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Cultura faz acordo com Mercado Livre e B2W

Poucas semanas após fazer um acordo com a Saraiva, o Mercado Livre, empresa de comércio eletrônico, fechou contrato com a Livraria Cultura, que começou a disponibilizar parte de seu acervo no site da empresa. É uma tentativa de a companhia de venda on-line ocupar mais terreno, especialmente no segmento de lojas oficiais, com tíquetes médios mais altos, num momento em que a disputa por espaço no “marketplace” acirrou-se de forma acelerada.

Controlada pelas Lojas Americanas, a rival B2W (Submarino, Shoptime, Americanas.com) também abriu negociações com a Cultura e fechou acordo com a varejista na semana passada. A B2W deu uma guinada em sua estratégia e avança sobre o “marketplace” nos últimos meses, costurando contratos com varejistas, com espaço para negociação de condições, apurou o Valor. A B2W Digital informa que fechou acordo com a Livraria Cultura para disponibilizar todo o seu sortimento de livros nos marketplaces dos sites Americanas.com, Submarino e Shoptime e na fase inicial são 150 mil itens.

Esse negócio on-line consiste no uso dos sites das varejistas para a hospedagem de diferentes lojas, com cobrança de comissões pelos serviços prestados (frete, financiamento da venda, publicidade).

Pelo acordo assinado entre Mercado Livre e Livraria Cultura, desde o fim de setembro cerca de 10 mil títulos começaram a ser vendidos no site do Mercado Livre, uma fração pequena dos 9 milhões à venda na Cultura. Há uma previsão de 50 mil produtos expostos nos sites do Mercado Livre e da B2W até o final do mês, segundo a Cultura.

No acordo entre Saraiva e Mercado Livre, eram 20 mil títulos ofertados quando a parceria foi anunciada, três semanas atrás, e o número está em 30 mil hoje.

Em maio, a Via Varejo já havia anunciado acordo com a Cultura, o primeiro da rede com um “marketplace”. A Cultura disponibilizou 70 mil produtos para três sites: Casas Bahia, Pontofrio e Extra.

“O volume de livros que temos hoje na nossa base, na faixa de 2 milhões de títulos, não é expressivo em termos comerciais, o que nos deixava menos competitivos. Precisamos daqueles [livros] de alto giro”, diz o vice-presidente de operações do Mercado Livre, Stelleo Tolda. A empresa tem grande volume de unidades de baixo preço, vendidas muitas vezes por pessoas físicas, e parte do acervo é de itens usados. A Cultura que decidirá o que vai disponibilizar no site.

Após o acordo com a Saraiva e a Cultura, a expectativa do Mercado Livre é aumentar a oferta de produtos de outras áreas. “Há espaço para avançarmos em negociações com varejistas de outros segmentos, como brinquedos, área que precisa de uma melhora na nossa base de lojas”, diz Tolda.

Essas iniciativas estão dentro de um esforço do Mercado Livre de ampliar o volume de lojas oficiais, que ampliam o tráfego nos sites. Esse número está atualmente em 636. Houve um aumento de 52% nesse volume de janeiro a junho.

“O Mercado Livre reage ao avanço dos outros marketplaces. Apesar do seu crescimento acelerado, há a necessidade de defender seu terreno. Como não há interesse dos rivais pelo mercado de usados, o foco da disputa fica nas lojas oficiais”, diz Roberto Wajnsztok, CEO da Origin Consultoria.

Os números do relatório de resultados do Mercado Livre mostraram alta de dois dígitos nas vendas no país, mas uma maior pressão em custos nos últimos meses. Isso pode refletir a decisão de lançar, em maio, a política de frete grátis para compras acima de determinado valor, diz Wajnsztok, o que pressiona essa linha de custos.

De abril a junho, a receita líquida no país cresceu 75%, para US$ 180 milhões (57% da operação no mundo). Os custos diretos subiram 95%. De janeiro a março, houve avanço de 106% nas vendas e de 73% nos custos diretos.

Fonte: Valor Econômico

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