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Canal digital compensa venda física e Via cresce 19%

Para a varejista, ex-Via Varejo, números das lojas físicas vinham muito bem até fevereiro; tendência para este trimestre é positiva

Por Adriana Mattos

As vendas brutas totais (GMV, na sigla em inglês) que passam pela plataforma digital da Via, varejista que reúne as redes de Casas Bahia e Ponto Frio, cresceram 123%, para R$ 5 bilhões de janeiro a março. Considerando as vendas digitais e das lojas físicas, que permaneceram parte do período fechadas, o aumento é de 27%, para R$ 10,3 bilhões. As vendas do braço físico caíram cerca de 9%.

“Os números das lojas vinham muito bem até fevereiro, antes dos fechamentos. As iniciativas recentes no digital, a assertividade comercial e entrada em novas categorias mais que compensaram as lojas paradas. Agora, estamos com tudo reaberto e seguimos mantendo a tendência positiva”, disse ontem ao Valor Roberto Fulcherberguer, CEO da Via. Segundo ele, não houve desaceleração no digital após abril, quando o auxílio emergencial veio menor. A loja vem “trazendo mais fluxo”, disse, sem detalhar números.

A receita líquida avançou 19,1%, para R$ 7,5 bilhões. Na última linha, o lucro líquido alcançou R$ 180 milhões, valor quase 14 vezes maior do que os R$ 13 milhões do ano anterior. Mesmo descontando-se um “incentivo de subvenção” informado no balanço, o lucro atinge R$ 63 milhões, quase cinco vezes maior que 2020.

A venda digital de produtos próprios subiu 122,8% e a de mercadorias de terceiros no marketplace (shopping virtual), 123,5%. As vendas digitais representaram 56% do GMV total – um ano antes eram 33%.

Sobre o desempenho no canal digital, para efeito de comparação, o Mercado Livre reportou alta de 92% do seu GMV total e B2W, 90,4%. Magazine Luiza divulga números nesta quinta-feira.

“Se você pensar, no primeiro trimestre de 2020 nós já tinhamos implantada uma nova gestão com efeitos também no on-line. Já temos base mais madura. Viemos ganhando ‘share’ porque a nossa expansão é maior que o setor, e sem perder margem, como se tem visto por aí no mercado”. Ele cita ganho de nove pontos de participação, para 16,7% até 10 de maio.

Sobre as margens de lucro da Via, Fulcherberguer se refere à margem bruta, que cresceu de 30,7% para 31,4% neste ano. O índice ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) caiu 2,1 pontos, para 7,7%. “No ebitda, houve o efeito de despesas mais fortes agora, frente ao lockdown de 2020 que reduziu essa linha, despesas adicionais com o banQi [plataforma digital adquirida em 2020], além de mais condenações trabalhistas no trimestre”, diz Orivaldo Padilha, diretor financeiro.

Como consequência de um trabalho para atrair mais lojistas, houve aumento do peso do marketplace nas vendas de 5,7% para 10,2%. Em abril, a Via disse que projeta atingir 70 mil a 90 mil lojistas. São 26 mil hoje, cinco vezes mais que um ano atrás.

A companhia informou que a partir do quarto trimestre passa a oferecer aos lojistas do seu marketplace serviços de fulfilment (coleta, armazenamento, entrega) em alguns centros de distribuição (ver Amazon investe em logística para atrair mais varejistas).

Ainda está previsto o lançamento de uma plataforma de anúncios aos lojistas, e no fim de 2021, vai passar a oferecer serviços de créditos no marketplace e para clientes da Via.

Para o terceiro trimestre, a empresa informou que começará a fazer a logística de produtos pesados ao marketplace. Também, ainda em 2021, a Via vai oferecer “serviço de entregas ultrarrápidas”, que usa motoboys.

Fonte: Valor Econômico