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Redes esperam volta lenta e falam em promoções

Após uma Páscoa frustrante, segundo dados preliminares de vendas, o varejo passa a projetar um Dia das Mães duramente afetado pela crise gerada pela covid-19. No plano a ser implementado após o fim da quarentena, previsto para a terceira semana de abril em certas capitais, redes de moda vão ampliar promoções e correm o risco de ter que transferir estoque da coleção outono/ inverno para 2021.

O presidente da Guararapes, dona da Riachuelo, Flavio Rocha, disse ontem que o estoque dessa coleção de 2020 será “postergado” para o próximo ano, porque mesmo com o aumento na demanda on-line, haverá acúmulo de produtos no período. “Apesar da busca de novos canais como on-line, que era 3% a 4% das vendas e teve o volume duplicado [na crise], somos muito afetados”, disse ele, durante conferência on-line.

As 320 lojas da empresa estão fechadas desde a terceira semana de março e suas fábricas em Natal e Fortaleza, com 12 mil empregados, pararam a produção. As vendas da coleção outono/inverno já deveriam estar ocorrendo entre março e o início do segundo trimestre. “Podemos dizer que não deveremos ter Dia das Mães, o retorno da demanda será muito lento, num ambiente de grande incerteza”, diz Alberto Serrentino, sócio diretor da Varese Retail.

Outras redes, como Renner e Hering devem ampliar ofertas nas lojas após maio. No setor isso pode ocorrer pelo nível de desconto ou pelo volume de itens ofertados. No caso da Hering, com 720 pontos no país, o grupo já vinha num movimento, desde o fim de 2019, de redução de estoques – estavam 8% menores que no ano anterior – e formas de proteger a margem bruta, e as ações em preços devem seguir essa mesma estratégia de evitar efeitos maiores sobre rentabilidade, apurou o Valor.

O diretor administrativo financeiro da Renner, Laurence Gomes, afirma que a empresa deve adotar uma “estratégia comercial um pouco mais agressiva” e um “tom mais promocional” após o fim da quarentena, mas sem desrespeitar o posicionamento central da marca – a rede, com 390 lojas e voltada para classes A, B e parte da C, historicamente trabalha com menos ações combativas em preço.

A empresa projeta um retorno lento do tráfego após maio, disse o executivo a analistas nesta semana. Sobre um eventual ritmo maior de queima de estoques, Gomes afirma que o grupo não projeta sair do segundo trimestre carregando volume altos nas lojas. “Se carregarmos será pouco, porque já vínhamos ajustando esse nível e fizemos uma aposta menor em produtos de inverno neste ano”.

Gomes destacou ações que a rede vem tomando em relação aos fornecedores, reduzindo prazos de antecipação de recebíveis para esses parceiros e garantindo, junto aos bancos e ao BNDES, linhas de crédito para essas empresas. A Renner é garantidora de parte dessas linhas – desde 2012, o grupo tem um programa de desenvolvimento desses parceiros. “No momento em que o mercado travou, reforçamos essas garantias, porque mesmo com a atuação do Banco Central para elevar liquidez, isso leva tempo a chegar na ponta”, disse. Segundo ele “há muitos fornecedores em situação difícil”.

Fonte: Valor Econômico