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A hora e a vez do comércio eletrônico

Presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e autor de livro e artigos sobre varejo e mercado de consumo, o professor Eduardo Terra é um grande conhecedor do funcionamento do comércio eletrônico (e-commerce) na China, Brasil e em outros países. Recentemente, ele deu palestra, em São Paulo, sobre como funciona o e-commerce na China. O evento foi organizado pela Apex-Brasil e teve o objetivo de servir como preparatório para o Sial China, a maior feira de alimentos e bebidas do país, que será realizada entre os dias 16 e 18 de maio deste ano, na cidade de Xangai.

Eduardo Terra também ajuda na organização de visitas técnicas de empresários brasileiros a mercados de e-commerce da China, os que mais movimentam esse tipo de negócio no mundo, atualmente. Um dos propósitos do evento organizado pela Agência foi traçar um retrato de como as empresas brasileiras podem acessar o mercado chinês por meio de ferramentas eletrônicas, por exemplo, como o pagamento móvel – feito pelos telefones celulares – e o uso de dados. De olho nessa tendência mundial, a Apex-Brasil lançou no fim de 2017 o e-Xport, um programa completo para as empresas que pretendem expandir suas exportações por meio do comércio eletrônico.

“A principal maneira de nossas empresas acessarem o mercado chinês é por meio de uma estratégia voltada a um acordo com os principais marketplaces chineses, que são o JD.com e o Alibaba. Nesse mercado, também existem empresas que a gente chama de full commerce, o conhecido “comércio completo”, que fazem a ponte de marcas e empresas de outros países com os marketplaces chineses. É importante ter acesso a esses canais”, explica, em entrevista ao Blog da Apex-Brasil. Confira:

Como podemos definir o conceito “e-commerce”?

O e-commerce é o comercio entre empresas e pessoas ou entre empresas e empresas por meio de canais digitais, como computadores, tablets e telefones celulares.

Qual a importância do e-commerce nas transações econômicas mundiais?

Trato em minhas palestras a respeito do e-commerce varejo, que é o e-commerce entre empresas e pessoas. Esse tipo de comércio atualmente tem percentuais representativos sobre o varejo que variam muito. No Brasil, por exemplo, o e-commerce significa 4% do varejo total. Na Inglaterra, ele já é de 18% e nos Estados Unidos, de 11%. Na China, que movimenta a maioria das negociações com esse perfil, o e-commerce chega próximo a 30%. A China, aliás, tem muitas transações que são consideradas meio varejo tradicional, meio e-commerce. Varia um pouco.

Qual a importância do warm-up da Sial China? E do próprio evento em território chinês?

O warm up é importantíssimo porque prepara os empresários para a questão cultural e ajuda-os a entender como fazer negócios com a China. Essa preparação garante que a visita e a missão em si tenham muito mais resultados e o evento é fundamental para quem quer, de fato, exportar para o mercado chinês.

Quais os mais importantes marketplaces chineses? Qual sua relevância global?

É fundamental conhecer um pouco mais sobre essa dinâmica, afinal 80% do e-commerce chinês é realizado por meio de marketplaces, enquanto no Brasil esse número chega a apenas 20%. Não existem números mundiais sobre essa especificidade, mas na China de fato o e-commerce é superimportante principalmente por causa dos marketplaces.

Como as empresas brasileiras podem acessar o mercado chinês por meio de ferramentas eletrônicas?

A maneira de acessar o mercado chinês é por meio dos principais marketplaces, que são o JD e o Alibaba. E, também, existem empresas que a gente chama de full commerce, o conhecido “comércio completo”, que fazem a ponte de marcas e empresas de outros países com os marketplaces chineses.

Quais as novas tecnologias e tendências verificadas no e-commerce chinês?

Basicamente a gente tem duas que merecem destaque. O pagamento móvel, por exemplo, que é algo muito importante para o mercado chinês, afinal tudo se paga por meio do telefone celular. E a outra é o uso de dados. No Brasil temos um varejo baseado em decisões das pessoas e não em dados. A China nos ensina que decisões baseadas em dados são muito importantes.

Qual a importância de eventos como o “Singles Day”?

O Singles Day ocorre anualmente, desde 2009, no dia 11 de novembro. Trata-se do Dia dos Solteiros, a Black Friday chinesa. Ele é fundamental para o e-commerce na China, afinal tem mais relevância do que a Black Friday dos Estados Unidos. Nesse dia se vende muito, e de tudo. Há anos, se transformou na data com o maior registro de vendas online no mundo.

Como avaliar o e-commerce e os hábitos de consumo de alimentos e bebidas dos chineses?

Essa é talvez a pergunta mais difícil de responder, nós temos pouco acesso a pesquisas que falam de hábitos de consumo dos chineses. Trata-se de um grande desafio para as empresas brasileiras que querem exportar para a China. Estamos lutando para ter mais acesso a esse tipo de dados relacionados a hábitos e comportamentos.

Por fim, o que é o e-commerce crossborder?

O e-commerce crossborder ocorre quando um consumidor de um país compra um produto de uma loja de outro país utilizando o comercio eletrônico. Ocorre quando, por exemplo, compramos de uma loja da China via internet, para receber o produto aqui, no Brasil. O ponto é que o crossborder, nesse caso, está sendo realizado de cá para lá, com um brasileiro comprando de uma loja chinesa.  Estamos vendo esse movimento se inverter como oportunidade. Temos marcas brasileiras com amplas condições de exportar para consumidores chineses usando as plataformas de marketplace. Funcionaria assim: a empresa brasileira está aqui e consegue “espetar” os seus produtos nesse marketplace. No momento em que os produtos são vendidos, a exportação é feita diretamente para um parceiro chinês que entrega o produto ao consumidor final. E aí, nesse tipo de caso, as tecnologias emergentes favorecem essa negociação, com o apoio do uso de dados.

Fonte: Apex Brasil