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Onda digital traz dilemas ao varejo

As varejistas começam a sinalizar que a reabertura das lojas após maio não teve efeito negativo considerável no desempenho da operação on-line. Esse movimento, que num primeiro olhar pode parecer de efeito temporário, é mais complexo e sensível aos negócios do que qualquer outro que já se viu no comércio nos últimos anos.

É algo que terá um peso fundamental nas decisões de investimento e no desempenho dos canais nos próximos anos. A principal dúvida é quem vai ser atropelado pela nova onda digital no país e quem só deve sair disso com alguns arranhões – e até se consolidando como nova força digital.

A Riachuelo mencionou ontem a manutenção da força do on-line no terceiro trimestre e o Valor apurou que Magazine Luiza, Renner e Via Varejo perceberam que a venda digital não mostra perda de fôlego nos últimos meses.

O tema é sensível nas empresas, que devem definir em dois ou três meses para onde vão seus recursos nos orçamentos de 2021. Mesmo afirmando que hoje operam com site e lojas integrados, há projetos independentes. E as redes terão que alocar capital segundo retorno e projeção de desempenho.

Como não há qualquer sinal de expansão mais vigorosa no consumo, consultores e analistas buscam dados para entender para onde o dinheiro está indo, já que o tamanho do bolo não deve crescer.

A questão é que, se a venda pelo digital não cedeu tanto após a reabertura das lojas, o cliente está comprando mais on-line e deixando de sair de casa para adquirir eletrônicos, roupas etc. No fim das contas, isso pode afetar mais lojas de rua ou shoppings?

E os varejistas médios, de moda, calçados e brinquedos, que avançaram sobre o marketplace nos últimos anos, podem acabar resistindo e até ganhando mercado?

Alguma cadeias de moda, papelaria e calçados dizem que a rua tem crescido mais na pandemia – os shoppings, porém rebatem qualquer raciocínio nessa linha.

Mesmo em cada setor do comércio, haverá empresas mais e menos afetadas. Há consultores que preveem encolhimento do varejo independente, de lojas de bairro, com menor escala e crédito. Para outros, estes até podem ganhar fôlego com a pandemia, que leva as pessoas a circular menos. “O que se está tentando entender hoje é para onde vai o consumidor. Será que vale ter investimento num fundo de lojas de rua no Rio em áreas populares? Ou vale mais apostar em shoppings médios para classe média em São Paulo?”, diz um gestor de um fundo imobiliário.

Fonte: Valor Econômico