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Para casar, tem que casar direito

Debate mostra que a escolha do fundo de investimentos vai muito além do aporte de capital
O painel final do Seminário Investimentos NOVAREJO, ocorrido nesta sexta-feira (15/05) no hotel Renaissance, em São Paulo, destacou a importância de escolher corretamente o fundo de investimentos que trará recursos e conceitos de gestão para a varejista. Mais que contar com uma empresa parceira, é preciso ter A empresa. Aquela mais alinhada aos princípios, valores e visão do varejo.
“Os fundos de investimento não aportam somente capital em uma empresa. Elas trazem, principalmente, conhecimento para a gestão dos negócios”, comenta Andrea Minardi, professora do Insper e mediadora do painel “Os fundos de private equity e a profissionalização do varejo brasileiro”. Segundo ela, existem fundos de vários tipos, desde aqueles com visão de longo prazo e menos pressão para a saída do negócio até fundos agressivos com pressão de saída e recuperação dos investimentos em prazos relativamente curtos.
“É como um casamento mesmo. Tem que escolher direito para que o relacionamento seja duradouro”, conta Leonardo Dib, CFO da Netshoes. De acordo com o executivo, é preciso estabelecer, em conjunto, objetivos de curto, médio e longo prazo, para que esse casamento dure. “Muitos empreendedores querem que os fundos de investimento tragam capital e governança, mas não querem que a vida mude depois disso. Só que é preciso estar ciente de que a vida vai mudar”, comenta Wanderson Leal, CFO da Wine.com.br. Ele conta que, no caso da varejista on-line de vinhos, existe cobrança por resultados de curto prazo, que ajudam a trilhar o caminho de longo prazo, mas quando há confiança na gestão tudo fica mais fácil. “Essa confiança é construída no momento do aporte, logo no início da relação. Se começar bem, a evolução do negócio será muito maior”, diz.
A Imaginarium, rede de presentes com 145 lojas no País, conta desde 2013 com o fundo de investimentos Squadra, em uma relação de longo prazo. “Fomos o primeiro e, por enquanto, único negócio deles. Eles têm uma visão de longuíssimo prazo e nem mesmo falamos em plano de saída deles do negócio. Bem pelo contrário: eles querem investir mais e em novos negócios”, comenta o CEO da rede, Carlos Zilli.
Na Hope, rede varejista de moda íntima com 50 anos de mercado, abrir capital ou mesmo contar com um sócio investidor não está nos planos. “Simplesmente não queremos no momento. Estamos capitalizados e temos uma estrutura de gestão profissional, porque sem isso não se vive no varejo atual”, comenta Sylvio Korytowski, diretor de expansão de franquias da empresa. O que não signifique que o executivo não consiga analisar o setor. “No segmento de moda, muitas empresas se associaram a fundos e a coisa não deu certo. Isso porque é preciso escolher o parceiro correto para a realidade do varejo. Há quem tem visão de negócios e pense no longo prazo, e quem tem visão puramente financeira. Para esses, se o retorno de curto prazo não vem, começa a cortar tudo e o negócio desaba”, avalia. “Se o fundo não tem a mesma visão do varejista, a parceria não funciona”, completa Sylvio.

Revista No Varejo on-line – SP