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Por dentro do Centro de Distribuição mais moderno da Natura

O Centro de Distribuição São Paulo, localizado dentro da cidade de São Paulo, com seus 26 mil metros quadrados é o maior da Natura e um dos mais modernos do mundo. Nesta entrevista, Nestor Felpi, diretor de Distribuição e Inovação da companhia, fala sobre as tecnologias empregadas nele, investimentos realizados e os resultantes ganhos de eficiência. Também adianta que o CD, hoje basicamente concentrado em produtos da Natura – e um pequeno volume da Aesop, adquirida em 2012 –, receberá em breve também itens da The Body Shop – comprada em 2017 – como parte do processo de integração das operações na América Latina.

A entrevista foi realizada em 21 de maio, durante do GRI Industrial & Logística Brasil 2019, na véspera de a Natura abrir o CD a uma visita de membros do GRI Club Real Estate e também um dia antes do anúncio oficial da aquisição da Avon pelo grupo, que passou a se chamar Natura & Co para abrigar as várias marcas. Acompanhe:

Que principais características distinguem o Centro de Distribuição São Paulo?
Primeiramente, é preciso entender que a Natura, como tem 1,5 milhão de consultoras, emite cerca de 100 mil pedidos por dia. Possuímos oito CDs no Brasil e, no total [somando outros países], 15. Esse é o CD mais automatizado e tem toda a tecnologia possível para o que conhecemos como picking, que permite colocar 27 itens diferentes dentro de uma caixa. A característica desse CD é que tem a tecnologia de A-frame, pinçamento automático, e todo o movimento é automatizado. Não há movimentação de pallet. A carreta que entra no CD já descarrega [de maneira] automatizada, despaletiza e a caixa viaja ali dentro. A única coisa que fazemos [de forma semi-automática] é, por um pick to light [solução em que luminosos indicam aos operários onde se encontram os itens a ser recolhidos], um funcionário colocar o produto [na caixa] com a mão.

Até que ponto faz sentido investir fortemente em automatização no Brasil, considerando a existência de uma mão de obra ainda relativamente barata?
É preciso fazer o business case. Por exemplo, temos um CD em Belém. Como lá a mão de obra é mais barata, não se vai colocar um nível de automatização como o de São Paulo. Outro aspecto desse CD [São Paulo] é o estoque. Não há diferença de inventário, pois é ajustado online a cada caixa. Isso traz confiabilidade e também permite rastreabilidade total. Então, se uma consultora reclama, sabemos exatamente que lote de produto entregamos no pedido [dela]. Portanto, além das questões de benefícios, existe uma condição de compliance muito importante. O investimento se avalia em função do custo da mão de obra e do benefício em termos de [redução de] diferenças de inventário, pois impacta em serviço. Por isso, nosso CD em Belém ou em Recife não tem a mesma tecnologia do de São Paulo.

O que pode contar a respeito dos aportes de capital realizados pela Natura no CD São Paulo em termos de equipamentos e real estate? O contrato é um built to suit?
Sim, um built to suit. Acontece que esse CD, alguns anos atrás, estava dentro da fábrica de Cajamar e, dado o crescimento da Natura, se decidiu deslocá-lo. Havia inclusive falta de espaço para a área administrativa e já se alugavam vários locais [adicionais]. Então, fez-se um acordo de built to suit não só para o CD, como para um prédio administrativo, o Nasp. O prédio administrativo foi inaugurado há um ano e meio, e o CD, há três ou quatro anos.

Os investimentos chegaram à casa de dezenas de milhões?  
Sim. Não posso dizer o valor, mas foram alguns milhões.

Continuam a ser feitos aportes de capital nesse CD ao longo do tempo para que siga atualizado?
Mantemos sempre investimentos em tecnologia e adaptação de software. Recentemente, nesse CD, fizemos um investimento para a Black Friday. Então, dentro do CD, começamos a atender multicanalidade: consumidor final, vendas diretas e lojas, cuja característica de separação [dos produtos] é diferente. Adaptamos uma área que se chama multiorder, onde separamos a parte de e-commerce. Dado que o e-commerce vem duplicando de volume, vimos fazendo mais investimentos, colocando mais estações de multiorder e melhorando o processo. Portanto, sempre existe algum tipo de adaptação no CD, dentro da magnitude do investimento realizado para atender a demanda de muitos anos. Sempre há alguma melhoria que queremos promover, incrementando produtividade ou contemplando novas demandas.

A escolha da localização, dentro da cidade de São Paulo, foi uma aposta em last mile?
Sim. Frequentemente fazemos estudos de malha no Brasil todo. No ano passado, realizamos um, que nos indicou alguns ajustes; e, há seis ou sete anos, outro, que embasou a decisão de ter esse CD, que fica muito perto da marginal [do Tietê] e de Cajamar [onde ficam quatro fábricas, escritórios e laboratórios da companhia].

Uma das característica desse CD é ser bastante inclusivo. Qual a participação de pessoas com deficiências físicas ou cognitivas no total de colaboradores que atuam ali? E que tipo de cuidado e adaptação a estrutura precisou contemplar?
Eles representam 16% do total [dos colaboradores do CD], mas nossa ambição é ter de 20% a 30%. Para pessoas com problemas auditivos, colocamos luzes em todos os equipamentos – por exemplo, as empilhadeiras têm luzes onde eles circulam para que possam ver quando elas se aproximam. Trouxemos os primeiros cadeirantes e, nas estações multiorder, fizemos uma espécie de elevador para poder ajustar a cadeira. Então, são requeridas certas adaptações, mas nada difícil de se fazer. É mais uma questão de vontade de ter esse desafio de incluir pessoas na força de trabalho.

Quão mais eficiente é esse CD em relação aos demais da Natura?
A maioria do centros [de distribuição da empresa] tem muitas das tecnologias que existem no CD São Paulo. Algumas, todavia, não – por exemplo, o shipping buffer. Conseguimos estocar todo produto que vai sair como ordem de pedido para consultoras ou para o e-commerce, e aí roteirizamos nesse shiping buffer. Podemos enviar para o carro que está esperando a sequência perfeita para fazer as entregas, colocando a primeira delas na primeira caixa de carga e evitando qualquer trabalho manual. Quando se vai a qualquer outro CD, monta-se um pallet e aí o motorista carrega [o veículo]. No CD São Paulo, não. Aqui, sai diretamente da rampa para o abastecimento. De resto, as tecnologias são mais eficientes aqui do que nos outros CDs, mas outros têm A-frame, pick to light etc. Esse possui muito mais eficiência, o que significa rapidez para atender.

O CD São Paulo está focado hoje exclusivamente em produtos da Natura? Há alguma previsão de inclusão de itens da The Body Shop?
Hoje, basicamente Natura. Há um pequeno espaço para Aesop, que é a companhia australiana que compramos, mas um volume muito baixo, pois tem três lojas e praticamente nem entra na linha de picking. Com a decisão que se tomou alguns meses atrás, estamos integrando a operação da The Body Shop. Fizemos isso no Chile e no México, e a ideia é integrar aqui no CD São Paulo basicamente a operação toda da The Body Shop – essencialmente, a parte operacional porque se ganha muito em eficiência. Daqui até o fim do ano, provavelmente estará integrada.

Que ações estão previstas nesse processo de integração, em busca de sinergias?
Fizemos isso no Chile e no México muito rapidamente porque [lá] não há o problema que vemos no Brasil em termos jurídicos – como integrar as empresas, se é preciso abrir uma filial e de que maneira abri-la. Essa discussão aqui está mais difícil de resolver do que a parte logística, que é relativamente simples: cadastrar no sistema. Terminamos sendo um operador logístico da The Body Shop: cadastramos no sistema os produtos deles e, dada a tecnologia que temos, absorvemos rapidamente essa quantidade de produtos sem nenhum problema.

Então tende a ser uma integração simples?
Tecnologicamente simples, mas juridicamente mais complicada. Não aconteceu isso no Chile e no México.

Há outros investimentos em centros logísticos previstos no horizonte próximo da Natura?
Estamos agora olhando a malha e existem coisas que ainda não posso divulgar.  Fechamos um CD em Curitiba e temos agora a possibilidade de abrir outro na região Norte; porém, isso ainda não está sacramentado.

Fonte: GriHub