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Carlyle capta fundo de R$ 700 milhões para investir em empresas

09/03/2015 ­ 05:00

Por Vinícius Pinheiro

A gestora americana Carlyle fechou a captação de R$ 700 milhões para um fundo local de private equity, que investe na compra de participações em empresas. O valor ficou abaixo da pretensão inicial, que era levantar R$ 1 bilhão, segundo fontes de mercado. Procurado, o grupo Carlyle informou que não comentaria o assunto. O fundo, captado em parceria com o Banco do Brasil, é o segundo do Carlyle no mercado local, e tem como principais investidores fundos de pensão nacionais. Os recursos do primeiro fundo, de 2011 e com R$ 360 milhões em patrimônio, já foram totalmente investidos. Com o novo portfólio, o Carlyle aumenta o poder de fogo para aquisições no país. Os recursos locais se somam aos do veículo de investimento de US$ 800 milhões que a firma possui no exterior com foco em negócios na América do Sul e que ainda conta com metade do capital para aplicar. A gestora tem avaliado uma série de ativos e está atualmente em negociações exclusivas para fechar um investimento na Rede D’Or, maior grupo hospitalar do país, conforme apurou o Valor.

Desde que chegou ao Brasil, em 2009, o Carlyle fechou US$ 1,6 bilhão em investimentos na compra de participações em empresas. Depois de um começo agressivo e com uma aposta no setor de consumo, diante da perspectiva de aumento de renda da população, a gestora pisou no freio e não realiza um novo negócio no país desde 2012. Em evento no Rio na semana passada, Fernando Borges, corresponsável pelo escritório do Carlyle no Brasil, afirmou que as oportunidades de negócio melhoraram para os fundos de private equity. “Existem mais companhias de boa qualidade dispostas a negociar, mas os ativos infelizmente não estão baratos”, disse o executivo. Entre as empresas que compõem atualmente o portfólio do fundo está a varejista de brinquedos Ri Happy e a loja de móveis e decoração Tok&Stok. A gestora já se desfez, com lucro, de parte das ações da CVC na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da rede de agências de viagens, em 2013, e a participação na corretora e administradora de planos de saúde Qualicorp, também em bolsa. Por outro lado, enfrenta problemas com a fabricante de meias Scalina, dona da marca Trifil, que apresenta prejuízo desde 2010 e teve duas trocas de presidente nos últimos dois anos. R$ 619,00 R$ 349,00 R$ 63,52 R$ 299,00 Mais By dealplyA captação do fundo do Carlyle ocorre em um momento difícil para a economia brasileira e de forte volatilidade nos mercados. Mas para os gestores de private equity, que têm como objetivo adquirir participações em empresas para vendê­las com lucro no futuro, o ciclo de baixa pode representar uma oportunidade de investimento em melhores condições. No ano passado, os fundos de private equity captaram um recorde de US$ 10,4 bilhões para investimentos em empresas na América Latina, de acordo com dados da Lavca, associação que representa o setor na região.

Pouco mais da metade dos recursos, ou US$ 5,56 bilhões, veio de fundos dedicados a investimentos no Brasil, incluindo os do Pátria Investimentos, que em julho levantou US$ 1,8 bilhão, e da Gávea Investimentos, que obteve US$ 1,1 bilhão para seu quinto portfólio de private equity. Com um fundo local, o Carlyle consegue reduzir o impacto da variação cambial, que corroeu parte do retorno obtido pelos gestores nos investimentos realizados nos anos anteriores. Os principais gestores com atuação no país captam a maior parte dos recursos no exterior e precisam entregar rentabilidade em dólar. As fundações brasileiras, que seriam naturais investidoras de private equity, impõem a participação no comitê de investimento dos fundos, prática que não é aceita por muitas gestoras. Embora tenha contado com pouca concorrência de outros fundos pelo bolso das fundações, o Carlyle teve de enfrentar a “competição” do governo na captação, segundo um investidor, que pediu para não ser identificado. “Com a NTN­B [título público corrigido pela inflação] pagando acima de 6% ao ano em termos reais, não há muito incentivo para os fundos de pensão tomarem risco”, afirma a fonte.

Valor Econômico – SP