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AliExpress reforça logística para acelerar entregas na Black Friday

Companhia vai fretar seis voos para o Brasil a partir das datas comerciais

Por Karina Souza

AliExpress, plataforma de e-commerce controlada pelo grupo Alibaba e um dos maiores marketplaces do mundo, anunciou em coletiva de imprensa nesta terça-feira que vai promover mais esforços logísticos durante o festival 11.11 — tradicional data de compras na China — e a Black Friday no Brasil.

Além de descontos de até 80%, a companhia vai fretar seis voos para o Brasil (um a mais do que os tradicionais cinco voos) para atender à demanda no menor prazo possível. Atualmente, 80 voos são fretados semanalmente para atender às compras feitas em 220 países, segundo informações divulgadas na coletiva.

Além disso, a companhia contará, pela primeira vez, com vendedores brasileiros dentro da plataforma em 2021. O país é o único, na América Latina, em que isso é possível — nos demais, apenas vendedores de fora do país podem vender na plataforma. No ano passado, o faturamento no double eleven chegou a 74 bilhões de dólares nas plataformas Alibaba, o que equivale a mais de quatro vezes o e-commerce brasileiro inteiro ao longo de 2020″, diz Yan Di, country manager do AliExpress no Brasil.

Para garantir esse objetivo, o AliExpress passa a oferecer algumas comodidades ao público brasileiro: descontos de até 80% em produtos, a possibilidade de devolvê-los localmente — e não precisar enviá-los para a China — e a entrega de produtos vindos da China em até sete dias em território nacional.

No campo de pagamentos, cada vez mais valorizado por plataformas de marketplace, o AliExpress passou a aceitar o PIX como forma de pagamento, “como forma de se adaptar ao público brasileiro e à realidade brasileira”, diz Yan.

Aos vendedores, a companhia afirma que tem taxas competitivas em relação à concorrência, com uma comissão entre 5% e 8%,dependendo do tamanho de cada empresa. 

Entre as categorias mais vendidas, destacam-se vestuário, eletrônicos, produtos para casa e beleza. “Essas categorias já têm um impacto significativo no Brasil e a nossa expectativa é que outras entrem para ocupar esse espaço também”, disse Yaman Alpata, chefe do Marketplace da AliExpress no Brasil.

Apesar de não ter um centro de distribuição no Brasil, a companhia afirmou que “está muito satisfeita” com o envolvimento com os Correios para realizar entregas no país e, questionada a respeito de um possível interesse com a privatização do órgão, respondeu que “não comenta especulações de mercado”. Ainda no campo logístico, a empresa mantém parcerias com a Pegaki, empresa que conecta transportadoras, centros de distribuição, embarcadores e pontos de coleta. 

Crescer ainda mais

Questionado a respeito dos planos de crescimento no Brasil, Yan Di afirmou que a companhia tem mais usuários ativos por dia em seu próprio aplicativo do que os rivais Magalu e Americanas. A fonte para as informações é um relatório da consultoria de dados de aplicativos App Annie.

De acordo com as informações da consultoria, o AliExpress tem 4.752.660 usuários ativos por dia, enquanto o Magazine Luiza tem 3.056.440 e Americanas têm 2.798.830. Entre as fontes da consultoria para os dados, estão: dados anônimos e agregados de mais de 1 milhão de aplicativos, painéis de consumo e redes de anúncios. 

“Estamos olhando um ecossistema de como contribuir para o mercado brasileiro. Acompanhando essa operação, nossa tecnologia, nossa expertise, trazendo nosso trabalho e experiência da China para o mercado local”, disse Yan Di, country manager do AliExpress, em coletiva. 

Vale lembrar que maior número de usuários ativos não significa maior faturamento. O AliExpress não divulga informações por país, mas afirma que a operação brasileira ainda representa uma pequena parte do que a China é capaz de arrecadar — considerando o fator óbvio de quantidade de pessoas.

Para lembrar, Magalu cresceu 46% no segundo trimestre deste ano, com lucro líquido de R$ 258,6 milhões. E Americanas lucrou R$ 224,9 milhões no mesmo período, revertendo prejuízo do ano anterior.

Ainda assim, AliExpress está longe de ser insignificante no cenário nacional, comparado aos players cross-border. Dados da consultoria Conversion mostram que a plataforma de origem chinesa tem 31,9% do market share do e-commerce brasileiro, enquanto a Amazon (a rival “mais próxima” por ser uma empresa grande de origem não-latina) tem 15,6%.

Nesse cenário, o investimento do AliExpress em logística faz todo sentido: mesmo com presença fincada no país há três anos, a Amazon enfrentou como principal desafio justamente as questões logísticas e tributárias para avançar no país de forma mais acelerada.

Se depender do AliExpress, o avanço será cada vez mais significativo no país. “Não estamos olhando um aspecto, mas estamos olhando um ecossistema inteiro e avaliando como podemos contribuir para o mercado brasileiro. Unindo a nossa tecnologia e expertise às necessidades do público brasileiro, vamos avançar cada vez mais”, diz Yan. 

Fonte: Exame