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Mais capitalizado, Carrefour acirra disputa com GPA

18/12/2014 às 05h00

Por Adriana Mattos | De São Paulo

A entrada de um sócio investidor do peso de Abilio Diniz no Carrefour deve acirrar as condições da disputa no varejo, especialmente do Carrefour com o Grupo Pão de Açúcar, do Casino, comandado por Jean-Charles Naouri, ex-sócio de Abilio.

A operação do Carrefour surgirá mais capitalizada (caso parte dos recursos da venda de 10% das ações da rede fiquem mesmo na filial, como se cogita) e com Abilio na linha de frente das decisões estratégicas. O brasileiro deve ter cadeira no conselho de administração do Carrefour Brasil, a ser criado no próximo ano, segundo fonte. Tudo isso num cenário em que o Carrefour Brasil já está melhor estruturado do que no passado. A varejista desenvolveu novos modelos de operação e voltou a abrir maior volume de lojas neste ano.

O Carrefour é hoje a maior rede de varejo alimentar do país, à frente do GPA Alimentar, em termos de receita bruta, e além da chegada de Abilio, a rede se prepara para uma oferta pública inicial de ações (IPO) em 2015.

A sociedade com o Carrefour inaugura uma nova fase no varejo para Abilio, que por dois anos, entre 2011 e 2013, esteve em uma série de embates com Naouri. Os ataques públicos começaram após vir à tona o projeto de fusão de GPA e Carrefour Brasil, desenhado em 2010 por Abilio e proposto em 2011. Na época, após o vazamento do plano, o Casino alegava que Abilio havia planejado algo sem seu conhecimento, enquanto Abilio se defendia das acusações e falava num projeto de criação de algo maior no varejo local.

Abilio transferiu o controle do GPA em 2012, como definido em contrato, e deixou o conselho de administração em 2013. Desde então, ficou livre para voltar ao varejo a qualquer momento. Neste ano, vendeu o restante de suas ações, e da família Diniz, no GPA. Com a venda dos papéis em bolsa, apenas ele embolsou mais de R$ 5 bilhões.

Ao pagar pouco mais de € 500 milhões por 10% pelo Carrefour Brasil, calcula-se um valor de mercado para a operação brasileira da varejista de cerca de € 5 bilhões (R$ 16,7 bilhões). Análise de bancos estrangeiros obtidas pelo Valor consideram valor de mercado da subsidiária entre € 3,5 bilhões e € 4,2 bilhões.

Valor Econômico – SP