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Crise impulsiona inovações no mercado de franquias

Momentos de crise são também momentos de oportunidade. Vence os momentos difíceis quem sabe inovar. Por isso, o mercado de franchising investiu em inovação para sobreviver e continuar crescendo mesmo em períodos conturbados da economia brasileira. São mudanças no modelo de negócios, nos formatos das unidades, na estratégia de ampliação da rede e também nos perfis dos franqueados, fundamentais para a manutenção do crescimento e a rentabilidade dos negócios. Grandes redes optaram por criar formatos enxutos, enquanto franqueados experientes aproveitaram as vantagens oferecidas por elas para expandir suas operações.

Dados da 1ª Pesquisa de Inovação nas Franquias Brasileiras, realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC) e Conferência Nacional de Serviços (CNS), mostram que 91,8% das redes franqueadoras introduziram algum novo produto ou serviço entre 2014 e 2016. Quase 80% delas afirmam que a inovação ampliou sua participação no mercado e 85% delas dizem que as iniciativas inovadoras aumentaram sua rentabilidade. “Quem quis sobreviver no mercado teve que se reinventar. Fizeram mudanças na localização, inovaram no atendimento, melhoraram processos, renovaram ou enxugaram cardápios etc.”, explica Marcus Rizzo, da consultoria Rizzo Franchise.

Novos modelos

Uma das soluções foi criar modelos enxutos de franquias, que pedem um investimento menor do franqueado. “Com o começo da crise, vimos que o perfil do franqueado mudou. Havia gente com dinheiro, mas com vontade de investir menos e não se descapitalizar totalmente”, afirma Luiz Cury, diretor de franquias de pizzarias Patroni. De olho nesse investidor, desde 2015, a rede oferece o formato Expresso, que tem um investimento inicial de R$ 150 mil — o modelo clássico parte de R$ 400 mil. “É um modelo ideal para lugares de alto consumo e tráfego de pessoas que precisa de menos funcionários que a operação tradicional”, explica. “A aceitação foi boa, principalmente nos locais não convencionais, como estádios de futebol, universidades, cursinhos e centros comerciais.” Hoje, já são 11 lojas Expresso no país.

A opção também atrai investidores de cidades menores, onde uma operação tradicional, mais robusta, não encontra mercado. A Mahogany, marca de cosméticos, criou um novo formato de franquia quando deu início ao plano de interiorização da rede. “Nosso objetivo de expansão em municípios do interior, com mercado muito promissor, mas com população inferior a 100 mil habitantes, incentivou a marca a reavaliar os modelos tradicionais”, explica Peter Schimidt, gerente de expansão da Mahogany. Hoje, a franqueadora oferece opções “light” para as lojas de rua e shopping, além do formato “super light” para cidades de até 50 mil habitantes. Já são 45 operações como essas no país. “Conseguimos, em espaços melhor aproveitados e otimizados, expor nossa linha completa, com menos capital, e com isso menor tempo de retorno do investimento e com baixo custo de locação e manutenção”, diz. Além disso, o relacionamento do lojista com o mercado local é mais próximo, facilita a fidelização entre o cliente e a marca e garante uma boa lucratividade. “O empreendedor tem a oportunidade de abrir sua primeira loja, muitas vezes na mesma cidade onde mora ou onde tem maior afinidade, já conhece e interage com a população local, acelerando a maturação do negócio.”

Franquias múltiplas

As franqueadoras também puderam contar com seus franqueados mais experientes nos momentos de crise, entregando a eles unidades que se encontravam em dificuldades financeiras. São empresários que já têm outras unidades da rede ou operações de outras marcas. De acordo com a pesquisa Franqueados Multiunidades, realizada pela ABF, em parceria com o Grupo de Estudos de Franquias da USP Ribeirão Preto, 84% das redes de franquia têm em seus quadros parceiros de negócios multiunidades — donos de mais de uma franquia da mesma marca (os multifranqueados) ou de marcas diferentes (os multimarcas).

“Esse tipo de empreendedor tem mais poder de investimento. Com a crise, muitos franqueados menos experientes acabam ficando pelo caminho e um franqueado mais experiente tem facilidade de absorver e recuperar uma loja que tem potencial. Para as franqueadoras, é melhor do que fechar as portas”, explica Rodrigo Catani, head de eficiência operacional da AGR Consultores.

Diminuem também os custos de encontrar um parceiro novo e formá-lo. De olho na experiência, as redes oferecem benefícios aos empresários mais maduros. Para Silvio Bricarello, que tem 11 lojas de quatro diferentes marcas — Divino Fogão, Montana, Jin Jin e Subway —, essa busca trouxe vantagens, como descontos nas taxas de royalties. “Geralmente quem já tem uma unidade é convidado pela rede a adquirir outra e tem benefícios para fazê-lo”, diz.

E as soluções que emergiram da crise não devem sumir junto com ela. As redes afirmam que pretendem continuar investindo nos novos modelos e negócios. “A crise impulsionou as inovações no mercado de franchising. As redes enxergaram e criaram novos nichos de negócio e estão ganhando dinheiro com isso. Foi bom para as franqueadoras e foi também para os franqueados. Isso não deve mudar”, afirma Vanessa Bretas, gerente de inteligência de mercado da ABF.

Fonte: Exame