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Restoque demite e Inbrands pode vender VR

A Restoque, dona de marcas como Dudalina e Le Lis Blanc, demitiu 26% no total de colaboradores durante a pandemia, informa em material de resultados publicado na noite de segunda-feira, sem mencionar números. O Valor apurou com duas fontes que a demissão atingiu 1,2 mil pessoas. Outra companhia do setor, a Inbrands, que controla Ellus e Salinas, pode se desfazer da marca VR, segundo negociação com credores. O setor de moda, em que atuam, é um dos mais afetados pela crise do varejo.

No caso dos desligamentos na Restoque, até o momento, é a maior redução informada no setor varejista entre as empresas abertas – na área de serviços, a IMC, focada em restaurantes, demitiu cerca de 2,1 mil em março.

Após o corte, o quadro de pessoal da Restoque atingiu 3,5 mil empregados. Segundo o material publicado na segunda-feira, por conta de uma baixa no valor da Dudalina, reflexo da desvalorização do ativo, e de provisões, o prejuízo atingiu R$ 1,4 bilhão de janeiro a março, versus perda de R$ 13 milhões um ano antes. Sem incluir baixa e provisões, a perda teria sido de R$ 47,2 milhões.

Esse ajuste precisa se feito porque a empresa acreditava que teria um ágio por rentabilidade futura de diversos negócios adquiridos, desde 2011, no valor de R$ 1,6 bilhão. Mas após a pandemia, por causa da desvalorização da Dudalina, acha que esse valor é de R$ 958 milhões. A diferença tem efeito direto sobre o lucro, mas não tem efeito caixa, diz a rede. Fundada pela família Hess, a Dudalina se uniu à Restoque em 2014.

Com seis marcas e cerca de 250 lojas, a empresa está em recuperação extrajudicial desde junho, após plano que teve adesão de 82% dos credores – a dívida financeira atinge R$ 1,5 bilhão.

Segundo o CEO da Restoque, Livinston Bauermeister, nos últimos meses foram adotadas medidas “para otimização de sua estrutura e preservação do caixa”, e entre elas, além da demissão, está a redução de jornada e remuneração de 25% a 40% e suspensão de contratos de funcionários de lojas, fábricas e centros de distribuição por dois meses.

“Começamos bem o ano, e antes da pandemia, de 1º de janeiro a 11 de março, as vendas subiam 7%, o fluxo de loja, 19% e o volume, 8%. Mas de 11 a 21 de março, ficamos com todas as lojas fechadas e tivemos que tomar medidas difíceis”, disse Bauermeister em teleconferência. De janeiro a março, a receita caiu 16,7% para R$ 209 milhões.

Parte das medidas foram tomadas antes da gradual retomada nas vendas, que se intensificou após maio. Hoje, há 195 lojas reabertas e a demanda tem se acelerado em ritmo superior ao previsto. “No segundo trimestre, foram atingidas vendas maiores do que divulgávamos [antes], chegando a um total de vendas de 30% do volume de 2019, mesmo com uma base de comparação forte”, disse ele.

Sobre as lojas próprias, afirmou que houve unidades reabrindo com 25% a 30% da venda de um ano atrás, mas que esse índice já atingiu 50% – em casos específicos foi a 70%. Bauermeister antecipou que a empresa projeta queda de 37% nas vendas de 2020.

Também na noite de segunda-feira, a Inbrands publicou seus dados do primeiro trimestre, e cita negociações com debenturistas que podem levar à venda da marca VR. Nas notas explicativas do balanço, a Inbrands disse que na última assembleia geral de debenturistas, em 25 de junho, foi deliberado a liberação de R$ 10 milhões bloqueados em recebíveis de cartão e a dispensa temporária do atendimento do índice mínimo de garantia, previsto no contrato de cartão. Mas diz que “as aprovações se deram sob a condição essencial da potencial celebração, caso assim aprovada pelos debenturistas, de contrato de garantia de alienação fiduciária das marcas “VR” a ser incluído nas deliberações da próxima AGD”. A discussão deve ser retomada em julho.

No relatório, a empresa ainda mencionou uma renegociação com os credores financeiros, bancos, fundos e debenturistas para a postergação de pagamentos. São R$ 527 milhões em empréstimos e financiamento totais.

A empresa teve queda de 40% na receita líquida de janeiro a março, para cerca de R$ 90 milhões. A empresa é dona de marcas como Ellus, Salinas e Richards. O prejuízo líquido mais que dobrou, de R$ 18,8 milhões para R$ 45,4 milhões.

Ao contrário da Restoque, a Inbrands disse que decidiu não fazer baixas relativas ao valor de seus ativos no trimestre, mas que, por causa da crise, decidiu revisar o seu plano estratégico. Para isso, considerou cerca de 40% de redução de lucro bruto e queda de 20% das despesas, sobre o que era projetado no orçamento do ano.

Fonte: Valor Econômico