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Marketplaces ‘caçam’ lojistas na crise

Consultores dizem que as plataformas vêm buscando novos lojistas constantemente, reduzindo a exposição àqueles com dificuldades, e apostando em setores mais resilientes

Por Adriana Mattos

Os “marketplaces” que dependem do pequeno vendedor tendem a sentir mais a crise que afeta esses negócios, pela baixa escala e menor acesso à crédito. Apesar disso, consultores dizem que, pelo fato de o Brasil ter um varejo pulverizado, as plataformas vêm buscando novos lojistas constantemente, reduzindo a exposição àqueles com dificuldades, e apostando em setores mais resilientes.

“Essas plataformas vêm fazendo uma boa gestão de seu portfólio, mas há limites para o apoio que pode ser dado ao lojista com problemas, até pelo próprio cenário atual de aumento no custo do capital e pressão maior nas despesas”, diz Gabriel Lima, CEO da consultoria Enext. Parte dos marketplaces usam recursos do próprio caixa como “funding” a lojistas.

“Eles sabem que não há por que estender a mão constantemente aos ‘sellers’. O nosso varejo é muito fragmentado, e as plataformas brasileiras não tem mais de 150 mil lojistas cada. Se ele perder 15%, 20% de lojistas após uma crise, é quase uma seleção natural para ele”, diz Roberto Wajnsztok, da consultoria Origin5.

“Não à toa, as plataformas vem acelerando tanto a entrada de ‘sellers’, porque há mesmo um giro acontecendo, e eles vão identificado áreas e lojistas com potencial”. O Valor informou que certas plataformas mudaram regras junto às lojas neste ano, por exemplo, reduzindo subsídios de frete e aumentando taxas de comissão.

Para o diretor do marketplace do Magazine Luiza, Leandro Soares, o apoio dado ao lojista, em parte, tem como meta retornar em benefício ao consumidor, e não há como garantir que uma ajuda tenha esse efeito. “Nossa meta sempre foi digitalizar o varejo e isso avançou. Desde setembro lançamos novos serviços financeiros, compramos negócios voltados ao treinamento do ‘seller’, como a ComSchool, e temos trabalhado nosso ‘app’ com frete grátis, o que beneficia também esse lojista”, diz.

“Mas percebemos que, eventuais benefícios ou apoios específicos podem gerar um desequilíbrio [nessa relação]”, completa. “Por exemplo, há períodos em que certos segmentos são mais afetados pelo câmbio ou inflação, mas é algo que o mercado, ao longo do tempo, vai se ajustando. Os próprios lojistas são muito rápidos em buscar saídas, achar o produto que está vendendo mais”, disse.

O Magazine diz que se identifica que algum lojista vem atrasando entregas, pode estender o prazo para que ele se reorganize. “Mas são ações nesse sentido, não ligadas a parte financeira”.

A Americanas também diz que oferece cerca de 200 cursos aos vendedores, e que acompanha o desempenho do parceiro para identificar eventuais problemas, e oferecer algum apoio — respeitando a autonomia de cada lojista. “Hoje contamos com mais de 10 produtos de crédito para atender as diferentes necessidades de cada momento”, disse Valmir Andrade, diretor executivo da Americanas.

“Também oferecemos prazos de pagamento que podem chegar a até 28 meses. Diluindo a parcela do crédito, o lojista obtém mais fôlego para gerir seu negócio, sem impactar seu orçamento”. Perguntado se fez alguma extensão recente de prazos ou renegociações, o grupo não fez comentários.

O Mercado Livre afirma que lançou, em 2020, linhas de crédito atreladas ao fluxo das vendas, e que apesar do cenário econômico mais “desafiador”, vem lançando novos produtos aos lojistas, diz Julia Rueff, diretora de marketplace. Numa das linha de capital de giro aos empreendedores, lançada após a pandemia, o percentual descontado do vendedor é calculado sobre as vendas. Caso o lojista atrase pagamentos, a empresa contata o “seller” para renegociar.

Outra dessas ações, lançada em 2021 em parceria com o Sebrae, trata da disponibilização de R$ 200 a lojistas como bônus para a compra de ferramentas de marketing de performance para publicidade dentro da plataforma, para incentivar a exposição das marcas.

Fonte: Valor Econômico