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Conheça a história de três empresários que continuam ativos após os 65 anos

31/10/2014 | 17h20

Pedro Machado
pedro.machado@an.com.br

Miguel poderia passear mais vezes de lancha. Antônio, sem problema algum, dedicaria mais tempo às viagens com a esposa e às pescarias com os amigos. Zefiro, se quisesse, passaria os dias tratando seus pássaros.

Os três são empreendedores, construíram empresas de sucesso e passaram dos 65 anos com uma poupança gorda o suficiente para realizar o que seria o sonho ideal de qualquer um: aproveitar o resto da vida fazendo aquilo que lhes dá prazer.

Mas eles ainda não largaram totalmente a rotina de escritório, reuniões e viagens – e reconhecem o quanto isso é difícil.

Miguel Abuhab

Miguel é Miguel Abuhab, que nasceu em São Paulo, mas fez carreira em Joinville. Caçula de oito irmãos de uma família de origem judaica, chegou à cidade catarinense em 1969, na época com 25 anos, para trabalhar na Consul. Em 1978, fundou a Datasul, que se transformou em uma das maiores empresas de desenvolvimento de softwares para gestão do País.

Em 2008, a Datasul foi incorporada por outra gigante do setor, a Totvs, em uma transação avaliada, na época, em R$ 700 milhões. Miguel se tornou conselheiro da Totvs e passou a dedicar mais tempo a uma nova aposta, a Neogrid, que logo virou líder nacional em gestão de cadeia de suprimentos.

Considerado por muitos um futurista, ele conta que uma das coisas que mais o realizam profissionalmente é contribuir para o desenvolvimento e a competitividade das empresas. Essa é uma visão que ele carrega desde o início da carreira.

— Faço a mesma coisa que fazia quando entrei na Consul — minimiza.

Ao contrário de Antônio e Zefiro, Miguel, apesar de ainda ser bastante atuante nos negócios da Neogrid, já mira uma aposentadoria. Só ainda não sabe ao certo quando. Aos 69 anos, ele treina executivos para colocarem em prática suas ideias e diminuiu sua participação no comando.

— Já não assino mais documentos pela empresa — revela.

O expediente já é mais reduzido. Raramente ele aparece na Neogrid na parte da manhã, período que ele diz usar para cuidar de si – com uma sessão de academia ou de musculação, por exemplo. Mesmo assim, Miguel admite que é difícil conceber a ideia de simplesmente parar de trabalhar.

— Se aposentar, para quem fez grandes empreendimentos, quem obteve sucesso, é diferente. É mais difícil.

***

Antônio Koerich

Antônio é Antônio Koerich, o presidente da rede de lojas que leva seu sobrenome e que almeja terminar o ano com 100 unidades em Santa Catarina. Ele tinha dez anos quando começou a trabalhar. Aos 19, virou sócio da fiambreria da família.

A entrada no segmento de móveis e eletrodomésticos só ocorreu em 1964. Hoje, aos 78 anos, ele dá expediente todos os dias na sede da empresa varejista, em Florianópolis.

— Não abro mais a empresa, mas sempre fecho — conta o empresário, que há pouco tempo se deu ao luxo de não trabalhar mais aos sábados.

As lojas tomam a maior parte do tempo de Antônio, mas ele também tem ligação com outros negócios – é acionista de uma empresa de financiamentos e investimentos, diretor de outra de participações e sócio-fundador de uma terceira de empreendimentos imobiliários.

Para manter a disposição, pratica pilates há dois anos e, eventualmente, dispensa o elevador do prédio onde fica a sede do Koerich porque, segundo ele, “subir e descer escadas fazem bem”.

Apesar de estar passando por um processo de profissionalização na gestão, o comando do Koerich ainda é familiar. Três gerações da família ocupam cargos na administração, tudo sob os olhares atentos de Antônio, que diz não imaginar a hora de parar.

— O que me motiva é gerar empregos, me sentir útil, gerar algo positivo para a sociedade. O resultado não é só financeiro, mas uma realização pessoal. Não existe um limite para eu me afastar. Se eu pensar nisso, acho que vou ficar doente — conta.

***

Zefiro Giassi

Zefiro é Zefiro Giassi, fundador e atual presidente da rede de supermercados catarinense que tem o sobrenome da família. Ele começou a trabalhar aos seis anos com os pais na agricultura e chegou a trilhar carreira no magistério, mas o baixo salário pago para a função nos anos 50 o fez migrar para o comércio.

Não poderia ter tomado melhor decisão: enquanto os professores continuam ganhando mal até hoje, ele criou um dos principais grupos varejistas do Estado.

Aos 81 anos, Zefiro continua sendo um executivo bastante ativo – acorda quase todos os dias às seis horas da manhã e só volta para casa à noite. Ele gosta de visitar as lojas da rede espalhadas pelo Estado pessoalmente.

Em alguns casos, chega a acordar às três horas da madrugada para ir de carro até as unidades que ficam em cidades mais distantes de Içara, onde mora.

Nessas visitas, ele costuma percorrer os corredores das lojas e identificar o que precisa ser melhorado. Em seguida, repassa as instruções para os gestores das unidades para que eles providenciem as mudanças – ele admite que não gosta de dar ordens diretas.
Nos últimos tempos, porém, essa tem sido uma missão cada vez mais complicada.

— Como já estamos com 14 lojas, é um pouco mais difícil estar em todas sempre —lamenta.

Assim como o Koerich, o Giassi está em processo de profissionalização da gestão. Apesar de ser o executivo número um da empresa, Zefiro já delega algumas atribuições que antes eram suas. Isso, no entanto, não o faz pensar em aposentadoria.

— Não consigo ficar sem fazer nada. Se eu morrer trabalhando, seria minha maior alegria.

A NOTÍCIA

A Notícia (Joinville) – SC