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Boticário anuncia meta de banir ingredientes de origem animal

O portfólio 100% vegano vai ao encontro da tendência global de consumo consciente e da valorização de cadeias produtivas mais sustentáveis e transparentes

Por Redação

Na data em que se comemora o Dia do Consumo Consciente, em 15 de outubro, vale lembrar que dentro de um pote de cosmético existe um universo de questões que vão muito além de um simples produto de beleza – pesquisa, inovação, consciência socioambiental, filosofia de vida, impacto global. E o consumidor de hoje, mais criterioso em suas escolhas de compra, já começou a enxergar tudo isso.

Em um estudo internacional da IBM sobre tendências de consumo, um terço dos entrevistados disse que deixaria de adquirir seus produtos favoritos se perdesse a confiança no fabricante. E outro um terço já fez isso recentemente.

A pesquisa mostrou que o propósito da marca está à frente até do custo e da conveniência para os compradores, que têm priorizado empresas sustentáveis, transparentes e alinhadas com seus principais valores.

Entre os brasileiros, que são o quarto maior mercado de beleza do mundo, a preocupação ambiental é um dos principais fatores: 42% estão dispostos a mudar seu comportamento de compra para ajudar a reduzir o impacto negativo no meio ambiente, segundo levantamento da Nielsen. E 30% estão mais atentos aos ingredientes dos produtos que levam para casa.

“Por trás de um hidratante, por exemplo, tem muito mais do que uma boa hidratação da pele. Tem uma embalagem mais sustentável, uma fórmula que não inclui testes em animais, ingredientes rigorosamente selecionados para garantir a segurança e muitas outras coisas. Há todo um racional técnico e de sustentabilidade envolvido”, diz Gustavo Dieamant, diretor de Produto & Desenvolvimento do Grupo Boticário, empresa referência no mercado em práticas sustentáveis e incentivadora do consumo consciente.

Produtos 100% veganos

A companhia, um dos maiores conglomerados de beleza do planeta, acaba de anunciar duas relevantes iniciativas que condizem com as expectativas desse consumidor mais engajado.

A primeira delas é a meta de banir, até 2025, o uso de matérias-primas de origem animal em todas as suas marcas (O Boticário; Eudora; Quem disse, berenice?; BeautyBox; Multi B; Vult; O.u.i). A partir deste mês, todos os lançamentos serão completamente veganos.

O trabalho vem sendo feito desde 2017, segundo Dieamant, e falta pouco para chegar ao portfólio totalmente vegano. Em 2020, 85% do desenvolvimento de produtos (mais de mil opções) já não contou com ingredientes de fonte animal e, nos próximos três anos, os 15% restantes vão passar por um processo de reformulação e adequação.

Para o diretor, a substituição de matéria-prima é certamente a parte mais desafiadora dessa jornada, porque requer um novo desenvolvimento de produto.

“É como começar do zero. Em algumas categorias é mais simples, como loções corporais. Em outras, porém, como a perfumaria, o trabalho é bem mais complexo”, esclarece. “E temos todo o cuidado de não alterar a entrega para o nosso consumidor, por isso são feitos muitos e muitos testes”.

Os desafios do Grupo Boticário

A cadeia de fornecimento também traz um pouco de dificuldade para essa transição, pois nem todo fornecedor está preparado. “Muitas vezes, ele não tem a nova matéria-prima que precisamos, mas a desenvolve especificamente para nós. E isso leva tempo”.

Embora seja desafiador, encabeçar a mobilização de toda a cadeia em busca de substâncias alternativas é também uma grande conquista para a empresa, que historicamente sempre teve essa postura vanguardista.

Dieamant conta que, hoje, quando um grande fornecedor oferece uma matéria-prima para o Grupo, já sabe que não deve ter origem animal e que precisa ser sustentável e ter todos os processos rastreados. “Aí, a gente vê que consegue mexer o ponteiro de maneira bastante significativa”, diz.

Nesse sentido, o maior ganho para a companhia é servir de inspiração para o mercado. “Como uma empresa grande que somos – e relevante diante da opinião pública –, percebemos que nossas ações podem mudar muita coisa. Por isso, o principal fruto desse projeto é transformar o mercado como um todo, conseguir motivar pequenas e grandes empresas a seguir o mesmo caminho”.

Uma relação de longa data

A meta do portfólio vegano é um marco para a companhia, mas o vínculo do Grupo Boticário com a sustentabilidade é bem mais abrangente e está embutido no seu modelo de negócios. A empresa é pioneira em metodologias alternativas e protagonista no mercado quando se trata de práticas responsáveis.

Há 21 anos o Grupo não realiza testes em animais, por exemplo, e exige o mesmo compromisso de seus fornecedores de matérias-primas e produtos acabados. Desde 2018, também tem certificações internacionais que garantem a não utilização de ingredientes de origem animal que sejam provenientes de sofrimento.

Para os testes, investe em soluções avançadas, como a criação de uma pele 3D, que replica células de pele humana em laboratório. Com ela, é possível identificar as chances de um cosmético provocar alergia ou irritação e, assim, avaliar a segurança e a eficácia do produto sem precisar de animais.

Economia circular

O comprometimento com a sustentabilidade se estende à outra extremidade da cadeia: o descarte correto da embalagem. A companhia tem o maior programa de reciclagem de embalagens do país em número de pontos de coleta – mais de 4.000 em 1.751 cidades. A ação está presente em 100% das lojas, onde o material de outras marcas também pode ser entregue.

De 2020 para 2021, 58% das embalagens desenvolvidas, o que representa 800 produtos, têm material reciclado e, consequentemente, reciclável (papel e plástico). Desse total, cerca de 215 itens trazem o PE verde, um tipo inovador de plástico cuja parte da constituição é bagaço de cana em vez de petróleo.

E 10% dos produtos contam com a opção de refil. “A quantidade de plástico usada para envolver o mesmo volume de produto é muito menor: uma redução de mais de 50%”, conta Dieamant.

O executivo alerta, no entanto, que trazer embalagens mais sustentáveis não significa necessariamente redução total no impacto ambiental.

“Afinal, se essa embalagem não voltar para ser reciclada, de nada adianta e ela continua no meio ambiente. Por isso todo o nosso trabalho de incentivo ao consumidor para que leve suas embalagens vazias às nossas lojas para serem recicladas”.

A companhia destina ainda 1% da receita líquida à Política de Investimento Social e Privado, que beneficia ações ambientais, sociais e culturais promovidas pelo Instituto Grupo Boticário e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Mais transparência, por favor

A outra grande novidade do Grupo Boticário é o lançamento da plataforma Beleza Transparente, que compartilha de forma clara e acessível tudo o que diz respeito à elaboração e fabricação de seus produtos, incluindo detalhes sobre cada uma das substâncias usadas nas formulações.

Ao dividir essas e outras informações, o objetivo é construir uma relação transparente e de confiança com o cliente, por meio do consumo consciente. Para que ele não só entenda o rótulo do cosmético que está levando para casa, mas também como foi todo o desenvolvimento daquele produto até chegar às prateleiras, desde a procedência sustentável das matérias-primas até a confecção da embalagem.

“E ser transparente não é necessariamente dizer que fazemos tudo perfeito, e sim de falar a verdade. Então, se algum ingrediente controverso está sendo discutido, dizemos que usamos, até quando, por que, em que situação e atestamos a segurança dele para o devido fim, ou assumimos o compromisso de substitui-lo até uma determinada data”, comenta Gustavo Dieamant.

Com podcasts, vídeos e conteúdos exclusivos também sobre outros assuntos do universo da cosmética, a plataforma tem ainda como intuito conduzir um movimento por mais transparência e sustentabilidade na indústria da beleza.

A iniciativa é mais uma etapa da campanha Uma Beleza de Futuro, que pretende ampliar o impacto positivo para a sociedade até 2030, por meio de 16 compromissos ambiciosos de sustentabilidade e responsabilidade social, alinhados com as ODS da ONU.

Fonte: Exame