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Kátia Abreu diz que dobrar classe média rural é prioridade

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB­TO), declarou ontem em discurso de posse no cargo, que a presidente Dilma Rousseff apontou como determinação expressa para os próximos quatro anos dobrar a classe média rural do país, responsável por apenas 15% da renda gerada pelo campo hoje. A ministra também elencou como prioridades da Pasta encontrar uma solução para o setor sucroalcooleiro e definir políticas de desenvolvimento para a região do Mapitoba (confluência entre Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia). Ela relembrou que reforma agrária não é um assunto da alçada de sua Pasta, mas ponderou que o ministério será de “todos os produtores rurais, sem nenhuma espécie de divisão ou segregação”. Ministra da cota pessoal de Dilma, mas filiada ao PMDB, Kátia fez questão de agradecer à presidente por sua nomeação e “pelo entusiasmo com o setor”. Dezesseis ministros compareceram à posse. “Em apenas poucas horas de diálogo como presidente da CNA, percebi seu entusiasmo e apoio incondicional a demandas do setor”, disse. Em um discurso de pouco mais de 20 minutos, Kátia enumerou várias medidas que pretende tomar em sua gestão. Disse que a presidente lhe pediu obstinação para dobrar a classe média rural nos próximos anos e que o fará permitindo acesso à extensão rural e à assistência técnica e com políticas de incentivo a pesquisa e aquisição de tecnologias. “Nós mapearemos os 558 territórios através das microrregiões de cada Estado utilizando uma rede intensiva de extensão rural e assistência técnica e uma rede com as nossas universidades de ciências agrárias para ir de porteira em porteira atrás dessas pessoas buscando e levando uma revolução em tecnologia”, afirmou. A ministra também indicou que o governo deve debater com a indústria de etanol medidas em conjunto com os ministérios da Agricultura, Fazenda e Planejamento para solucionar a crise do setor. Para ela, encontrar uma saída para a crise das usinas “é prioridade total” e “não tem uma receita única”. Kátia deve fazer reuniões com entidades de classe e empresas do agronegócio durante este mês. A intenção, disse, é receber propostas e críticas dos mais variados subsetores como carnes, café e frutas, em torno de uma agenda estratégica para o Ministério. “Vamos construir um consenso em torno de um macroprojeto que o Ministério deverá fazer, que valerá para os próximos 20 anos, numa participação de todos”. Diante da seca em várias regiões do país, outro plano da nova ministra da Agricultura é elaborar junto com outros ministérios um plano para dobrar a área irrigada do país nos próximos anos. “O Brasil tem cerca de 30 milhões de hectares já disponíveis para irrigação, mas apenas cinco milhões irrigadas. Estamos falando de só 17% do nosso potencial, e a irrigação bem feita pode dobrar a produção de uma mesma área”, disse. A ministra, que é senadora e presidente licenciada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), afirmou ainda que a redução do crescimento nos países desenvolvidos poderá limitar a participação do Brasil nesses mercado e limitar o preço dos produtos agrícolas, mas que é preciso disposição para correr mais riscos em acordos e parcerias. Ela ressaltou ainda como principais gargalos do país a serem enfrentados por sua Pasta a morosidade de registro de agrotóxicos e o desafio de adequar a política de crédito rural a especificidades regionais. Disse, sem dar detalhes, que pretende trabalhar para resolvê­los, e que é preciso construir mais hidrovias e ferrovias para escoar a produção. Kátia Abreu também prometeu “controle rigoroso e avaliação” dos programas do ministério, com a ocupação de postos importantes por quadros técnicos e a criação de uma escola “do profissional da agricultura e pecuária”, com cursos técnicos para servidores da Pasta. A pemedebista também agradeceu o apoio do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB­AL), e do vice­presidente Michel Temer (PMDB), que não estavam presentes, por sua nomeação. Kátia é neófita no partido e seu nome para o Ministério enfrentou resistência de uma ala de parlamentares da sigla.

Valor Econômico – SP