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Demanda supera estimativas e estoques da moda se ajustam

Vendas foram impulsionadas pela demanda reprimida, volta às aulas em alguns lugares e as temperaturas mais baixas

Por Raquel Brandão

A aceleração mais intensa do que se esperava nas vendas do varejo de vestuário em maio e a manutenção do ritmo nesses primeiros dias de junho têm ajudado ao menos as grandes varejistas a manterem seus estoques saudáveis, sem que o fantasma do desabastecimento esteja por perto.

Em entrevista ao Valor publicada na quinta-feira, o presidente da Lojas Renner, Fabio Faccio conta que o ambiente melhorouCom o avanço das vendas, impulsionada pela demanda reprimida, a volta às aulas em alguns lugares e as temperaturas mais baixas, os estoques ficaram “bem ajustados”. “A gente faz um trabalho diferenciado com toda a nossa cadeia e não temos encarado esse tipo de problema. Não há pressão de desabastecimento”, diz o executivo do grupo, que, além da rede de mesmo nome, ainda é dono da marca de moda jovem Youcom e da Ashua, de moda plus size.

Na The Lycra Company, as linhas de produção na fábrica brasileira em Paulínia (SP) estão 100% em atividade, conta a vice-presidente para América do Sul, Adriana Morasco. “Para os próximos dois meses estou completamente vendida. Estamos rodando em cheio e acredito que há dois fatores para isso: a reabertura do comércio e a vontade das pessoas de se darem algo após o isolamento, como um ‘efeito lipstick’”, diz a executiva. Ela aponta, ainda, que a maior demanda global, em especial chinesa, somada à valorização do dólar, tem ajudado a indústria local. “Continua rodando 100% nas tecelagens e malharias. Houve uma demora maior para adaptação à demanda, mas está começando a acomodar. Antes, os prazos de entrega estava de 90 a 120 dias e agora está entre 30 e 60 dias.”

Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), destaca que maio foi melhor que abril nas vendas, e para os grandes grupos foi melhor que maio 2019. “Agora, para junho, julho e agosto vai ter que olhar mesmo para 2019, que nem foi tão bom, mas não tinha fechamentos coo em 2020.”

Ele pondera, porém, que no horizonte do setor têxtil e de confecção a preocupação está em torno de novos aumentos de preço. “Não vejo risco de desabastecimento nas lojas, mas pressão de custos”, diz Pimentel. Ele aponta dois fatores de preocupação principal para o setor: a menor safra de algodão em 2020/2021 e o aumento do preço dessa matéria-prima e a elevação dos preços de energia elétrica, devido à redução das chuvas.

“Se continuar com o ritmo de exportação acelerado do algodão, sendo que essa safra vem menor do que a safra do ano passado, vai ter choque [de oferta]. Vai ter problemas já no fim do trimestre. Estamos ligando as luzes do painel e energia é outra nuvem no horizonte.”

Adriana, da Lycra, embora esteja otimista para o restante do ano, também destaca a preocupação com a carestia. “Todo mundo comeu um pedacinho da margem. Seguramos até outubro para não repassar aos clientes.” Toda a matéria-prima da fabricante de fios é importada e tem refletido a oscilação da taxa cambial. “Mesmo assim, estamos muito otimistas. Nosso primeiro semestre foi muito bom e normalmente é um período mais fraco do que o segundo semestre”, completa.

Fonte: Valor Econômico