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Privalia busca IPO para crescer mais rápido

Depois de expansão discreta no primeiro ano de pandemia, empresa precisa se expandir mais rápido e elevar a frequência dos clientes

Por Adriana Mattos

A plataforma de comércio eletrônico Privalia tentará uma oferta pública de ações restrita no país com operação no vermelho e receita crescendo abaixo do mercado. O caixa mostra queda, no menor patamar em três anos, mas o nível de endividamento se mantém baixo. O maior sócio da empresa, com 98,25% das ações, é a espanhola Privalia Venta Directa.

Valor apurou que, ao mercado, a empresa vai reforçar a ideia de que a emissão de ações servirá para acelerar o crescimento na receita total. A Privalia precisa se expandir de forma mais rápida, elevar mais a frequência de clientes, após ter tido uma expansão discreta, em relação a outros “players”, no ano da pandemia, quando a demanda digital disparou.

A venda da empresa subiu 25% em 2020, e o mercado cresceu mais de 40%, segundo consultorias.

Em fevereiro, a empresa protocolou pedido de registro da operação na bolsa, mas adiou a sua oferta até uma melhora do ambiente de mercado.

Entre fim de 2020 e começo deste ano, surgiram informações no setor de que a Privalia estaria aberta a buscar fundos interessados em capitalizar a empresa para crescimento, num caminho que estava sendo analisado de forma paralela a um IPO, diz uma fonte a par do assunto.

Na época, já com o mercado assistindo movimentações de fusões e aquisições no on-line, gestores chegaram a levantar a hipótese de um acordo da empresa com redes de moda no país, que tem buscado ativos para reforçar o seu braço on-line.

Os números enviados pela empresa à CVM, após informar interesse numa oferta, mostram que, após dois anos no lucro, a Privalia voltou ao prejuízo em 2020, com perda de R$ 14,3 milhões, comparativamente a um lucro líquido de R$ 12,3 milhões em 2019. No ano anterior, o lucro atingiu quase R$ 52 milhões.

Sobre o resultado de 2020, a Privalia diz que apesar da alta de 35% no lucro antes das receitas (despesas) financeiras líquidas, houve impacto negativo das despesas financeiras líquidas, que quase triplicaram para R$ 61,5 milhões, o que pressionou a última linha.

Nesse caso, houve efeito principalmente da perda variação cambial por causa da desvalorização do real no ano.

“Essa variação [do câmbio] foi parcialmente compensada pelo sucesso de medidas, como melhor renegociação de prazos junto aos fornecedores e maior adesão da modalidade de ‘crossdocking’ em oposição à modalidade pre-stock, que diminuiu a necessidade de volumes altos em estoque”, disse no material anexado hoje na CVM.

A receita operacional líquida alcançou R$ 926,3 milhões em 2020, comparado com os R$ 740,5 milhões em 2019, aumento de 25%, na mesma faixa de crescimento de 2019. O índice ficou abaixo do ritmo de expansão do mercado. A Ebit/Nielsen apurou alta de 41% no faturamento do on-line no país em 2020.

No material ao mercado, a empresa entende que houve melhora no desempenho no ano passado, e atribui a alta de 25% ao aumento da base de clientes, que totalizou quase 1,1 milhão em 2020 (890 mil em 2019), sendo 434 mil novos compradores e 649 mil compradores recorrentes, e pelo impacto da pandemia.

Esse cenário levou a um crescimento de média de compras por usuário a cada doze meses, de 4 para 4,4, e a um aumento de 33,3 % no número total de pedidos

Transação com acionista

A Privalia conta que em 2020, portanto antes de bater o martelo do IPO, fechou uma operação com o seu acionista para quitar o passivo líquido “intercompany” em aberto no montante de R$ 152 milhões, por meio da absorção dos prejuízos acumulados.

Diz que essa transação não resultou em impacto na demonstração do resultado, porque compensou o passivo em aberto com os prejuízos acumulados da base negativa de imposto de renda e contribuição social.

Em 31 de dezembro de 2020, a companhia tinha um patrimônio líquido de R$ 69,4 milhões, composto de capital social de R$ 85,6 milhões e um prejuízo acumulado de R$ 16,2 milhões.

Nos últimos três anos, a Privalia se financiou basicamente de aumento de capital dos sócios, endividamento em bancos e antecipação de recebíveis de cartão de crédito.

Sobre caixa e o peso das dívidas, se em 2019 o grupo teve aumento de caixa de quase R$ 2 milhões, em 2020, houve redução de R$ 4 milhões. A companhia fechou 2020 com R$ 11 milhões nessa linha, abaixo dos quase R$ 15 milhões de 2019 e dos R$ 13 milhões de 2018. Apesar do recuo, a relação entre dívida líquida e Ebitda é baixa na empresa há três anos, atingindo cerca de 0,1 vez em 2020.

Fonte: Valor Econômico