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Com novo CD, Mobly planeja destravar vendas no Nordeste

Além da estrutura logística em Pernambuco, empresa está investindo em lojas de rua e itens de marca própria

Por Marina Falcão

Com a abertura do seu primeiro centro de distribuição no Nordeste, no Cabo de Santo Agostinho (PE), a varejista on-line de móveis Mobly tentará solucionar um gargalo das vendas da empresa para a região, onde o custo do consumidor com frete fica em torno 30% do valor do produto. O investimento na unidade fez parte estratégico da empresa, que fez IPO este ano, para começar a operar no azul.

O centro de distribuição no Cabo é o quarto da Mobly no país — os outros estão em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. Com a nova unidade, a empresa pretende estocar os produtos que mais vendem na região. Além disso, a Mobly fechou parceria com 15 fornecedores locais, de polos moveleiros de Pernambuco e Ceará, para oferecer produtos específicos para o Nordeste.

Vitor Noda, presidente da Mobly, diz que as vendas para a região representam atualmente 10% das vendas da empresa. “O potencial é muito maior, não apenas pela representatividade da região no PIB do país”, disse. Antes de abrir o centro de distribuição, a empresa fez uma simulação do que ocorreria com as vendas para o Nordeste, caso o frete e o prazo de entrega fossem reduzidos drasticamente. Na média, as vendas subiriam 60%.

Mesmo com uma expansão de receita de 43%, para R$ 344,6 milhões, a Mobly teve prejuízo operacional de R$ 38 milhões no primeiro semestre deste ano, quase quatro vezes a perda registrada no mesmo período do ano anterior. A empresa ainda precisa ganhar mais escala para diluir custos fixos e começar a dar resultado positivo, diz Noda. “O lucro não deve ocorrer nem neste ano, nem em 2022”, afirma, sem especificar qual a previsão de ‘breakeven’.

O cenário de curto prazo é desafiador para o setor com um todo. A inflação média de insumos ao ano da Mobly está em 25%, diz o executivo, e a empresa tem optado por nem sempre repassar o aumento de custo para os preços como estratégia de aquisição de clientes.

Segundo Noda, a maioria dos itens básicos estabilizaram os preços, mas alguns continuam aumentando, com a madeira e os insumos importados, impactados pelo aumento do frete marítimo.

Noda diz que nos três primeiros trimestres deste ano, com a reabertura do comércio, o fluxo de consumidores on-line recuou na comparação anual. Para o quarto trimestre, no entanto, o executivo prevê que o mercado on-line da categoria de móveis deve apresentar crescimento na comparação com o quarto trimestre do ano passado.

Além dos investimentos na área de logística, a empresa tem implementado outras estratégias para melhorar as suas margens. Nascida no on-line, a Mobly começou uma operação de vendas em lojas físicas, onde consegue uma melhor rentabilidade. Por enquanto, as lojas estão restritas à São Paulo. Paralelamente, a empresa também está investindo na ampliação do seu portfólio de produtos de marca própria. Atualmente, o segmento responde por entre 45% e 50% das vendas, mas o objetivo é que essa fatia suba para 65%.

Noda diz que pequenas redes locais de móveis têm perdido participação de mercado para o comércio on-line, mas que a dinâmica de vendas do setor deve permanecer híbrida. “Ao atuar apenas no físico, a varejista enfrenta a limitação de oferta de produtos ao tamanho da loja. Ao se restringir às vendas on-line, perde chance de conquistar clientes que precisam sentir fisicamente o produto na hora de decidir pela compra”, diz.

Fonte: Valor Econômico