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Com comércio eletrônico, Correios têm novo recorde de envios de encomendas

Na semana passada, empresa superou marca obtida na Black Friday do ano passado, registrando 9,6 milhões de entregas

Por Rafael Bittencourt

Impulsionados pelo comércio eletrônico, os Correios superaram, com 9,6 milhões de envios na última semana de abril, o recorde de entregas registradas na Black Friday 2020, durante a chamada Black Week, quando contabilizou 9,5 milhões de unidades despachadas. Os dados foram apurados pela estatal e antecipados ao Valor nesta quarta-feira.

A nova marca de encomendas enviadas entre os dias úteis de 12 a 16 de abril surpreendeu até os executivos da estatal, por envolver período sem data comemorativa para o e-commerce nacional. O ritmo de crescimento das entregas desafia a companhia a garantir a qualidade no atendimento e a pontualidade no serviço.

Em 2021, a empresa adotou a estratégia de reduzir os prazos de entrega em cerca de 40 mil trechos. Deste total, 4,4 mil destinos já têm a entrega realizada no prazo de um dia após a postagem (D+1).

Para seus executivos, a nova marca histórica reforça a tendência de que o comércio eletrônico permanecerá em alta, com crescimento contínuo no fluxo de encomendas neste segundo ano de pandemia. Em 2020, as promoções da Black Friday, iniciadas sempre na última sexta-feira de novembro, já haviam sido impulsionadas pela adesão massiva da população ao e-commerce, principalmente com as restrições de acesso às lojas físicas.

O momento favorável também é aproveitado por gigantes como Mercado Livre e Magazine Luiza, que investem pesado na própria rede de logística — até o início da pandemia, o Mercado Livre era apontado pela estatal como seu maior cliente individual. Para se manter competitivo, os Correios buscam atrair novos lojistas e empreendedores que desejam ingressar no ambiente virtual com um portfólio mais diversificado de serviços e produtos no ramo de encomendas.

As melhorias nos serviços de encomendas já foram promovidas desde janeiro. Isto, segundo a estatal, permitiu aos vendedores trabalharem com menores prazos de entrega e melhores preços em diferentes destinos.

Como exemplo de produtos bem-sucedidos, a empresa cita o apoio às pequenas e médias empresas, como o programa “AproxiME”. Trata-se de serviço que estimula a “estreia” de comerciantes no universo do e-commerce. Na visão dos Correios, os empreendedores de menor porte, ao acessarem as facilidades da venda online — por meio do Sedex, PAC, Logística Reversa, Gestão de Armazéns e Mini Envios —, logo percebem a oportunidade de incrementarem as vendas e tornarem-se mais competitivos.

Apesar da melhora nos resultados com o boom no e-commerce, os Correios seguem na lista de privatizações programadas para 2022. O governo já enviou este ano o projeto de lei ao Congresso que define os primeiros passos para garantir a transferência do controle à iniciativa privada. Na terça-feira, a Câmara aprovou a tramitação de urgência para o projeto, que deve levar a proposta do governo direto à votação, dispensando o debate nas comissões.

Por outro lado, os balanços positivos, somados ao ganho de produtividade no setor, são usados pelos funcionários e pela oposição ao governo para defender a manutenção da companhia como estatal. O recente período de dificuldade financeira é atribuído ao rombo nas contas causado pela má gestão do fundo de pensão dos funcionários (Postalis), pelo alto custo de benefícios oferecidos aos trabalhadores — apontado como regalias por oferecer, por exemplo, cobertura de plano de saúde aos pais dos empregados — e pela política de antecipação de dividendos à União para combater o déficit fiscal mesmo com as contas no vermelho.