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Bares e restaurantes se recuperam com queda de restrições

Associação do setor espera abertura total das atividades em todo o país até o fim deste mês

Por  Cibelle Bouças, Marina Falcão e Rafael Rosas 

Bares e restaurantes em todo o país apresentam recuperação mais forte a partir de junho com redução nas restrições de horário de funcionamento. A expectativa do setor é que os governos ponham fim a todas as restrições até o fim do mês, a despeito das preocupações da classe médica com as aglomerações nesses locais.

De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o faturamento nominal do setor em junho ficou igual ao registrado no mesmo mês de 2019. Já em valores reais houve queda. A expectativa do setor é que o faturamento real do segundo semestre se iguale ao de 2019, com o fim das restrições de horário.

Em junho, apontou a Abrasel, 56% das empresas tiveram prejuízo, ante 77% em abril. Além disso, 27% dos estabelecimentos não conseguiram pagar integralmente os funcionários, contra 49% em maio e 91% em abril.

A melhora acompanhou a ampliação do horário de funcionamento de bares e restaurantes. Atualmente, sete Estados operam sem restrições de horários (Espírito Santo, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul e Santa Catarina). Outros sete permitem o funcionamento até a meia-noite. Há 15 dias atrás eram quatro Estados sem restrições e seis com restrição até a meia-noite.

“Belo Horizonte e São Paulo vivem uma situação mais difícil porque ampliaram o horário há menos de duas semanas. O Nordeste vinha se recuperando bem, mas os governos foram mais rígidos em junho por conta das festas de São João. O Sul já tem uma recuperação mais rápida”, avaliou Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.

Em São Paulo, o fluxo de pessoas em bares e restaurantes está em 60% do nível pré pandemia, disse Joaquim Saraiva, presidente da Abrasel-SP. O faturamento está entre 60% e 80% do nível de 2019. “A delimitação de 60% de uso do salão impede uma recuperação mais rápida”, disse Saraiva. Apesar disso, o setor voltou a contratar em julho no Estado. Desde o início da pandemia, o setor, que empregava 1,2 milhão em São Paulo, demitiu 300 mil. No Estado, foram fechados 50 mil estabelecimentos, de 200 mil.

No Rio de Janeiro, o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio) informou que o faturamento do setor em junho foi 25% menor em relação a 2019. O presidente do sindicato, Fernando Blower, observou que o Rio estendeu o horário de funcionamento de bares e restaurantes para as 23h em abril, o que ajudou na recuperação gradativa do faturamento do setor. Mas as restrições no número de clientes no salão segue afetando as empresas. Blower estima que o setor opera com 20 mil vagas a menos do que em março de 2020. O executivo estima que a recontratação de pessoas se dará no mesmo ritmo de recuperação do faturamento do setor.

Em Belo Horizonte, de acordo com a Abrasel-MG, 3,5 mil de 12 mil estabelecimentos fecharam as portas na pandemia. E 30 mil de 72 mil empregados com carteira foram demitidos. O setor negocia com a prefeitura ampliação do horário de funcionamento de bares e restaurantes para além das 22h.

Em Pernambuco, 40% dos bares e restaurantes fecharam as portas na pandemia, em torno de 7 mil estabelecimentos. Os que sobreviveram estão endividados. “Acredito que levará pelos menos dois anos para o setor regularizar seu fluxo de caixa”, disse André Araújo, presidente da Abrasel em Pernambuco. Araújo disse que cada hora a mais de funcionamento gera impacto relevante no fluxo de caixa. Araújo acrescentou que os bares estão com aparência de cheios apenas porque ainda operam com 50% da capacidade, por restrição do governo. “Percebemos que há sim uma maior disposição do consumidor sair de casa, e até mesmo no compromisso com os protocolos de segurança, mas é uma reabertura ainda insípida”, lamentou.

No Brasil, de acordo com a Abrasel, 27% das empresas planejam contratar mais funcionários nos próximos três meses, tendo em vista o fim das medidas restritivas. O setor fechou 1,3 milhão de vagas com carteira assinada durante a pandemia. A entidade estima que de 400 mil a 600 mil postos de trabalho serão reabertos até o fim do ano. Desde março de 2020, de 6 milhões de bares e restaurantes no país, 335 mil fecharam as portas.

Fonte: Valor Econômico