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Varejistas implantam ‘operação de guerra’

O varejo precisou reorganizar parte de sua estratégia de distribuição para conseguir atender a venda on-line, em muitos casos, a única que ainda opera após o fechamento das lojas físicas. A medida, determinada pelos governos, visa forçar a quarentena e conter a disseminação do novo coronavírus. Redes de varejo montaram, nas palavras de um executivo do setor, uma “operação de guerra” para migrar estoques e reorganizar a malha logística para atender os sites.

Há casos de empresas, como o Magazine Luiza, que estão usando os estoques de lojas físicas fechadas para atender a demanda do on-line. Há outras redes, porém, que desistiram da venda no site pela dificuldade de administrar todos os canais. É o caso de redes médias de supermercados.

Com a necessidade de montar planos de emergência, há varejistas que, em apenas quatro dias, pressionadas pelos rumores da semana passada de risco de fechamento dos shopping centers, transferiram estoques de lojas de shoppings para os seus centros de distribuição. Os shoppings acabaram sendo fechados – há 95% dos 580 empreendimentos nessa situação no país.

Toda essa reorganização é fundamental para manter as atividades de setores que vendem produtos que ainda têm maior demanda, mesmo após o início da crise causada pela epidemia da covid-19. São encomendas feitas pela internet. Isso ocorre no varejo eletroeletrônico e itens de informática, como notebooks, e material de escritório, com alta na venda de certos itens, caso dos brinquedos.

Em reunião ontem, com os 70 associados do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), o setor incluiu na pauta de solicitações aos governos federal e estadual, que estão sendo encaminhadas no início desta semana, um pedido para liberar os estoques de produtos parados nos shoppings.

Não é possível acessar as lojas sem liberação dos órgãos públicos, por causa do decreto de fechamento dos empreendimentos pelos Estados. Há cerca de 570 shoppings fechados, com milhares de produtos estocados nas lojas.

Sem ter acesso a esses produtos já comprados dos fabricantes, o varejo teria que voltar a comprar mercadorias que têm tido maior demanda, mesmo com parte deles em estoque nos shoppings. O Valor apurou que a Ri Happy fez essa transferência de estoques de lojas de shoppings para nove unidades físicas. Como são lojas de rua, os itens poderão ser redirecionados para o on-line, que representa 8% do faturamento da companhia.

A Logbee, empresa de logística do Magazine Luiza, tem acesso às lojas por meio de pequenos caminhões que retiram as mercadorias e não tem limitação para circular pelas capitais. O Valor apurou que a área das lojas para estocagem aumentou nos últimos dias. A empresa já operava com lojas no modelo de “mini-hubs” (estoque para atender sites) em uma área determinada dos pontos de venda.

Na Via Varejo, dona da Casas Bahia e Ponto Frio, a empresa passou a fazer as entregas de pedidos on-line a partir dos estoques dos seus centros de distribuição, sem precisar do estoque das lojas físicas.

Mas, há expectativa de que a queda na confiança do consumidor prejudique as vendas de bens duráveis, diz Roberto Wajnsztok, fundador da consultoria Origin5.

Uma fonte do setor de logística expressa disse que no fim de semana as vendas das principais lojistas on-line foram muito baixas. Disse ainda que o receio de demissões e redução de salários fará os clientes comprarem apenas o essencial e evitar os supérfluos.

As pessoas estão dando preferência à compra de alimentos, higiene pessoal e saúde pela internet. Na linha branca e artigos esportivos, as vendas desabaram, principalmente em vestuário.

“O estresse de executivos do varejo em São Paulo e Rio de Janeiro está altíssimo. Este será um momento importante para consolidar as operações de e-commerce”, afirmou Wajnsztok.

Armando Marchesan Neto, presidente da Sequoia Logística, disse que poucos varejistas estavam preparados para o fechamento das lojas. “A demanda para entregas são principalmente de produtos relacionados a saúde e alimentos. Com o fechamento das lojas físicas, uma parcela das vendas pode migrar para o online.”

As maiores varejistas de bens duráveis do país conseguiram transportar parte de seus estoques nas cidades onde as operações já estavam para fechar, como São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Depois de atingir seu recorde de entregas na segunda-feira passada, a startup Kangu, que trabalha com uma rede de distribuição de produtos comprados pela internet formada por pequenas lojas, viu o movimento cair entre 30% e 35%, segundo Ricardo Araujo, sócio-fundador da companhia. Segundo Araújo, a companhia já imaginava que o Brasil seria bastante atingido pelo surto do coronavírus, mas a avaliação é que isso demoraria um pouco mais para acontecer, algo como umas duas semanas.

“Tivemos que mudar a empresa em 24 horas”, diz o executivo. Com a determinação de fechamento de bares, restaurantes e outros estabelecimentos em São Paulo, a empresa ficou com pet shops, mercados, cafés, lojas de produtos naturais e distribuidores de água em operação. São 250 pontos de um total de 850. Com isso, a solução foi usar a rede de distribuidores autônomos e de pequenas transportadoras para fazer entregas em horários pré-determinados em algumas regiões. São mais de 300 desses pontos móveis.

Com 40 funcionários e 850 pontos cadastrados na região metropolitana de São Paulo e cidades como Campinas e Curitiba, a Kangu tinha acabado de fechar uma rodada de investimento de R$ 6 milhões liderada pelo fundo argentino NXTPbsp;

Fonte: Valor Econômico