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Shoppings se preparam para o pós-pandemia

Tendência inclui integração de vendas físicas e digitais, áreas abertas e presença de clínicas, escolas e espaços de trabalho

As mudanças no consumo trazidas pela pandemia vêm alterando a estratégia de diversos shopping centers e de varejistas Brasil afora. Para atrair um cliente cada vez mais digital e de olho na abertura da economia com o avanço da vacinação, as companhias estão apostando em um novo mix de lojas e serviços que vai além de grifes e restaurantes.

Clínicas de estética e até escritórios virtuais passam a dividir espaço com novas áreas ao ar livre que até então eram usadas como estacionamento.

No shopping do futuro, especialistas em varejo lembram que os empreendimentos comerciais vêm remodelando seus espaços para consolidar o chamado modelo phygital, mesclando a venda no ambiente físico e virtual.

No modelo, lojas e parte do estacionamento são usados como pontos de retirada de produtos; e restaurantes funcionam como centrais de delivery para as vendas feitas por aplicativos.

Segundo André Ryfer, diretor da Soul Malls, que administra dez empreendimentos no país, o objetivo é trazer novas soluções para o consumo com a ampliação de uma nova cesta de serviços, o que inclui universidades, escolas de dança, clínicas estéticas e cursos de gastronomia.

— O shopping é a expressão dos hábitos de consumo. Com a pandemia, passamos a investir em áreas abertas nos empreendimentos, que antes funcionavam como estacionamento. Há uma demanda hoje por áreas abertas. Nos locais onde atuamos estamos desenvolvendo espaços abertos — explica Ryfer.

Empresas de entregas

O executivo destaca o avanço da integração com a internet. O Uptown, na Barra da Tijuca passou a contar com empresas que atuam apenas em delivery. O Ilha Plaza, do mesmo grupo, usou parte do seu estacionamento a céu aberto e criou uma nova área de convívio com novas lojas:

— Muitos dos nossos empreendimentos passaram a atrair empresas com foco em delivery por estarem no centro de bairros com localização privilegiada.

Outback cria marca

Esse modelo integrado também virou aposta do grupo Bloomin’Brands, dono da rede Outback. Segundo Pierre Berenstein, presidente do grupo, a pandemia acelerou diversas tendências, como a integração com o digital. Ele cita a criação de uma nova marca com foco em delivery, o Aussie Grill:

— Usamos as cozinhas do Outback como hub para a expansão dessa nova marca. Assim, o Aussie Grill está nos principais shoppings apenas de forma virtual e em ótimas localizações. Já são 70 e vamos abrir mais quatro até o fim do ano — disse Berenstein.

O executivo disse ainda que a companhia vai lançar em breve um novo modelo de loja física para o Outback, com mais luminosidade:

— É um novo conceito após o período de pandemia.

Parque para pets

Vander Giordano, vice-presidente institucional da rede Multiplan, com 19 empreendimentos no país, diz que o shopping do futuro vai acelerar tendências e reunir mais serviços, arte, gastronomia e áreas verdes. Ele cita a inauguração do novo shopping da companhia em Jacarepaguá, em Novembro, que consumiu investimentos de R$ 1 bilhão.

— No ParkJacarepaguá, os corredores são amplos, o pé direito é alto, tem área externa com alguns restaurantes. As pessoas estão valorizando isso. Houve aumento no número de pessoas com pets na pandemia e, por isso, haverá um parque com esse conceito — diz Giordano.

Empresas de beleza e estética também já mudam a estratégia. Para Richard Magrath, diretor-executivo do grupo Orthopride, dono das marcas Face2Face, de harmonização facial, e Bodylaser, de depilação, o futuro dos shoppings não está mais no consumo de moda.

— O shopping do futuro será o de serviços. Nosso cliente não ficará, por exemplo, dependente de um horário comercial — explica Magrath, lembrando que a meta é fechar o ano com 120 lojas, das quais 90 serão em shopping.

É assim que, segundo Bruna Ortega, diretora de contas e especialista de tendências da consultoria WGSN, as compras vão deixar de ser a principal atração nos shoppings. O Hub Coworking, empresa que conta hoje com dez espaços no Rio, já avalia a entrada em shopping centers. A estratégia, diz Bruno Beloch, fundador da empresa, é estar perto da necessidade dos clientes:

— Nesse momento de retomada, com o modelo híbrido de trabalho, esses espaços surgem para suprir a necessidade de quem não tem a opção de ter um home office de qualidade.

Lugar de socialização

A BrMalls, com 31 shoppings no país, no último ano já assinou mais de 300 novos contratos com ênfase em marcas de gastronomia, serviços e moda. Na área de e-sports, só nos últimos meses assinaram cinco novas operações com a MK+ Academy, a maior escola gamer do Brasil, que oferece cursos e entretenimento.

— Antes, o shopping era visto apenas como destino de compras. De um tempo para cá tem mudado a forma como se relaciona com seus consumidores. É um verdadeiro ecossistema para socialização — disse Jini Nogueira, diretora comercial da BrMalls.

Fonte: O Globo