02/07/2015
Mariana Pitasse
Segundo SPC Brasil, 53% dos entrevistados compraram por impulso nos últimos três meses
Mesmo com os altos índices de endividamento e inadimplência, o brasileiro não parou de consumir.
Segundo um levantamento nacional do Serviço de Proteção ao Crédito (SPCBrasil) e do portal de educação financeira Meu Bolso Feliz, mais da metade dos consumidores, o equivalente a 53%, admitem ter realizado pelo menos uma compra por impulso nos últimos três meses.
Quando perguntados sobre os produtos que menos resistiram e acabaram comprando mesmo sem haver necessidade, o item mais citado são as roupas, somando 24%, seguidos pelos calçados, com 12%, CDs e DVDs, com 7%, smartphones, com 7%, e livros, atingindo 6%.
Já entre as motivações que mais levam os consumidores a fazer uma compra sem planejamento prévio, o levantamento aponta que a principal delas é a promoção, atingindo 51% dos casos.
Também foram mencionados outros estímulos como a atratividade do preço, com 31%, as características do produto, como funcionalidade e beleza (6%) e a facilidade de pagamento (4%).
Para os economistas do SPC Brasil, as compras por impulso são um dos principais responsáveis pela falta de controle orçamentário e um impeditivo para que os consumidores tenham uma reserva financeira para lidar com imprevistos.
Um dos problemas associados ao comportamento impulsivo é o risco de endividamento em excesso. Quando as dívidas vão se acumulando e comprometem o dinheiro destinado aos gastos imprescindíveis, como despesas da casa e contas de primeira necessidade, é hora de o consumidor procurar ajuda para regularizar os atrasos porque ele pode cair na inadimplência, afirma o educador financeiro do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli.
Os locais em que as compras impulsivas mais ocorrem são os supermercados, em 30% dos casos, seguido por shopping centers, com 20%, e as lojas virtuais, com 17%.
Atualmente, os supermercados oferecem em suas gôndolas produtos que vão além dos itens básicos como alimentação, higiene e limpeza da casa. As grandes redes de supermercados investem cada vez mais para despertar o desejo de consumo, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
O estudo mostra ainda que na visão dos consumidores entrevistados, as lojas de departamento, com 28%, e os sites na internet, com 22%, são as que mais facilitam o acesso ao crédito, estimulando, consequentemente, as compras de itens não considerados tão necessários.
Brasil Econômico – SP