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Arezzo&Co compra Carol Bassi e entra na moda feminina

Empresa paga R$ 180 milhões pela marca e planeja a abertura de 15 a 20 lojas nos próximos dois anos

Por Geraldo Samor

Em meio a especulações sobre uma possível oferta pelo Grupo Soma, a Arezzo&Co fechou na madrugada de hoje a aquisição da marca Carol Bassi, colocando a companhia dos Birman pela primeira vez no vestuário feminino.

A Arezzo está pagando R$ 180 milhões — em dinheiro e ações — com a maior parte desembolsada em até um ano depois do fechamento da operação. Outros R$ 40 milhões poderão ser pagos a título de earnout se a marca atingir certas metas entre 2022 e 2025.

Carol Bassi e seu marido, Caio Campos, que administra o negócio e tem 25 anos de experiência em moda, ficarão vinculados à marca no mínimo pelos próximos quatro anos.

“A Carol é a síntese da mulher independente, self made, digital e 100% criativa,” o CEO Alexandre Birman disse ao Brazil Journal. “Chegamos, em excelente companhia, ao vestuário feminino.”

A marca vai faturar R$ 58 milhões este ano, com R$ 36 milhões vindo de sua única loja física, no Shopping Cidade Jardim — o maior faturamento por loja de que se tem notícia entre as marcas independentes.

Outros R$ 15 milhões vêm de 90 lojas multimarcas e de uma loja pop-up que abriu em outubro no Village Mall, no Rio. O EBITDA deste ano será de R$ 22 milhões, no que Birman disse ser “a maior margem do setor.”

Para 2022, a Arezzo&Co espera que a marca faça R$ 110 milhões de receita — um crescimento de 100% — com EBITDA de R$ 30 milhões.

Em seu Investor Day agora de manhã, a Arezzo&Co vai dizer ao mercado que espera abrir de 15 a 20 lojas Carol Bassi nos próximos dois anos, além de desenvolver as categorias de calçados e bolsas para a marca — com price points de R$ 890 e R$ 2 mil, respectivamente — e abrir mais portas para Carol no canal multimarcas.

A marca ainda não tem um site de ecommerce independente, mas cerca de R$ 20 milhões das vendas já são feitas pelo Whatsapp, principalmente para clientes da loja do Cidade Jardim.

Essa comunidade digital é formada por 55 grupos de Whatsapp que mais de 8 mil mulheres usam para ficar em contato direto com as vendedoras. (Os grupos são atualizados duas vezes por dia com os lançamentos da marca.)

“Uma grande oportunidade aqui será obviamente o ecommerce,” disse Birman.

O Instagram Carol Bassi Brand tinha 329 mil seguidores agora de manhã, e o perfil pessoal de Carol, 370 mil.

A empresária havia sido abordada primeiro pelo Grupo Soma, mas a Arezzo&Co atravessou a operação, em mais um sinal da concorrência crescente entre as duas empresas.

Além da aquisição da Carol Bassi, a Arezzo&Co deve apresentar no Investor Day a primeira coleção de roupas da Schutz, que chegará às lojas em março.

As duas iniciativas são parte da estratégia da empresa de ganhar share no mercado de vestuário feminino para as classes A/B, que movimenta R$ 15 bilhões por ano no Brasil — um mercado endereçável igual à soma dos dois mercados em que a Arezzo já atua: calçados e bolsas femininos A/B e vestuário masculino A/B.

No caso da Schutz, a empresa espera que a venda de roupas represente metade do faturamento total da marca até 2026.

A aquisição de hoje é o reconhecimento de uma jornada que começou quando a adolescente Anna Carolina Pellegrini Bassi ainda cuidava do visual merchandising da empresa dos pais, a Guaraná Brasil, antes de montar sua própria marca em 2014, no fundo de uma loja dos pais, na Alameda Lorena. Ela tinha quatro araras, uma mesa no meio, e muita vontade de trabalhar.

Numa entrevista à Forbes em outubro, Carol lembrou o começo difícil:

“Eu estava em um momento muito triste da minha vida. Tinha me separado, estava criando os meus dois filhos e trabalhando na empresa dos meus pais com amor e carinho. Mas eu não me sentia completa. Era como se eu estivesse acordando e dormindo sem muito propósito. Na vida, muitas vezes, a gente precisa de alguém que nos coloque em uma situação de risco, no sentido de ‘é o teu momento’. Vai e arrisca. E aí nós arriscamos. Resolvi montar a Carol Bassi. Sentei com a minha família, pra falar tudo isso. E não é fácil. Não é como se eu, de repente, descobrisse que queria ser arquiteta ou fotógrafa e iria navegar em outro oceano. Era o mesmo oceano, o mesmo trabalho — mas eu queria ter a minha marca. Eu sentia essa necessidade. O Caio (marido de Carol) falou: “Por que não? Uma marca com o teu nome, uma marca com o teu DNA, com o teu espírito, com a tua alma, com a tua luz.”

O resto é história:

“As pessoas não sabiam o meu nome. Eu não tinha um nome escrito na porta. Elas atravessavam a loja dos meus pais e procuravam: ‘cadê aquela moça que faz uns casaquinhos?’, ‘cadê aquela moça que faz um jeans’? Era muito boca a boca. As coisas foram acontecendo, e de repente eu me vi, em uma única loja, com um faturamento muito maior que a rede inteira dos meus pais; os meus pais transbordando de orgulho por essa conquista minha. Nunca vou esquecer o domingo em família que meu pai virou para mim e disse: ‘olha, está na hora de eu te entregar a chave da loja, tirar o meu time de campo e passar o bastão para você, porque de fato, você vai começar o seu próprio legado, com a Carol Bassi’.”

Carol tinha 40 anos à época. O Fato Relevante registra os nomes dos seus sócios na empresa que acaba de ser vendida: seu Arnaldo e dona Anna. O Itaú BBA assessorou Carol Bassi, que trabahou com o BMA.

Fonte: Brazil Journal