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A gangorra do varejo na pandemia e a busca pelo equilíbrio

Quem já viu uma gangorra sabe como funciona: enquanto uma criança sobe, outra desce e assim alternam até cansar! E, apesar do varejo brasileiro estar longe de viver um período de passatempo, o setor também encara seu momento de altos e baixos, ou melhor, dos que estão olhando a pandemia do lado de cima e daqueles que estão quase submersos desde então. Enquanto alguns segmentos demoraram meses para se adaptar à  “nova” realidade, outros conseguiram catapultar-se. Contudo, esse sobe e desce precisa ser substituído urgentemente por um ponto de equilíbrio, ou seja, uma situação em que todos os nichos tenham condições vantajosas para crescerem de acordo com suas próprias estratégias e modelos de negócios.

A recuperação do comércio brasileiro ainda está longe de voltar a essa realidade. Dados da Pesquisa Mensal de Comércio em dezembro de 2020 indicam que as vendas já tinham recuperado o patamar anterior à pandemia, com 8% a mais em relação a fevereiro. Entretanto, isso é meia verdade. Primeiro porque a segunda onda do novo coronavírus no país neste início de 2021 pode derrubar novamente os indicadores. Além disso, ainda que o desempenho geral seja positivo, o fato é que não são todas as verticais que podem dizer que estão crescendo. Há discrepância grande entre os mais diversos segmentos – o que impede que esse crescimento impacte positivamente a economia nacional.

Era natural que o início da pandemia de covid-19 embaralhasse as estratégias dos varejistas não apenas no Brasil. Afinal, por mais planejamento e atenção que o gestor tivesse, ninguém poderia prever que uma doença altamente contagiosa se espalharia rapidamente em todo o mundo. A suspensão das atividades das lojas físicas a partir de março do ano passado e as medidas de isolamento social que se seguiram, garantiram apenas as vendas dos segmentos considerados essenciais que continuaram a operar normalmente e, mesmo sofrendo quedas, não foram tão representativas quando comparados aos demais.

A exemplo do segmento de Moda que, por sua vez, viu as lojas ficarem fechadas por semanas até conseguir reabrir as portas, acumulando uma queda de 48,46% no fluxo de visitas aos seus estabelecimentos físicos quando comparado com o ano anterior. Essa e outras constatações, encontram-se no levantamento do Índice de Performance do Varejo (IPV), pesquisa que conduzimos mensalmente em parceria com a fintech F360º, a empresa de data science 4Intelligence e a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). Até o segmento de Drogarias que num primeiro momento foi o único a manter indicadores similares a 2019, segundo a pesquisa, fechou o ano com queda de 25% do seu público nas lojas físicas. Veja o relatório completo em www.fxdata.com.br/ipv.

Enquanto isso, dados do IBGE mostram que em todos os meses de março a julho o volume de vendas do setor supermercadista superou o desempenho médio do varejo brasileiro. Em especial, nos meses de março, abril e maio, períodos em que o restante do setor registrou quedas históricas. Isto porque, com a população em quarentena, os produtos encontrados em supermercados substituíram parcialmente o consumo que era feito fora do domicílio.

Mas, mesmo diante do receio ou até mesmo do impedimento do acesso aos estabelecimentos, o grande desafio do varejista é então se tornar “essencial”, criando demanda, eliminando atritos e facilitando cada vez mais a vida de quem compra. E àqueles cuja pandemia afetou fortemente o posicionamento e, por consequência, o faturamento, é preciso tentar buscar um equilíbrio.

Já é certo que a loja física mudou de figura, de que é preciso se tornar omnichannel, de que a logística deve levar cada vez mais conveniência, tanto no preço, quanto no prazo e de que os dados sobre os clientes são o maior ativo de qualquer negócio. Alguns já haviam feito essa escolha há algum tempo, iniciando agendas de transformação de processos e mindset, precipitando cenários que aconteceriam num médio a longo prazo. Estes, certamente sem nem imaginar a pandemia, mas já muito mais preparados, conseguiram surfar a onda da migração do consumo para o digital e agora tomam vantagem diante da concorrência. A principal diferença neste momento é que, se antes isso era uma escolha, agora é uma obrigação. Não há estratégia que perdure sem ao menos cumprir todas as questões que citei acima e, portanto, o varejo está em outro nível e consequentemente pode gerar desbalanceamento.

Enquanto a vacina não for uma realidade para grande parte da população e o fechamento e a reabertura gradual do comércio acontecer de acordo com indicadores de casos, óbitos e internações, será preciso estruturar o que ainda se tem sob controle – a sua operação, os seus processos e, principalmente, o seu time! Se você garantir equilíbrio do lado de dentro, certamente estará mais preparado quando ele vier do lado de fora durante a retomada econômica.

* Flávia Pini é CEO da FX Data Intelligence, empresa especialista em visão computacional dirigida por IA, fornecendo insights estratégicos para o varejo – e-mail: fx@nbpress.com 

Fonte: Super Varejo