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Em busca de interatividade, Globo testa ‘t-commerce’

Projeto, em parceria com a Casas Bahia, vai permitir que consumidores comprem, em tempo real, produtos anunciados no programa “É de Casa”

O sonho de comprar o vestido da heroína da novela antes mesmo de o capítulo acabar está ficando mais próximo da realidade. No sábado, dia 8, a Globo vai fazer o primeiro teste de comércio eletrônico via TV, e em tempo real, do país. É o chamado “t-commerce”. No programa de variedades “É de Casa”, o público poderá comprar produtos exibidos pelos apresentadores.

Ao pressionar o botão vermelho do controle remoto, a tela será dividida para mostrar um carrossel com os itens disponíveis. Cada produto será acompanhado de um código QR, semelhante ao código de barras. Ao clicar nele com o smartphone, o consumidor será levado diretamente para a loja virtual da Casas Bahia, parceira no projeto, onde poderá finalizar a compra.

A experiência mostra a expansão das fronteiras tecnológicas da televisão e abre novas possibilidades comerciais baseadas na publicidade. Para a Globo, é um passo importante na estratégia de se tornar uma “media tech”, que combina tecnologia e entretenimento.

O sistema que torna viável o “t-commerce” é o DTV Play, também conhecido como Ginga D por se tratar de uma evolução recente do Ginga, plataforma de dados concebida para a TV digital brasileira em meados dos anos 2000.

Nos últimos dois anos, a Globo fechou acordos com fabricantes de televisores para que parte dos aparelhos saísse de fábrica com recursos técnicos orientados à interatividade com o público, incluindo a possibilidade de fazer “t-commerce”. As alianças envolvem as marcas Panasonic, Samsung, Sony e TCL.

A partir de 2021, no entanto, todos os fabricantes terão de incluir o DTV Play, que garante essa interatividade, em pelo menos 30% dos televisores produzidos na Zona Franca de Manaus e que recebem os benefícios do Processo Produtivo Básico (PPB). A Portaria Interministerial nº 40, que define essa obrigatoriedade, foi publicada no dia 28 de julho. As novas regras preveem o aumento gradativo da porcentagem de televisores que trarão o sistema embutido nos próximos anos.

“O Ginga D vai tornar o aparelho de televisão tão interativo quanto o smartphone e o computador. A tela da TV ficará mais inteligente”, diz Raymundo Barros, diretor de tecnologia da Globo. O sistema, explica o executivo, foi desenvolvido no âmbito do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital, que reúne emissoras, universidades, fabricantes de equipamentos, governo e agências reguladoras.

A primeira experiência da Globo com publicidade interativa vai atingir um público potencial de 35 milhões de domicílios, que estão numa condição de intersecção tecnológica: recebem o sinal de TV aberta pelo ar – o teste não estará disponível ao público cujo acesso é feito por outros meios, como cabo e fibra óptica – e contam com conexão de internet fixa em banda larga.

Cerca de 75% dos domicílios brasileiros continuam a receber o sinal de TV pelo ar, com a ajuda de antenas, observa Barros. Não têm serviços de TV por assinatura. Ao mesmo tempo, mais de 50% dos lares estão ligados à internet por conexões de banda larga fixa. “A grande inovação será unir as duas experiências: a de broadcasting [radiodifusão] e a de broadband [banda larga]”, diz.

Com as novas tecnologias, o objetivo é proporcionar uma costura invisível para que o consumidor passe da internet para a radiodifusão, e vice-versa, sem perceber. Por exemplo, espectadores que estão assistindo o capítulo de uma série na TV aberta, mas contam com uma assinatura do serviço de streaming Globoplay, poderiam receber um convite para ver o próximo episódio sem ter de sair do ambiente da TV e ir para o aplicativo. Da mesma maneira, poderiam ver capítulos da novela “Amor de Mãe” com resolução 4K, de altíssima qualidade, embora o sinal aberto só permita, no máximo, a resolução HD, que é mais baixa. O próprio sistema se encarregaria de “sintonizar” a internet para melhorar a resolução.

A expectativa é que a interatividade também tenha forte impacto no mercado publicitário. “É um passo importante”, afirma Eduardo Schaeffer, diretor de negócios integrados da Globo. A TV firmou-se como meio vital para o anunciante criar marcas e divulgar novidades, mas, por suas limitações tecnológicas, não conseguia levar o consumidor até a etapa final – a compra do produto, diz o executivo.

As novas tecnologias vão permitir avançar nessa direção exatamente no momento em que as marcas, pressionadas pela digitalização crescente da sociedade, estão tendo de adotar estratégias de mídia multiplataforma. “Você não faz mais negócios só na TV ou na internet”, diz Schaeffer. “É quando mistura tudo que obtém os melhores resultados de vendas.”

Na Globo, afirma o executivo, essa abordagem mudou a maneira de trabalhar e oferecer serviços aos anunciantes. “A divisão de tecnologia não é mais um fornecedor da área de negócios”, diz. “Agora, é parte da área.”

Fonte: Valor Econõmico