforma de negócio com o Quantum começa com três modelos de smartphones, mas poderá ser ampliada. “Não temos nada definido, mas esse canal pode ser usado para outros produtos porque o diferencial aqui é o modelo de negócio, totalmente online”, disse o presidente da Positivo, Hélio Rotenberg. Com toda operação comercial online, a empresa planeja entrar na disputa do segmento de smartphones mais sofisticados com produtos custando menos de R$ 900,00. “Os custos serão menores porque haverá menor intermediação”, disse o diretor geral do Quantum, Marcelo Reis, um dos três empreendedores ao lado de Thiago Miashiro e Vinicius Grein que levaram o projeto à mesa do presidente da Positivo. “O Quantum responde a uma questão parecida com a que tivemos com a Vaio “, disse Rotenberg, referindose ao acordo, anunciado em 18 de agosto, por meio do qual a Positivo assumiu a fabricação e distribuição, no Brasil, dos notebooks Vaio. “A marca Positivo vai extremamente bem na classe média brasileira. A gente atende muito bem a faixa de produtos até R$ 2 mil. Mas faltavam opções de produtos acima disso”, disse ele. Com a diversificação por tipos de produtos e faixas de preços, o plano da Positivo é driblar o impacto da crise que tem batido de maneira mais forte justamente no negócio de tem mais peso no balanço da companhia, o de computadores pessoais (PCs). No último trimestre, por exemplo, enquanto as vendas dos PCs da Positivo tiveram retração de 28,6% em volume, as de celulares cresceram 463,5%. A fabricante paranaense acabou tendo entre abril e junho uma queda de 22% na receita líquida total, para R$ 452,1 milhões. E o que era um lucro líquido, de R$ 3,3 milhões no segundo trimestre de 2014, virou prejuízo de R$ 39,6 milhões, entre abril e junho deste ano. “Esses novos negócios [Quantum e Vaio] vêm em boa hora porque quando estamos numa crise podemos buscar outras fontes de recursos”, disse Rotenberg. A retração do consumo no Brasil também afeta o segmento de celulares a venda desses produtos no país caiu 17% no primeiro semestre, para 27,4 milhões de unidades, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica. O recuo é puxado, no entanto, pelos aparelhos mais simples, sem conexão com a internet. Enquanto a venda de celulares convencionais caiu 78% de janeiro a junho, os smartphones apresentaram crescimento de 8%. Rotenberg vê potencial significativo de expansão nesse segmento. Ele lembra que o Brasil é o quarto maior mercado mundial de celulares, mas os smartphones ainda representam uma parcela pequena no total de aparelhos em uso no país, de 29%, ante 40% no México e 49% nos Estados Unidos.
Valor Econômico – SP