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Lojas em crise têm dificuldade para reagir

Levantamento do Credit Suisse mostra que nenhuma rede de varejo classificada no início do ano passado pelo banco como empresa “red flag” – em difícil situação financeira – conseguiu melhorar sua condição e sair desse grupo. O banco elaborou relatórios no início e no fim do ano passado, com base em dados de 150 cadeias, de capital aberto e fechado, que representam 30% do total de lojas nos shoppings centers de grupos de capital aberto no país.

“Nenhuma das redes classificadas como ‘red flags’ se recuperou […]. Parece que uma vez que a empresa se encontre nessa condição grave, as chances de reabilitação são pequenas”, escreveram os analistas Nicole Hirakawa, Luis Stacchini e Vanessa Quiroga. Foram avaliados segmentos de varejo alimentar, moda e eletrônico. O relatório foi publicado no domingo.

Segundo o banco, as cadeias classificadas pelo banco como “yellow flags”, em situação um pouco melhor, com dívidas totais protestadas de, pelo menos, R$ 500 mil no início do ano, conseguiram sair mais facilmente desse grupo. O relatório, com 40 páginas, mostra que 20% das lojas “yellow flags” se recuperaram ao longo de 2016 e passaram para um patamar mais saudável, isso quer dizer, migraram para o conjunto das “green flags”, com dívidas não vencidas e baixa alavancagem.

Além disso, 4% das redes consideradas “yellow flags” tiveram uma piora em seu quadro em 2016 e passaram a ser consideradas varejistas em má situação financeira (“red flags”). Na análise, também entram indicadores como lucro operacional e dívida líquida.

O banco verificou que o número de varejistas em má situação financeira (“red flags”) passou de 6% do volume total no primeiro trimestre de 2016 para 7% no fim do ano passado. Apesar da elevação, não houve uma disparada no índice, o que pode indicar baixo risco de um piora acelerada no indicador. “Com a expectativa de alguma melhora da atividade econômica em 2017, nós acreditamos que poucas marcas ainda irão entrar nesse [grupo] das ‘red flags'”, afirmam os analistas.

O total de varejistas “yellow flags”, ainda em situação delicada, subiu de quase 18% do total no começo de 2016 para pouco mais de 19% em dezembro.

Já o total de varejistas no quadro mais confortável (“green flags”) caiu de 76% para 74% da amostra.

Apesar da alta pequena, de 6% para 7% no grupo das mais endividadas, o banco conseguiu identificar esse aumento por meio da entrada de quatro redes de varejo nesse conjunto de empresas no ano passado. Essas redes somam 127 lojas. Os analistas não informam quais são essas cadeias. Pelos critérios de endividamento usados no relatório, elas poderiam ser enquadradas no “Chapter 11” da lei norte-americana de falências, equivalente ao regime de recuperação judicial no Brasil.

O banco ainda verificou como os grandes grupos do setor de shopping reagiram à crise nos últimos meses. Identificaram, por exemplo, que os espaços vagos nesses empreendimentos foram ocupados – especialmente no Sonae Sierra e na Aliansce – por redes de lojas independentes, pequenas e normalmente familiares, com menor resiliência às crises.

O Credit Suisse verificou o nível de exposição dos grupos de shoppings aos negócios classificados “red flags”, “yellow flags” e com maior volume de lojas pequenas e familiares no fim do ano passado. No Sonae Sierra, o volume de negócios com essas características atinge 41,4% do total de pontos. Na Aliansce, é de 40,2% e na BR Malls, 38,8%. Iguatemi e Multiplan têm as menores exposições – 33,7% e 29,4%, respectivamente.

Fonte: Valor Econômico

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