Twitter Facebook Linkedin
Home » Notícias » Varejo de moda eleva ganhos com digitalização

Varejo de moda eleva ganhos com digitalização

Grandes varejistas brasileiras de moda, que entraram mais tarde no comércio eletrônico, investem na digitalização das áreas de serviços financeiros, na distribuição e na integração entre lojas físicas e a operação on-line. Parte desses esforços, segundo as companhias, começam a dar resultados.

Os resultados mais visíveis estão na área de serviços financeiros. A Renner, maior varejista de vestuário em receita, segundo a Euromonitor International, com 6,3% de participação, digitalizou a área de cartões em 2017, reduzindo o tempo de emissão dos cartões da loja de 30 minutos para 7 minutos. Laurence Gomes, diretor financeiro e de relações com investidores da Renner, disse que a produtividade por metro quadrado nas lojas aumentou 30% após a mudança. Isso significa mais vendas, economia de custo e ganho de tempo. O vendedor, que antes gastava tempo preenchendo cadastro, ficou liberado para vender.

Há três meses, a Renner também criou um portal, onde o cliente inadimplente pode fazer uma proposta de pagamento da fatura. A opção é avaliada e aprovada on-line. Se não houver acordo, o aplicativo indica um horário para um operador ligar e concluir a negociação. “Houve aumento de 30% no número de acordos fechados, com a adoção da ferramenta. Além disso, 90% dos acordos foram cumpridos, acima da média do mercado, de 75%”, disse Gomes.

De acordo com Gomes, as melhorias na área ajudaram a Renner a fechar o primeiro trimestre com aumento de 30% no resultado de produtos financeiros, chegando a R$ 102,8 milhões. As vendas com cartões da loja representaram 42,9% da receita da companhia. O total de cartões emitidos somavam 29,2 milhões.

A Riachuelo, terceira maior varejista de moda, com 4,8% do mercado, integrou os processos de avaliação de risco e emissão de cartões, reduzindo o tempo de aprovação de meia hora para sete segundos, afirmou Paulo Farroco, diretor de tecnologia da Riachuelo.

No primeiro trimestre, as vendas com cartão da Riachuelo avançaram 11,7%, para R$ 291,2 milhões, e representaram 44,2% das vendas totais da varejista. A base de cartões chegou a 29,8 milhões de unidades. A companhia desenvolve funções em seu aplicativo financeiro, para permitir a abertura de novos cartões e simulação de concessão de empréstimos.

A Marisa, quarta maior varejista de moda, com 2,1% do mercado, informou que reduziu gastos ao enviar por e-mail as faturas dos cartões da loja. Mas não houve avanços na digitalização do processo de emissão do cartão. No primeiro trimestre, as vendas da Marisa com cartão recuaram 9,4%, para R$ 84,6 milhões. As vendas com cartão da loja responderam por 36,8% do total.

A Pernambucanas, por sua vez, digitalizou há um ano e meio o processo de emissão do cartão da loja, reduzindo o tempo de emissão de 30 minutos para 7 minutos. Sergio Borriello, presidente da Pernambucanas, disse que adotou o mesmo processo neste ano com os cartões da loja com bandeira Elo.

Em 2017, a Pernambucanas emitiu 1,1 milhão de cartões, ampliando a base para 5,2 milhões de cartões ativos. Cerca de 380 mil foram emitidos com a bandeira Elo. As vendas on-line da Pernambucanas somaram R$ 10 milhões em 2017. Para este ano, a previsão é chegar a R$ 100 milhões. No primeiro semestre, as vendas atingiram R$ 40 milhões.

A C&A, segunda maior empresa do setor com 5,1% de participação, informou que investe na digitalização de cartões, mas não chegou a um processo 100% digital. A companhia não divulga dados sobre o desempenho da área de serviços financeiros.

Embora tenham faturamentos bilionários nas lojas físicas, as grandes varejistas de moda ainda são irrelevantes no comércio eletrônico. Segundo a Euromonitor International, no varejo on-line, a Netshoes lidera a área, com 35,6% de participação, seguida por Mercado Livre, com 20,5%, e Dafiti (da Global Fashion Group), com 17%.

O comércio eletrônico de moda movimentou R$ 1,34 bilhão no Brasil em 2017, segundo a consultoria Ebit, o que equivale a 0,7% das vendas totais do setor. “As empresas puramente digitais saíram na frente na competição on-line. As grandes varejistas entraram mais tarde na concorrência. E agora são pressionadas pelos consumidores a fazer a oferta multicanal”, afirmou Pedro Guasti, diretor de relações institucionais da Ebit.

De fato, a integração entre lojas físicas e comércio eletrônico tem sido alvo de investimentos das cinco varejistas.

A Renner implantou a opção de comprar on-line e retirar o produto na loja neste ano. Ronaldo Magalhães, gerente-geral de comércio eletrônico da Renner, disse que 80 dos 330 pontos de venda estão integrados com o site e a meta é chegar a 100 unidades até o fim do ano. “Provavelmente vamos superar a meta neste ano”, disse Magalhães. A Renner não divulga quanto as vendas on-line representam da receita total, mas informa que elas crescem quatro vezes mais que o mercado, que avança neste ano em torno de 15%.

A C&A, que lançou sua loja virtual em 2015, implantou a opção de retirada em loja em todas as suas 277 unidades. “O próximo passo será usar o próprio estoque das lojas. Isso vai reduzir o prazo de entrega para menos de 24 horas”, disse Paulo Corrêa, presidente da C&A. A C&A também testa, em 35 lojas, um provador inteligente, que permite ao vendedor oferecer mais opções ao cliente, com base nas peças levadas inicialmente.

A Riachuelo, que lançou o seu comércio eletrônico em 2017, oferece a opção de comprar on-line e retirar na loja em 100 das suas 302 unidades. Farroco disse que pretende integrar todas as lojas até o fim do ano. Sem citar números, ele afirmou que as vendas on-line ganham representatividade.

A Marisa, com site desde 1999, começou no primeiro trimestre deste ano a testar a opção de comprar on-line e retirar em loja. Marcelo Pimentel, vice-presidente de operações da Marisa, prevê implantar o serviço até o último trimestre deste ano. “Também estamos trabalhando para ter parceiros de ‘marketplace’ (shopping virtual) até o fim do ano.”

Na área de logística, a Marisa está automatizando a reposição de estoques nas lojas. Pimentel disse que o processo foi implantado em 30 das 387 lojas. Sem citar números, Pimentel disse que as vendas on-line da Marisa crescem “duplo dígito” neste ano.

Fonte: Valor Econômico