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A saga da Riachuelo para lançar uma coleção em meio à crise

Para lançar coleção na pandemia, Riachuelo reaproveita matéria-prima e abraça produção mais sustentável

A varejista de moda Riachuelo acaba de lançar sua coleção de verão, como faz todos os anos. Mas, desta vez, elaborar as peças e conseguir ter os produtos nas lojas envolveu um desafio a mais. Em meio à pandemia, a Riachuelo precisou mudar processos e aproveitar melhor a matéria-prima disponível.
A necessidade de buscar mais eficiência veio devido às rupturas na cadeia produtiva do setor têxtil e também pela dificuldade de importação de alguns tipos de tecido em um período em que o comércio internacional ficou comprometido.

Com as pessoas trancadas em casa e as lojas fechadas, o setor de moda foi um dos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Agora, com a gradual retomada da economia, fabricantes têm relatado dificuldades para comprar insumos no mercado doméstico, o que pode comprometer a oferta de vestuário no país.

“A cadeia produtiva de moda sofreu uma interrupção, desde o algodão e das fibras sintéticas até a fábrica. Tivemos que trabalhar de forma criativa e recriar a partir do nosso estoque”, afirma Elio Silva, diretor executivo de marketing da Riachuelo. Na visão dele, não há motivo para pânico no setor. “A crise que vivemos no setor é temporária. É um momento de retomada das cadeias e é natural que haja problemas, é uma cadeia longa que precisa ser religada”, diz.

Para criar a coleção nesse contexto, a Riachuelo mudou sua forma de trabalhar. “Invertemos o processo. Em vez de desenhar a coleção sem me preocupar com a matéria-prima, passamos a levar a equipe de criação para ver o que temos disponível e, a partir daí, criar peças que usem melhor esse material. É um processo que vai da matéria-prima ao produto e não o contrário”.

A meta era aproveitar ao máximo os recursos disponíveis. Além de olhar para os tecidos em estoque, a equipe de design da Riachuelo também precisou aproveitar materiais de acabamento que estavam estocados. “Querer fazer um monte de coisa nova é fácil. Mas tínhamos o desafio de buscar esse material, que só estava precisando de um olhar criativo”, afirma.

Em meio às restrições da pandemia, a pesquisa de tendências também precisou se adaptar. Se antes a equipe de pesquisa visitava outros países em busca de tendências, desta vez a pesquisa precisou ser feita de forma remota. “Quando fomos apresentar a coleção, teve gente chorando de emoção”, diz Silva.

O desafio foi tão significativo para a empresa que a Riachuelo decidiu fazer uma websérie para contar como foi produzir a coleção durante a pandemia. O primeiro episódio já está no ar no canal do Youtube da marca.

Mais sustentável

A mudança na forma de pensar a coleção deve deixar sua marca no modelo de produção da Riachuelo. “Esse é um comportamento que veio para ficar. Queremos ter cada recurso com o máximo de aproveitamento. Já trabalhamos com processos sustentáveis de tingimento e lavagem. O próximo passo é usar de forma responsável essa matéria-prima, que consome recursos da natureza.  Não queremos que o descarte ocorra”, afirma Silva. É, portanto, um caminho para aproximar a companhia de um modelo mais sustentável de produção.

Usar mais a matéria-prima disponível também deve ser uma estratégia bem-vinda para os números da empresa, duramente afetados pela pandemia. A Guararapes, dona da Riachuelo, terminou o segundo trimestre com prejuízo de 296,2 milhões de reais e redução de mais da metade da receita líquida, que foi de 1,8 bilhão de reais no segundo trimestre de 2019 para 885,8 milhões no segundo trimestre de 2020.

As ações da Guararapes caíram 44% desde março, quando teve início o isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus. No período, o Ibovespa acumulou queda de cerca de 6%, após despencar e se recuperar nos últimos meses.

Além de buscar um processo de produção mais sustentável, a Riachuelo também aposta em diversificação. No início do mês, a rede inaugurou a primeira loja Casa Riachuelo exclusiva para artigos de decoração, no Shopping Ibirapuera, em São Paulo. Outras quatro inaugurações estão previstas para ocorrer até o fim do ano.

“É um segmento que movimenta alguns bilhões, que está em crescimento e no qual já temos tradição. Esse é um setor que não tem um player nacional dominante e acreditamos que podemos ocupar um espaço relevante”, diz Silva.

Fonte: Exame