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Em recuperação judicial, dona da Cori e Luigi Bertolli põe marcas à venda

O grupo de varejo de moda GEP vai colocar à venda todas as suas marcas – Cori, Luigi Bertolli, Emme e Offashion, além da cessão do direito de franqueamento exclusivo da americana Gap no Brasil – como parte de seu plano de recuperação judicial, aprovado ontem em assembleia de credores em São Paulo.

“O plano prevê que as marcas da companhia sejam vendidas, mas não necessariamente todas serão alienadas”, diz Eduardo Mange, sócio da Renato Mange Advogados Associados, que representa o GEP no processo de recuperação judicial. A Alvarez & Marsal elaborou o plano.

Pelo proposto aos credores, a expectativa é vender as marcas num prazo de até três anos. Para Luigi Bertolli e Cori, ainda há previsão de aberturas de lojas em 2018. O grupo não faz inaugurações desde o ano passado. A ideia é abrir quatro pontos da Luigi Bertolli no ano que vem, com investimento de R$ 1,2 milhão cada um, e uma loja Cori ao custo de R$ 520 mil.

Atualmente, o grupo opera 91 lojas e conta com 1,6 mil funcionários. Em 2015, seu faturamento líquido foi de R$ 402 milhões, segundo o plano de recuperação judicial. A empresa culpa a crise econômica pelo aumento de custo de financiamento e por intensificar promoções para atrair clientes, o que comprometeu sua rentabilidade. O grupo ainda sofreu impacto do aumento de preços das matérias-primas, compradas em dólar, e dos custos de locação de shoppings.

A dívida total do grupo, que consta do plano, é de R$ 513,2 milhões. Desse valor, R$ 186,8 mil são dívidas trabalhistas; R$ 34,7 milhões são dívidas com garantia real; R$ 472,6 milhões são débitos sem garantia e R$ 5,7 milhões são devidos a pequenas e médias empresas.

Cada tipo de credor recebeu condições diferentes de negociação. Os trabalhistas serão pagos um ano a partir da homologação do plano. Os credores com garantia real receberão pagamento integral, em parcelas divididas em oito anos. Os credores quirografários serão pagos em duas tranches: A (20% do valor de face), com carência de três anos e amortização de dez anos, e B (80% do valor de face), com parcela única sete anos depois de aprovado o plano. Os débitos de pequeno valor serão liquidados até um ano após a homologação do plano.

Da venda de Luigi Bertolli, Emme, Offashion e Cori, 20% dos recursos devem ser dedicados ao capital de giro do GEP, se o desempenho da empresa estiver abaixo do previsto no plano de recuperação no momento da venda. Se estiver igual ou acima do previsto, o percentual será destinado ao pagamento de credores de debêntures. Uma fatia de 35% será direcionada a donos de debêntures, 15% aos credores da tranche B e 30% dedicados às dívidas financeiras.

No caso da GAP, 20% dos recursos da venda devem ser usados como capital de giro, seguindo a mesma premissa das demais marcas. Uma fatia de 50% pagará aos credores da tranche B e 30% serão dedicados às dívidas financeiras.

Para melhorar as margens brutas, a empresa pretende migrar fornecedores para o mercado nacional e melhorar a eficiência das compras. A conjuntura econômica, com menor necessidade de descontos, também deve ajudar, afirma o plano. O grupo também pretende vender em até dois anos a fazenda Oásis, uma área rural de 2,8 mil hectares em Nova Andradina, Mato Grosso do Sul.

Fonte: Valor Econômico

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