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Se lojas não fecharem, varejo de vestuário crescerá 25% em 2021

Novas medidas de isolamento social, por causa do coronavírus, podem fazer o setor rever projeções

O setor têxtil e de confecções prevê crescimentos expressivos em 2021, mas pondera que a recuperação pode ser afetada por uma segunda onda da pandemia de covid-19. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) projeta aumento de 25% nas vendas de vestuário em 2021, em relação a este ano, para 6,2 bilhões de peças. Em valor, a alta estimada é de 26,2%, para R$ 228,9 bilhões.

Em 2020, as vendas de vestuário terão queda de 20,2%, para R$ 181,4 bilhões. Em volume, a redução estimada é de 20,6%, chegando a 5 bilhões de peças. “Se o governo fizer um ‘lockdown’ [confinamento] rigoroso das atividades comerciais, como ocorreu de abril a junho, nossos números terão que ser revistos. O fechamento de lojas vai ser desastroso para o setor. É algo que pode acontecer, mas espero que não aconteça”, afirmou o presidente da Abit, Fernando Pimentel.

O executivo considera que o primeiro trimestre será crítico, devido às incertezas sobre o impacto da segunda onda da pandemia às incertezas políticas com a troca de representantes na Câmara dos Deputados e no Senado.

Mesmo sem incluir esses fatores, Pimentel estima queda no setor no primeiro trimestre, por causa do fim da distribuição do auxílio emergencial e da recuperação lenta no nível de empregos.

“Por outro lado, se o governo decidir prorrogar o auxílio emergencial, as vendas podem até ser maiores do que estamos prevendo hoje”, disse Pimentel. Ele ponderou, no entanto, que mesmo se o governo prorrogar o auxílio emergencial, deve colocar menos dinheiro nesse esforço. “No caso de um novo ‘lockdown’, o setor pode cair até mais do que em 2020, porque as pessoas terão menos renda”, afirmou.

A Abit estima que a produção de vestuário no país crescerá 23% em volume em 2021, para 5,81 bilhões de peças. Se atingir esse volume, a produção volta ao nível de 2016. Em valor, a alta esperada é de 24,3%, para R$ 152,1 bilhões – o mesmo faturamento de 2019. Neste ano, a produção de vestuário deve registrar queda de 18,9% em valor, para R$ 123,3 bilhões, e de 19,9% em volume, para 4,76 bilhões de peças.

Já a produção têxtil crescerá 8,3% em volume em 2021, chegando a 2,03 milhões de toneladas, segundo a Abit. Em valor, a produção deve alcançar R$ 55,3 bilhões em 2021, com alta de 10,4%. Em 2020, a produção têxtil deve movimentar R$ 50,1 bilhões, com queda de 5,8%. Em volume, a queda neste ano será de 8,8%, para 1,87 milhão de toneladas.

Em relação ao número de empregos, a Abit espera para o próximo ano uma geração líquida de 25 mil postos de trabalho. Neste ano, o setor prevê encerrar dezembro com redução de 39 mil postos de trabalho formais. Em 2019, o setor empregava 1,5 milhão de pessoas.

“A recuperação do emprego acontece de uma forma mais lenta do que a produção e as vendas. Mas temos notícias de que as indústrias estão contratando e algumas estão com dificuldades para encontrar profissionais qualificados disponíveis”, disse Pimentel.