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José Galló prepara processo de sucessão na Renner

O perito têxtil Ércole Galló não podia desconfiar do alcance da sua vocação por tecidos quando decidiu migrar da Itália para o Rio Grande do Sul, em 1890. Depois de abrir uma pequena tecelagem em Caxias do Sul, onde se estabeleceu, o imigrante decidiu aproveitar as quedas d’água locais para instalar uma usina geradora, que passou a fornecer energia para toda a vila. O impacto foi tanto que seu nome deu origem ao primeiro distrito de Caxias: Galópolis.

Foi onde nasceu seu neto, José Galló, em 1951. Ao contrário do avô, que não chegou a conhecer, ele nunca teve uma tecelagem. Mesmo assim, o mundo das roupas e o da moda coincidentemente acabaram por fazer parte da sua vida. em 1991, José Galló foi contratado para assumir o comando de uma pequena empresa familiar que transformou-se na maior rede do varejo têxtil do país.

Quem não conhece a história da Renner pode achar que Galló detém o controle acionário ou mesmo herdou a empresa. Na verdade, a Renner é uma companhia cuja composição acionária é extremamente pulverizada. Mas o traço pessoal do presidente se impõe na cultura do grupo, em todos os aspectos. Até o auditório da nova sede, inaugurada em Porto Alegre na semana passada, leva seu nome.

Quando Galló assumiu o cargo, a Renner tinha oito lojas e 800 funcionários concentrados no Rio Grande do Sul. Hoje são 440 lojas e 19 mil empregados em todo o país. Os planos de expansão não pararam nem com a crise. Ao contrário, no ano passado foram abertos 64 pontos. Para este ano estão planejados mais de 65, incluindo 15 da Camicado, de artigos para casa, e 25 da Youcom, de moda jovem, que foram adquiridas pelo grupo em 2011 e 2013, respectivamente.

Aos 65 anos, o executivo lembra que o setor de vestuário continua bastante pulverizado. Os cinco maiores operadores – Renner, C&A, Riachyelo, Marisa e Pernambucanas – têm ao redor de 16% do mercado total formal. Nos setores de supermercados e eletroeletrônicos, por exemplo, os cinco maiores grupos têm em torno de 50%, compara Galló: “Nunca chegaremos a isso.  Mas é possível alcançar 22%, 25%. Haverá um processo de concentração e estamos apostando nisso.”

Enquanto o varejo sofreu os efeitos da crise, a Renner engordou receita e lucros. em cinco anos, dobrou tanto o faturamento líquido, para R$ 6,4 bilhões no ano passado, quanto o lucro líquido (R$ 625 milhões).

Uma das fórmulas de sucesso da  rede foi investir no chamado “fast fashion”. Na Renner, ninguém espera a próxima estação para trocar as peças da vitrine. São oito coleções por ano, criadas por equipe própria e produzidas por confecções terceirizadas. “As coisas andam rapidamente e a internet nos coloca numa velocidade que temos que acompanhar”, destaca. Para ele, não há mais espaço no mundo para lojas de departamento gigantes, onde o “cliente sai insatisfeito por não ter conseguido ver tudo”.

A um trabalho de custos enxutos e logística eficiente soma-se a filosofia de trabalho que o presidente da companhia faz questão de repetir constantemente. Para Galló, no varejo, as vendas só crescem quando se encanta o cliente. E para isso, diz, foram fundamentais as aulas de psicologia e sociologia quando cursou administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas.

“É preciso estar muito perto do cliente e fazer o que ele pede. Muitas vezes, porém, o consumidor não sabe expressar o que quer. É preciso ter a sensibilidade e a perspicácia de descobrir o que ele deseja, mas não consegue explicar. Ás vezes, ele nem se dá conta do que quer ou faz; nós temos que perceber para encantá-lo”.

Fundada em 1965 por descendente de alemães, a Renner logo se transformou numa companhia de capital aberto. Quando Galló propôs a expansão da rede, a família não quis se arriscar sozinha. Encontrou um parceiro, a americana JC Penney, que mais tarde saiu do negócio. Como n]ao encontrou um comprador para a participação que detinha na Renner, a decisão foi vender as ações em bolsa.

Depois de 25 anos no cargo, discretamente Galló começa a preparar a sucessão na presidência. Não se fala, ainda, em candidatos. O executivo diz que o processo começou há  quase cinco anos e inclui conversas trimestrais com um comitê e semestrais com o conselho. “É um caso muito bem resolvido que eu tenho certeza que vai ter um final feliz para todos”.

Fonte: Valor Econômico

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