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Varejo brasileiro: resiliência, regionalismo e atraso digital

A edição de 2017 do Ranking das 300 Maiores Empresas do Varejo Brasileiro da SBVC, elaborado a partir dos dados de 2016, permite aprofundar diversas análises sobre as médias e grandes empresas do varejo brasileiro e seu comportamento durante a crise 2015-2016. O estudo mapeou empresas de todos os segmentos de varejo com faturamento acima de R$ 216 milhões/ ano, que inclui 107 gigantes com faturamento acima de R$ 1 bilhão/ ano. Há empresas que operam entre uma e quatro mil lojas (do Andorinha ao Boticário), entre um e vinte e sete estados. As trezentas empresas respondem por 40% do varejo brasileiro.

Resiliência e enfrentamento da crise – a edição de 2016 do Ranking já havia revelado que, apesar do cenário negativo para o varejo em 2015, boa parte das médias e grandes empresas haviam mostrado resiliência. Os dados de 2016 reforçam esta análise. Números referentes a 233 empresas do ranking revelam crescimento nominal consolidado de 8,2% sobre 2015 (contra crescimento nominal de 4,5% do varejo brasileiro no mesmo período). O mais relevante é que 82,4% das empresas tiveram aumento nominal de vendas, contra 16,7% que apresentaram queda em 2016.

Em relação a expansão, amostra de 236 empresas mostra que a base de lojas terminou o ano de 2016 em número 3,0% maior do que começou. Em 51% das empresas houve aumento na base de lojas, 32% mantiveram o número de lojas e somente 17% apresentaram redução.

A venda por funcionário aumentou 0,8% (em base de 213 empresas), resultado da agenda de eficiência e produtividade implantada por boa parte das empresas no varejo brasileiro. Amostra de 213 empresas mostra aumento médio de 4,2% de empregados, com 53,1% das empresas tendo ampliado quadro e 40,8% apresentando redução no período.

Ou seja, o varejo brasileiro não parou, apesar da forte crise que provocou queda de consumo e destruição de confiança. Os dados tornam-se ainda mais representativos ao se analisar os 50 maiores grupos empresariais, que representam 27% do varejo no Brasil: eles alcançaram crescimento de vendas de 9,5%, expansão de base de lojas de 5,1% e aumento de quadro de funcionários de 1,6%.

A força do varejo regional – o mercado brasileiro é extenso, complexo e apresenta elevados graus de concentração geográfica e demográfica. Isto torna muito difícil a expansão de redes de varejo em âmbito nacional e a penetração em municípios de menor potencial de consumo. O varejo brasileiro ainda é predominantemente ocupado por empresas regionais. Das 300 maiores, 133 só operam em um estado, 171 em até três estados e somente 85 em mais de dez estados. As proporções mudam entre os 50 maiores grupos, mas ainda mostram forte regionalismo: 11 deles só operam em um estado, 20 em até 5 estados e 25 acima de 10 estados. O aspecto importante é que 12 dos 50 maiores grupos já possuem operação em 27 estados.

Atraso no e-commerce – um destaque negativo do ranking é o ainda elevado número de empresas que não possuem operação de e-commerce. Das 300 maiores, somente 119 (40%) vendem online. O número é fortemente impactado pelo varejo alimentar: apenas 18 das 144 maiores redes de supermercados (12%) e 4 das 16 maiores de food service (25%) possuem operação de e-commerce. Mesmo nos segmentos de varejo não alimentar, que apresentam maior índice de presença digital, apenas 97 das 140 empresas (69%) vendem online. Quase 80% da população economicamente ativa já compra online no Brasil. Os consumidores estão se movimentando mais rapidamente que o varejo, que já deveria estar avançando em processos de transformação digital e ainda está em grande parte fora do comércio eletrônico.

O vigor do franchising: as características do mercado brasileiro anteriormente descritas, somadas ao traço cultural de empreendedorismo, tornam o franchising modelo de negócio aderente e de potencial crescente. Das 300 maiores, 41 empresas possuem operações relevantes de franchising (ou modelos de licenciamento em rede). O Ranking da SBVC vem revelando o potencial e relevância do franchising, ao classificar as empresas pela venda consolidada das redes (sell-out) e não pelo faturamento das franqueadoras (sell-in). Com isso, revela-se que 21 redes de franchising têm faturamento consolidado acima de R$ 1 bilhão.

Os números do Ranking ressaltam o amadurecimento do varejo brasileiro, a capacidade de enfrentamento da crise que as médias e grandes empresas tiveram e o ganho de produtividade que deixará legado positivo quando a demanda se recuperar. De outro lado, revelam um preocupante atraso na integração do mundo digital aos negócios dos principais varejistas brasileiros, que precisam acelerar a agenda de transformação digital de seus negócios. Em síntese, o curto prazo está bem encaminhado, já o longo prazo nem tanto.

Fonte: O Negócio do Varejo

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