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Magazine Luiza compra Hubsales e mira indústria

O Magazine Luiza avança num plano para trazer a indústria brasileira para o marketplace (shopping virtual) da empresa. Um passo mais concreto nesse sentido foi dado ontem, quando a varejista anunciou acordo de compra da startup Hubsales, que opera um modelo de venda de serviços (como logística, entrega e estocagem) para a indústria de confecções e de calçados de Franca, no interior de São Paulo.

A Hubsales presta esses serviços e conecta o fabricante com diferentes marketplaces pelo país. Com a aquisição, o Magazine Luiza vai usar o conhecimento da Hubsales para repetir o modelo de operação da startup em outros polos fabris, disse Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza. É um modelo conhecido lá fora como “factory to consumers”, e que cresceu rapidamente na China, após o Alibaba fechar centenas de acordos com indústrias locais.

“Estamos removendo barreiras entre os setores dentro da nossa estratégia de digitalizar o país. A ideia é que a Hubsales continue fazendo todo o serviço às fábricas, como logística, gerir estoques, promoção de produtos e faça a integração direta dos clientes com a plataforma do Magalu”, disse ele. “Podemos instalar filiais dela nos polos industriais pelo país. Identificamos 14 polos só de vestuário e calçados que podem estar integrados à nossa plataforma com o avanço desse modelo.”

Nesse contexto, intermediários, como atacadistas, podem perder terreno. “Nós queremos dar a opção de não ter o intermediário nessa venda. E muitas vezes esse intermediário [caso de lojas multimarcas] também está no nosso marketplace”, diz Trajano. O Magazine quer usar os seus centros de distribuição para estocar mercadorias das indústrias. Os marketplaces cobram uma taxa sobre a venda pelo pacote de serviços oferecido.

Os contratos que a Hubsales tem com outros marketplaces não serão descontinuados, mas a intenção é que o Magazine tenha “as melhores condições comerciais”, diz Trajano, para que clientes da startup fechem acordos com a rede. No Mercado Livre, por exemplo, a Hubsales tem loja com 32 mil itens. A startup movimenta cerca de R$ 100 milhões ao ano e 700 mil pedidos apenas com a operação calçadista em Franca.

A empresa não revela o valor da aquisição da Hubsales. É a sexta compra de startups em cerca de três anos – sem contar os negócios como Netshoes e Época Cosméticos. Trajano diz que negociações de compra de startups avançavam antes da pandemia, mas com a crise sanitária, isso foi postergado. “Deveremos ter várias aquisições ao longo dos próximos meses, que ficaram paradas com a pandemia. Olhamos comércio eletrônico que operam nichos, outros em entrega, pagamento, e de tecnologia mais básica”, disse.

Fonte: Valor Econômico