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Squadra assume 100% da rede Imaginarium

17/06/2015 às 05h00

Por Adriana Mattos | De São Paulo

Dois anos e meio após se tornar sócia da rede Imaginarium, a gestora Squadra Investimentos ampliou sua fatia na companhia e adquiriu 100% da operação. As negociações com o fundador e sócio, Luiz Sebastião Rosa, foram concluídas há três semanas. A Squadra já tinha posição majoritária no negócio quando concluiu a aquisição da rede, apurou o Valor. As duas filhas do fundador e diretoras da rede de franquias de artigos de decoração e presentes ­ Cecília (da área de criação e produto) e Nanina (marketing) ­, também deixaram a empresa. As partes não informam valor da operação e a participação vendida. Segundo o contrato fechado em 2013, Rosa poderia sair da Imaginarium vendendo o controle do negócio até o fim de 2017, e decidiu exercer direito de saída agora. “Não é uma decisão fácil, mas era algo que eu já considerava desde a venda [da participação há dois anos]. A questão era determinar o momento certo, para que fosse feita uma transição tranquila, sem rupturas”, disse Rosa. “Varejo é um negócio que exige muito, é sangue e suor. Eu e minha mulher, Karin, [falecida em 2014] não queríamos que nossas filhas entrassem nisso sem a possibilidade de elas terem outras experiências. É algo difícil porque há uma relação emocional, mas [a saída] era prevista, tinha que acontecer”. Essa transição mencionada pelo fundador envolve mudança no conselho e na direção. O atual presidente da rede, Carlos Zilli, deixará a função executiva e ocupará a cadeira no conselho da empresa deixada por Rosa. O colegiado é formado por cinco membros. Para a presidência executiva, o conselho elegeu semanas atrás Newton Ribeiro, sócio da consultoria Visagio, que fez as primeiras aproximações, três anos atrás, entre a Squadra e Rosa. Para a função ocupada pelas filhas foi promovido Thiago Colares, gerente de marketing. Com a decisão, Rosa deve tocar um projeto em Florianópolis (SC), onde mora, chamado Sítio Educação Arte Coworking, criado para ser um centro de estudos nas áreas da arte, design e educação. As primeiras conversas com a Squadra aconteceram num outro ambiente para o varejo, diz Rosa, “no último ano em que o setor realmente cresceu”, diz. “Agora, minha saída acontece num outro momento”. “Eu não poderia entrar num ano com cenário externo pior”, diz Ribeiro, novo presidente, ao se referir ao ambiente econômico no país. Ele diz que a empresa tem trabalhado em duas frente principais para tentar driblar a crise no varejo: a redução de despesas, com ações como a revisão de contratos com fornecedores, e o desenvolvimento de um novo formato de lojas, chamado “fit”. São pontos que exigem menor investimento dos franqueados (cerca de R$ 130 mil, ou menos da metade de uma loja em shoppings com alto tráfego). Foram abertas quatro unidades nesse modelo e devem ser inauguradas mais três até o fim do ano, de uma previsão de aberturas de 30 pontos, em todos os formatos, em 2015. “Estamos buscando alternativas. Provavelmente, se o setor não estivesse em fase tão difícil, não desenvolveríamos esse novo modelo, com um custo, em média, cerca de 30% menor que as lojas da marca”, diz Zilli. A companhia prevê uma desaceleração no ritmo de crescimento, com alta nas vendas entre 5% a 10% em 2015, versus expansão de 15% no ano anterior. A Imaginarium é uma rede de franquias com 180 lojas e faturou cerca de R$ 190 milhões em 2014. A Squadra, gestora de recursos independente, foi criada em 2007 e administra R$ 4 bilhões em investimentos.

Valor Econômico – SP