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Salário do brasileiro cresce 8% ao ano

12/11/2014 20h07

A folha de salários dos empregados com carteira assinada do Brasil movimentou um total de R$ 85 bilhões no mês de agosto. Isso corresponde a um valor de R$ 1,1 trilhão ao ano, já incluindo o 13º salário no cálculo. Entre janeiro de 2003 – o primeiro mês do governo Lula — e agosto de 2014, a folha de salários avançou 142% acima da inflação. “É um resultado impressionante que representa um crescimento real de 7,9% ao ano”, afirma Hélio Zylberstajn, coordenador do Projeto Salários, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da faculdade de economia da Universidade de São Paulo (USP).

A notícia pouco animadora é a de que os dados mais recentes mostram que esse movimento de alta está perdendo fôlego. Segundo Zylberstajn, os números robustos foram frutos da alta dos preços de commodities, que deu um grande impulso às exportações brasileiras, aliados à política de valorização do salário mínimo e da formalização do emprego. Ou seja, do crescimento do trabalho com carteira assinada e da queda da informalidade. “Agora o que se vê é uma economia perdendo o fôlego, especialmente na indústria, o que explica a curva de crescimento de salários embicando para baixo”, afirma o professor.
O Projeto Salários também compila milhares de dados sobre negociações salariais em todo o Brasil. A ferramenta apontou que, apesar da economia em marcha lenta, os trabalhadores têm conseguido aumentos salariais acima da inflação. Segundo a ferramenta, o reajuste médio de setembro ficou em 7,7%. Isso representa um aumento real – já descontada a inflação – de 1,4%. Na análise por regiões brasileiras, o nordeste foi o local das melhores negociações. Lá o aumento médio foi de 8%. Na avaliação por setores de atividade econômica, o setor da construção civil lidera, com um reajuste médio de 8,3% (mais detalhes no gráfico acima). O resultado chama a atenção porque quem costuma obter os melhores aumentos salariais são os trabalhadores da indústria. “Mas como esse setor está patinando, foi ultrapassado pelo da construção civil”, diz Zylberstajn.

O Projeto Salários demorou dois anos para ficar pronto e agora será atualizado mensalmente com dados sobre negociações salariais, pagamento de participação nos lucros e resultados e salário médio de admissão dos trabalhadores. Esse último dado pode ser destrinchado por gênero, tipo de atividade e local de trabalho (estado e município).

Revista Época Negócios on-line – SP