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Como a Casa do Construtor se digitalizou na pandemia

As lojas de materiais e equipamentos de construção foram consideradas serviço essencial em muitas cidades logo no início da pandemia do novo coronavírus. Por isso, 95% das cerca de 280 franquias da Casa do Construtor permaneceram abertas. Com um tímido serviço de delivery funcionando e movimento baixo no balcão, a rede trabalhava a todo vapor nos bastidores para acelerar em três meses um projeto que estava previsto para ver a luz do dia daqui a, no mínimo, três anos.

Nas últimas semanas, a franquia colocou para rodar três novidades: o chatbot Lino (o nome é derivado do mascote da rede, Construlino), a Alugue na Casa, uma vitrine virtual inteligente, e o Locamus. Este último é apenas para vendedores e equipe interna  – e foi o que demandou mais trabalho, de acordo com o sócio-fundador e CEO da rede, Altino Cristofoletti Junior.

Para a segunda versão do Lino, está prevista a utilização de inteligência artificial para identificação de biometria facial. “Fizemos um convênio com um banco de dados do governo e, por meio do Lino, a pessoa tira foto de si mesma e compara com o documento de identidade. Dá maior assertividade e evita fraudes”, diz o empreendedor.

Já a Alugue na Casa, a vitrine digital no Facebook, tem o objetivo de atrair novas vendas. É um link que leva diretamente para os equipamentos e serviços oferecidos pela marca – ou os que estão em alta no momento. Na página, o cliente clica em “reservar agora” e é direcionado para o WhatsApp da unidade mais próxima. Cerca de 65 franquias já utilizam o sistema.

De acordo com o empreendedor, as duas tecnologias ajudaram a dobrar o número de solicitações remotas de orçamento. Os resultados financeiros ainda não foram medidos.

Calculadora de andaime e locação remota via WhatsApp

Já o Locamus é uma aplicação em nuvem interligada ao WhatsApp que permite ao vendedor, mecânico, entregador técnico ou outro profissional da franquia a acessar informações no estoque da loja pelo próprio smartphone ou tablet remotamente e efetuar locações onde quer que esteja. Futuramente, a ferramenta também poderá ser instalada em totens de autoatendimento nas unidades.

O desenvolvimento foi desafiador, segundo Cristofoletti, pois é preciso conectar o sistema diretamente ao inventário da loja, e essa informação precisa ser constantemente atualizada. A ferramenta é complexa, pois também permite acesso a informações sobre orçamentos já feitos por aquele consumidor, mesmo que em outras unidades.

O Locamus está em projeto piloto em cerca de 20 lojas. Além dos desafios de desenvolvimento, há um trabalho de conscientização e treinamento constante com a rede de franqueados, feitos a partir de um estúdio montado pela rede – prática que tem ganhado as redes de franquia durante a quarentena.

Os próximos passos digitais da marca incluem uma solução de pagamentos e de assinatura de contratos, que permita a assinatura de forma remota e digital.

Até o fim de 2020, o empreendedor estima que as inovações possam representar 15% das vendas das unidades, mas a perspectiva é que a participação cresça nos próximos anos. “As lojas não vão acabar, são experienciais, mas a ideia é fortalecer o omnichannel, onde a pessoa vê pelo mobile, checa na loja física e compra via mobile. À medida que a gente absorver a jornada do cliente de forma digital, mais engajamento teremos”, afirma.

Da loja física à mentalidade de startup

A digitalização estava nos planos da Casa do Construtor havia algum tempo. No ano passado, a rede reuniu franqueados, funcionários e clientes em um workshop durante uma semana para pensar em como levar a marca para o digital.

O empreendedor conta que a tarefa não era fácil: levar o negócio de aluguel de equipamentos para o digital não é como criar um marketplace de venda de produtos, pois o negócio da rede é o serviço. Cada produto alugado na Casa do Construtor demanda um cadastro, serviço de logística reversa e acompanhamento de obra, por exemplo.

Eles testaram um protótipo das soluções geradas com 15 clientes reais e escolheram as mais promissoras.

No fim do ano passado, a rede criou a CasaLab, uma equipe com seis profissionais de tecnologia que vinham trabalhando no desenvolvimento desses protótipos. No entanto, com a chegada da pandemia, a equipe precisou acelerar os trabalhos. Hoje, a CasaLab tem mais de 20 integrantes.

A equipe também desenvolveu um banco de informações que consiste em um “Google da Casa do Construtor”. A ideia é transformar a informação gerada nas lojas sobre obras, materiais e serviços prestados em conhecimento e colocar à disposição da rede.

Reformas caseiras ou adaptações em empresas movimentam rede na pandemia

Em 2019 a Casa do Construtor faturou R$ 274 milhões, e vinha tendo em janeiro e fevereiro resultados melhores do que no ano passado. No entanto, com o início da pandemia, Cristofoletti conta que as lojas tiveram quedas bruscas, de até 40%. De fato, em abril, o setor vivenciou os menores índices históricos de confiança, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Com o passar das semanas, um novo tipo de público procurou as lojas. “As pessoas físicas começaram a nos consultar para fazer manutenções em casa.” Esse nicho teve um aumento de 25%, de acordo com a rede.

Em maio, a marca também teve um aumento de 30% em contratos referentes a pessoas jurídicas, mas de empresas não ligadas à construção. “São clientes que querem fazer adaptações no seu negócio, seja na indústria, no serviço, mas principalmente com foco na questão logística ou de segurança, além de pequenas adaptações para a equipe que retorna ao trabalho.”

O setor de franquias, como um todo, tem reduzido as quedas com o passar dos meses. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), a queda no faturamento do setor em junho foi de 30,1%, contra 41% em maio e 48,2% em abril. “Com dados premiliminares, vemos que julho foi um mês melhor e acreditamos que entraremos em uma curva ascendente.”

Fonte: PEGN