Twitter Facebook Linkedin
Home » Notícias » Números do Carrefour indicam crescimento do atacarejo

Números do Carrefour indicam crescimento do atacarejo

Prévia divulgada nesta semana mostra que tendência de expansão do cash & carry continua firme, bem como o arrefecimento dos hipermercados

Por Raquel Brandão

Os resultados do terceiro trimestre de grandes grupos supermercadistas, a serem divulgados nas próximas semanas, devem acentuar duas tendências: o contínuo crescimento do modelo de atacarejo e o arrefecimento das vendas nos hipermercados. Os números prévios de vendas do Grupo Carrefour, divulgados na noite de terça-feira, já deram essa sinalização.

No terceiro trimestre, as vendas nas lojas da divisão de varejo do Carrefour – ou seja, supermercados, hipermercados e lojas Express – caíram 8%, para R$ 5,3 bilhões. Se desconsideradas as vendas dos postos de gasolina, o recuo foi de 13,3%, com a área alimentar cedendo 0,4% e a não-alimentar 29% menor do que um ano antes.

Enquanto isso, as vendas da bandeira Atacadão cresceram 14,3%, para R$ 15,5 bilhões – grande parte do avanço da maior rede de atacarejo do país, é verdade, veio da expansão recente do número de lojas. As vendas, pelo conceito de “mesmas lojas”, ou seja, sem considerar as novas, cresceram apenas 2,7%, como escreveram os analistas do banco BTG Pactual, que consideraram fracos os resultados do Grupo Carrefour.

Para a equipe de analistas do Citi, o número foi positivo, uma vez que a base de comparação era mais difícil: no terceiro trimestre de 2020, houve um forte aquecimento da demanda.

O Grupo Pão de Açúcar (GPA), que desde a cisão da rede de atarejo Assaí opera apenas os canais de varejo, também não deve registrar números fortes no terceiro trimestre, segundo as expectativas de analistas de mercado. A equipe do Bradesco BBI estima queda de 3% nas vendas “mesmas lojas”, em relação ao terceiro trimestre de 2020, e a corretora XP Investimentos calcula recuo de 5% no mesmo indicador.

Já para o Grupo Mateus, considerado o maior de varejo de alimentos das regiões Norte e Nordeste, a perspectiva das duas instituições é de estabilidade nas vendas “mesmas lojas”. A XP, porém, aposta em um avanço de 13% na receita líquida impulsionada por aberturas de unidades.

Quando o olhar é para operações de atacarejo de grandes varejistas, a perspectiva melhora. O Bradesco BBI, por exemplo, espera avanço de 5% nas vendas “mesmas lojas” do Assaí.

As projeções são reforçadas por indicadores do setor. Nas últimas semanas a Abras, associação que representa o setor supermercadista no país, divulgou dados de agosto. Naquele mês, as vendas caíram 1,78% ante o mesmo período do ano passado. Se observado o acumulado no ano, ainda há crescimento de 3,15%, mas este é o menor patamar desde janeiro de 2020. “O atacarejo continua crescendo na faixa de dois dígitos e vemos um leve recuo em hipermercados”, disse Marcio Milan, vice-presidente da associação.

No curto prazo, a deterioração da renda do consumidor, com desemprego e aumento acelerado da inflação explicam o avanço dos atacarejos, onde a relação custo-benefício tende a ser melhor. “Quando a inflação está alta a migração da pessoa física do hipermercado para o atacarejo aumenta”, diz o analista de varejo do Bradesco BBI, Richard Cathcart.

Essa tendência, acrescenta ele, já era observada antes mesmo da pandemia, mas a aceleração vista agora deve tornar ao menos parte dessa migração irreversível. “Inflação menor não vai ser suficiente para as pessoas voltarem aos hipers. Quando você começa comprar em atacarejo, que tem preço baixo, é difícil voltar a pagar mais caro.”

Conforme vão ganhando a preferência dos consumidores, os atacarejos passam a centralizar os investimentos do setor. Neste mês, o Assaí comprou 71 hipermercados Extra, que pertenciam ao GPA, para convertê-los em lojas suas.

Em março, o Atacadão já havia anunciado a compra do grupo Big, que, além da bandeira Maxxi, deve ter seus hipermercados convertidos em pontos de venda de atacarejo. Antes disso, o grupo já tinha comprado a rede Makro.

O avanço deve ser especialmente concentrado nos grandes grupos. Danniela Eiger, analista da XP Investimento, calcula que as empresas listadas na bolsa sigam apostando fichas no formato e “abram em torno de 200 lojas nos próximos anos”.

Fonte: Valor Econômico