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Varejistas apostam na venda ao vivo na Black Friday

AliExpress, Amazon,, Americanas, Magalu, Mercado Livre e Via apostam nas vendas de produtos em transmissões ao vivo na internet e reforçam a estrutura logística

Por Daniela Braun

Na Black Friday deste ano, grandes varejistas como AliExpress, Amazon, Americanas, Magalu, Mercado Livre e Via apostam nas vendas de produtos em transmissões ao vivo na internet e reforçam a estrutura logística para atender um consumidor que ficou, durante a pandemia, mais exigente com prazos de entrega.

A partir desta quinta-feira (25), a Amazon estreia uma venda ao vico, ou “live commerce”, no YouTube, em formato de reality show, reunindo seis influenciadores, que farão demonstrações e testes de produtos por cinco dias.

No mesmo dia, Americanas e Magalu disputam a audiência do consumidor na internet. O Magalu promove um show de duas horas e meia com Anitta, Luísa Sonza, Gaby Amarantos, Gloria Groove, a dupla sertaneja Jorge e Mateus, Zé Vaqueiro e Léo Santana. O evento será transmitido no aplicativo e no site do Magalu, pela Globoplay e pelos canais sociais da varejista.

A Americanas fará uma transmissão ao vivo com influenciadores no YouTube. “No último show, atingimos 5,5 milhões de pessoas únicas que assistiram à live”, diz Marcio Cruz, CEO da plataforma digital da Americanas S.A., que engloba as operações de e-commerce Americanas.com, Submarino e Shoptime.

O Mercado Livre, que estreou seu modelo de “live commerce” no início do mês, terá influenciadores fazendo vendas ao vivo no auge da Black Friday. As “lives” da Via, dona de Casas Bahia e Ponto, serão feitas pelos vendedores. “Eles já trazem credibilidade”, diz Abel Ornellas, vice-presidente comercial e de operações da Via. Neste ano a Via não fará shows. “Em vez de fazer show, vamos oferecer tudo em desconto”, diz o executivo.

A estrutura logística dos principais varejistas do país está mais robusta. O reforço começa nas contratações temporárias para o fim do ano. A Amazon abriu mais de 5.500 de vagas temporárias durante os meses de novembro e dezembro, sendo 3.100 em São Paulo. “Muitos colaboradores da empresa começaram como temporários”, diz Daniel Mazini, presidente da Amazon no Brasil.

A maior parte das contratações da Amazon está direcionada a dar suporte à área logística da empresa, que aumentou seus centros de distribuição de oito para 12 desde a Black Friday do ano passado.

Serão 2 mil colaboradores temporários no Mercado Livre, entre outubro e dezembro. “Boa parte vem para entrada de produtos, movimentação nos depósitos e transportes”, diz Julia Rueff, diretora sênior de marketplace do Mercado Livre. Neste ano, a companhia aumentou seus centros de distribuição de cinco para oito e acelerou os prazos de entrega, passando a enviar encomendas no mesmo dia em 50 cidades no Brasil. “Começamos a operar com produtos de maior porte como eletrodomésticos e televisores de tela grande”, diz a diretora.

O e-commerce da Americanas também contará com profissionais temporários, mas a empresa não informa quantos serão. As centrais de distribuição subiram de 22 para 25 neste ano, incluindo uma nova operação em Curitiba (PR), inaugurada em outubro. “Na logística, já contamos com turnos distintos para manter a operação funcionando 24 horas, por exemplo”, diz Cruz.

Já o AliExpress, que não armazena produtos no país, aumentou o número de voos fretados, que trazem as encomendas da China ao Brasil, de cinco para seis por semana. “Ainda há espaço para melhorar o prazo de entrega de sete dias”, diz Yan Di, diretor regional do AliExpress no Brasil. A entrada de vendedores brasileiros neste shopping center virtual, o atendimento em português e a possibilidade de devolver produtos usando endereços no Brasil, e não somente via China, estão entre as melhorias implantadas na operação local.

Este ano, a Amazon aumentou a data de pré-promoções para o dia 1º deste mês –no ano passado, a empresa iniciou a prévia no dia 11 de novembro. “Planejamos antecipar a Black Friday uma vez que os clientes vão antecipar suas compras de fim de ano”, diz Mazini, da Amazon. “Dessa maneira, eles terão mais tempo para acessar às milhares de ofertas da Amazon”.

O treinamento de vendedores parceiros dos marketplaces para a Black Friday também faz parte da preparação dos varejistas. “Criamos uma trilha gratuita de capacitação, com conteúdo robusto que engloba técnicas de negociação com fornecedores, direitos do consumidor e estratégias de publicidade”, conta o CEO da plataforma digital da Americanas S.A, que reúne 114 mil lojas de terceiros.

Ornellas, da Via, diz que o trabalho com os parceiros, hoje 108 mil, começou há seis meses. A varejista também iniciou testes de gestão de estoques (na modalidade de “fulfillment”) para 300 grandes vendedores. Este serviço tem início previsto no primeiro trimestre de 2022.

Para aguentar o pico de acessos dos consumidores às lojas on-line, em um curto espaço de tempo, a infraestrutura de tecnologia foi reforçada.

Na Black Friday passada, o Mercado Livre registrou 50 milhões de visitas e quase 50 mil buscas por minuto em um único dia. “Fazemos testes de estresse de acessos e temos servidores que sempre seguraram os picos de demanda”, diz a diretora de marketplace da empresa. “O Mercado Livre nunca caiu na Black Friday”.

Manter os sites no ar e sem lentidão para não perder o cliente parecem ser lições já absorvidas pelo grandes varejistas on-line. “Os grandes já preparam suas estruturas de nuvem e amadureceram nesse aspecto de tecnologia”, diz André Silva, gerente de engenharia comercial do Google Brasil.

Cibersegurança também é uma preocupação constante das lojas on-line, especialmente no fim, do ano e diante do aumento dos ataques hackers bem-sucedidos mirando empresas brasileiras este ano. “Nossos recursos de segurança são ajustados para as particularidades do evento, entre elas, por exemplo, o grande volume de acessos em horários alternativos”, informa Cruz, da Americanas.

]Bloqueio de requisições mal-intencionadas de acesso à rede da empresa e ampliação de esforços na derrubada de páginas falsas (phishing) estão entre as ações da empresa neste período.

Fonte: Valor Econômico