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Rede Aramis contrata banco para buscar sócio

O movimento reflete a decisão de saída da gestora de private equity do negócio num momento de recuperação dos resultados e de fase de retomada do setor

Por Adriana Mattos

A rede de vestuário Aramis, da família Stad e da gestora 2bCapital, contratou o Itaú BBA para buscar interessados na operação, apurou o Valor com fontes a par do assunto. Há a possibilidade de negociar a venda do controle da varejista ou parte da companhia a sócios financeiros ou estratégicos.

Criada em 1995, a Aramis somava 97 lojas no país ao fim do primeiro trimestre, entre próprias e franquias, além de ter produtos distribuídos para cerca de mil lojas multimarcas. Faturou R$ 360 milhões em 2021, alta de 22% em relação a 2019, ano anterior à pandemia.

O movimento reflete a decisão de saída da gestora de private equity do negócio num momento de recuperação dos resultados e de fase de retomada do setor, portanto a múltiplos de venda mais altos. A 2bCapital, controlada pelo Bradesco, é sócia da Aramis há nove anos e tem quase 48% da companhia. Além dela, o fundador da varejista, o francês Henri Stad, com 30% das ações, também consideraria vender parte ou a totalidade de sua posição, por isso um acordo poderia envolver o controle da empresa, apurou o Valor.

Procurada, a empresa informa que não comenta rumores de mercado. O Itaú BBA, a 2bCapital e o Bradesco não se manifestaram.

Apesar de o comando da Aramis vir declarando, de dois anos para cá, o interesse numa oferta pública inicial de ações (IPO, da sigla em inglês), para capitalizar o negócio e levar à saída da gestora, não se vê espaço para ofertas na bolsa tão cedo, e a busca por interessados também é uma forma de medir a temperatura do mercado em relação a preço e múltiplos do negócio.

“O banco [Itaú BBA] está mandatado, mas está numa fase inicial [de contatos]. Eles já fizeram sondagens ao mercado há 3 ou 4 anos, e não houve avanços, e foram tocando o negócio. A sensação pelas conversas é que um acordo vai depender do que vier de retorno do mercado”, afirma o chefe de uma assessoria financeira.

As informações que chegaram a uma fonte ouvida é de um cálculo de “valuation” da empresa de R$ 600 milhões, para um Ebitda projetado na faixa de R$ 50 milhões em 2022. Ebitda mede lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação. “Se ficar num múltiplo de 12 a até 15 vezes o Ebitda, fica abaixo de ‘players’ como o grupo Soma, em 27 vezes, e dentro de múltiplos de marcas premium nacionais muito boas”, afirma um gestor de marcas de moda.

Pelo modelo inicialmente discutido, um acordo poderia envolver a saída de Henri, mas a permanência do filho Richard (e atual CEO) na sociedade, hoje com cerca de 20% das ações. O Valor apurou que Richard poderia manter uma posição minoritária na empresa, mas quer continuar gestão.

Uma fonte próxima à empresa afirma que a Aramis avalia “oportunidades”, diz que a rede vem crescendo e que não precisa de um eventual acordo para tocar os projetos deste ano. “Sempre se avalia possibilidades, é obrigação estar aberto caso apareça alguma ‘fresta’ [de acordo] no mercado. Tem que fazer o que é melhor para o negócio. Mas não há algo evoluindo agora”, disse essa pessoa.

Essa movimentação ocorre após um período de maior consolidação desse setor, o que tende a abrir espaço para eventuais interessados em analisar ativos. O grupo Soma buscou marcas para aquisição após o seu IPO e a Arezzo pretende se consolidar como uma “house of brands” com atuação em diferentes segmentos, inclusive vestuário.

Em 2013, a Aramis vendeu fatia da empresa para a 2bCapital, controlada pelo Bradesco e pelo Banco Espírito Santo (este não está mais na sociedade). A gestora injetou cerca de R$ 100 milhões na Aramis para ficar com uma fatia que poderia alcançar até 49% em cinco anos, numa negociação assessorada pela Target Advisor.

Nos últimos meses, a varejista vem sendo muito mais ativa na sua comunicação ao mercado, reforçando uma “virada” nos negócios (não é, já há anos, uma empresa que vende só ternos), e divulgando dados reforçando que está numa boa fase.

Valor apurou que entre metade de março e a primeira semana de maio, as vendas cresceram quase 76% frente a 2019 (em lojas com mais de um ano de operação). Em 2021, frente a 2019, a receita subiu 25%. Para este ano, devem ser abertas 12 lojas e seis foram reformadas desde janeiro. O faturamento do braço on-line, que era de R$ 3 milhões antes da pandemia, foi a R$ 50 milhões neste ano.

Fonte: Valor Econômico